segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

Um adeus do Alpendre da Lua



Depois de mais cinco anos de edição, quase ininterrupta, o Alpendre da Lua chega ao seu fim, pela simples razão de que tudo aquilo que começa tem de acabar.
Iniciada a sua edição, no dia 21 de Maio de 2009, com a publicação do poema “Alba”, de Eugénio de Andrade, e atingindo uma expressiva dimensão estatística reproduzida no registo de 177.779 visitas, 21o seguidores, 318.825 visualizações de páginas e 3.809 publicações, o Alpendre da Lua vagueou por uma grande diversidade de temas, tendo-se posteriormente fixado na abordagem de temas políticos, económicos e ideológicos, com especial destaque para os referentes à crise financeira do nosso país, em que se procurou desmontar criticamente todas as narrativas que tentavam obscurecer as suas verdadeiras causas, assim como os hiperbólicos e delirantes elogios às erradas soluções para a resolver, e onde não faltou quem tivesse deitado mão ao argumento irracional das inevitabilidades.  
Foi um trabalho intelectualmente edificante e gratificante, além de ser também um trabalho civicamente militante. Sinto-me, pois, compensado.
Uma palavra de agradecimento para os vários colaboradores e colaboradoras, que, com os seus textos e as suas imagens, prestigiaram com o seu reconhecido mérito este blogue.
Mas o grande agradecimento vai para todos aqueles leitores, a maioria deles leitores anónimos, que passaram por aqui e que deram toda a razão de ser para que o Alpendre da Lua pudesse ter existido.
Obrigado.

Alexandre de Castro

Credit Suisse envolvido nos títulos de sociedades com dívida no GES


O banco suíço Credit Suisse terá ajudado a desenhar títulos para sociedades veículo offshore com dívida do Grupo Espírito Santo (GES), que mais tarde foram vendidos a clientes do mesmo grupo, noticia o Observador.
O Credit Suisse terá ajudado na venda de títulos das sociedades veículo offshore, compostos maioritariamente por dívida do Grupo Espírito Santo (GES), a clientes do mesmo grupo, avança o Observador.
Com base num artigo do jornal económico The Wall Street Journal, a mesma publicação indica que os clientes não sabiam que estas sociedades tinham como ativos a dívida das várias entidades que compunham o GES.
A instituição terá ajudado a desenhar os títulos para serem vendidos mas ainda não é claro que teve também um papel na venda dos mesmos, recusando-se a comentar estas alegações.

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Os bancos funcionam em rede a nível mundial, colaborando entre si para conseguirem maximizar os lucros do dinheiro, que eles próprios emitem, através das operações de crédito, uma função que deveria pertencer aos estados soberanos. O seu poder é imenso, sobrepondo-se, na prática, ao poder dos próprios estados. São eles que, através de diversos canais de pressão, e de uma forma oculta, determinaram as regras da atual ordem mundial, baseada nos princípios fundamentais do neoliberalismo, a doutrina económica que melhor serve os seus interesses. A nível político, controlam o poder, elegendo e apoiando em cada país dois partidos supostamente antagónicos, mas que aceitam implicitamente aquela ordem mundial, que não pode ser posta em causa.
Tanto nos dias de hoje, tal como no passado, nenhum processo revolucionário, que pretenda acabar com o domínio do capital sobre o trabalho, pode ignorar a a importância da nacionalização do crédito e a recuperação do poder do Estado em emitir moeda.   

domingo, 17 de Agosto de 2014

Agradecimento


Agradeço ao Jerónimo Dias a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua

António Costa: "Este Governo está esgotado nas suas soluções"


O candidato à liderança do PS António Costa considerou hoje que a sustentabilidade da Segurança Social não exige cortes nas pensões, mas a criação de emprego, acrescentando que o primeiro-ministro não apresentou uma proposta de reforma.
Para António Costa, o que põe em causa a sustentabilidade do sistema da Segurança Social não é o valor das atuais pensões, mas "a crise económica".
"Só o desemprego e a emigração, por perda de salários e por perda de contributos, criaram uma fragilidade de 8 mil milhões de euros", frisou.

