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quarta-feira, 25 de março de 2015

Homenagem a Herberto Helder | Poema de maria azenha


MESTRE SEM MORTE
(a Herberto Helder)

Entre as mãos uma acácia
Moedas de silêncio
O sangue de um compasso
E a terra alva
A altura da sombra
Ocupa o negro da página
Desaba
Um verso secreto
Do palácio
O poema
Foi devorado
Pelos olhos de um falcão

maria azenha
(2015-03-24)

***«»***
Uma homenagem merecida de uma grande “poeta” para um grande poeta.
Herberto Helder deixou-nos, mas ficou, para o nosso contínuo deslumbramento, a sua poesia, uma poesia talhada a escopro no corpo denso das palavras e trabalhada por uma talentosa engenharia metafórica. Herberto Helder fez na poesia o que Saramago fez na prosa: engravidou as palavras, que nele tinham uma grande sonoridade e densidade poéticas.
Alexandre de Castro

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