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Quem assinou o Memorando de Entendimento (e o PS também o assinou) sabia que todas aquelas políticas concertadas com a troika (UE/BCE/FMI) conduziriam o país para a desgraça. Os signatários de tal acordo e todos os seus comparsas sabiam perfeitamente que, com os cortes brutais nas pensões e nas prestações sociais e o aumento, também brutal, dos impostos diretos e indiretos, o consumo das famílias iria levar um grande rombo e que as famílias mais pobres e as da classe média baixa iriam ter graves problemas de subsistência. Também sabiam que a economia iria estagnar, precisamente por causa da diminuição do consumo privado e do investimento, e que, perante este quadro, os jovens não tinham outra alternativa, senão a de emigrar. Também sabiam que, no âmago daquele acordo com a troika, e sem que isso fosse explicitado, havia a oculta intenção de atrofiar até ao limite os três pilares do Estado Social, o que está a ser feito com sucesso, para gáudio dos grupos económicos da saúde e da educação (igreja católica) e das seguradoras.
Tal como eu, também António José Seguro e António Costa sabiam disto tudo. Ou não sabiam?! E perante este quadro, verdadeiramente tenebroso, o que se impõe é que ambos digam aos portugueses, sem utilizarem os chavões da campanha eleitoral, como é que eles irão dinamizar a economia e aumentar os postos de trabalho para evitar a sangria emigratória, se ambos, com arreigadas convicções europeístas, concordam com o Tratado Orçamental, que vai obrigar a diminuir a despesa do Estado, para levar a dívida pública aos 60 por cento do PIB, tal como nele se preconiza. É que, tal como o memorando de entendimento com a troika, também o Tratado Orçamental é uma camisa de onze vares para os países mais endividados, como é o caso de Portugal e da Grécia. Estes dois países dificilmente se libertarão do garrote da austeridade, que, no futuro, ainda vai acentuar-se mais, depois das eleições legislativas do próximo ano. Se lá chegarmos…

Notas do meu rodapé: Para criar ricos é necessário, primeiro, criar os pobres.


Portugal está a ser uma cobaia da Europa, onde se pretende experimentar a funcionalidade de um modelo sócio-económico assente numa política de baixos salários e no atrofiamento do Estado Social. Se a experiência resultar, ela será expandida para os países mais pobres da UE.
Para o capitalismo europeu esta é a forma mágica para a economia europeia recuperar a competitividade perdida ao longo da última década, criando-se uma Europa económica a duas velocidades e até, possivelmente, cada uma delas com a sua moeda. O euro forte para os países ricos e o euro fraco para os países pobres. Com uma mão-de-obra disponível e de baixo custo, as unidades produtivas das grandes multinacionais europeias instalar-se-ão nos países do sul, para poderem competir no mercado global com as economias asiáticas, invertendo assim o ciclo autofágico da economia europeia, que vive essencialmente das exportações para os outros países do bloco da UE. A Alemanha, por exemplo, apenas exporta para fora do espaço europeu 40 por cento do total das suas exportações. O declínio da economia europeia, que não cresce, pode ver-se por este exemplo. Antes, a Alemanha exportava as máquinas para a China montar as suas fábricas. Depois, a China começou a construir essas máquinas, com menos custos, para o seu próprio setor industrial. A seguir, a China iniciou a venda dessas máquinas para os tradicionais mercados externos da Alemanha, fazendo-lhe uma forte concorrência, ao nível de preços. Atualmente, a China já vende essas máquinas à indústria alemã. Mas se a Alemanha deslocalizar as fábricas que produzem essas máquinas para Portugal e para a Grécia recupera a competitividade, através dos salários baixos.
Talvez assim se compreendam melhor os objetivos de longo prazo do ministro das Finanças da Alemanha, ao arquitetar os planos de austeridade para os países do sul da Europa, em que se procurou promover unicamente a desvalorização salarial, isentando de quaisquer cortes os rendimentos do capital.
Para criar ricos é necessário, primeiro, criar os pobres. É o que está a acontecer em Portugal e na Grécia.

Decisão de suspensão revolta ex-gestores do BES


Rui Silveira, António Souto e Joaquim Goes chegaram ao Banco Espírito Santo para trabalhar, em julho, e foram impedidos por cartas de suspensão assinadas pelo governador do Banco de Portugal. De acordo com o Sol, os ex-gestores contestam a “injustiça” da decisão e prometem resposta ao regulador.
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Agora, para a sequência ficar perfeita, só falta a ministra das Finanças demitir o Governador do Banco de Portugal, o primeiro-ministro demitir a ministra das Finanças, o Presidente da República demitir o primeiro-ministro, e a troika demitir o Presidente da República. Pelo menos, que Portugal seja um protetorado a sério e não um país "faz de conta".

Falta saber quem é que irá demitir a troika

sexta-feira, 8 de Agosto de 2014

Se as consultas demorassem apenas 15 minutos, não haveria falta de médicos de família!...


Tribunal de Contas recomenda ao Ministério da Saúde que liberte médicos dos centros de saúde de tarefas administrativas.E critica exclusão de utentes das listas de médicos de família “por razões administrativas”.
O Tribunal de Contas (TC) encontrou uma hipotética solução para a falta de médicos de família, problema que os sucessivos ministros da Saúde têm tentado resolver ao longos dos anos, sempre sem sucesso. Considerando que o tempo médio de uma consulta dos médicos dos centros de saúde era, há dois anos, de 21 minutos, uma equipa de auditores do TC fez contas e concluiu que, caso se assuma como “razoável” o tempo de 15 minutos para o atendimento, seria possível fazer mais 10,7 milhões de consultas.
PÚBLICO

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No tempo dos postos de saúde das Caixas de Previdência, de Salazar e Caetano, não havia falta de médicos. As consultas apenas demoravam dois minutos!…
Embora seja importante libertar os médicos dos centros de saúde das tarefas administrativas, o que é certo é que, com esta habilidade de cariz cronométrico, o Tribunal de Contas está a contornar o problema principal: a evidente falta de médicos de família, que a atual política do Ministério da Saúde deliberadamente promove, e que está a comprometer a funcionalidade do Serviço Nacional de Saúde.

quinta-feira, 7 de Agosto de 2014

Professora foi forçada a dar aulas em estado terminal. Filha recebe indemnização de 20 mil euros


O caso chocou o país inteiro, incluindo o então primeiro-ministro José Sócrates. A padecer de uma leucemia aguda, Manuela Estanqueiro, uma professora de 63 anos, viu a Caixa Geral de Aposentações negar-lhe a reforma duas vezes. A instituição só emendou a mão escassos dias antes de a docente morrer, em 2007, depois de a ter forçado a dar aulas em grande sofrimento.
No mês passado, o Supremo Tribunal Administrativo condenou definitivamente a Caixa Geral de Aposentações (CGA) a entregar 20 mil euros à filha de Manuela Estanqueiro, uma indemnização a que a instituição tentou furtar-se usando todos os meios legais ao seu alcance – tendo inclusivamente invocado a sua situação financeira deficitária. Este, como outros argumentos, não comoveram, porém, os juízes, para quem a situação que atravessa o país não pode servir de pretexto para esvaziar o direito à compensação financeira pela situação a que Manuela Estanqueiro foi sujeita. Contactada pelo PÚBLICO, a CGA remeteu esclarecimentos sobre este caso para o Ministério das Finanças, que não os prestou.
Com mais de 30 anos de serviço, a professora de Cacia, Aveiro, já tinha sido submetida a quimioterapia quando foi presente a uma junta médica. Os clínicos que a observaram acharam-na permanentemente incapaz de voltar a trabalhar, mas o médico que os chefiava – e que nunca viu a doente – decidiu contrariar o seu parecer, recusando a aposentação. Para isso, baseou-se num relatório dos Hospitais da Universidade de Coimbra anterior à ida de Manuela Estanqueiro à junta médica. Dizia o documento que a leucemia se encontrava “em remissão”. Mas acrescentava também que a docente havia “chegado ao limite das suas capacidades para lidar com crianças” e com problemas relacionados com elas. Para não perder o salário e correr o risco de ser despedida por faltas injustificadas, a professora de Educação Tecnológica voltou à Escola Básica 2/3 de Cacia. Era a filha, na altura com uma gravidez de risco, quem tinha de a levar e ir buscar. Os colegas improvisaram-lhe uma cama com os sofás da sala dos professores, de modo a poder descansar entre as aulas, que nem sempre conseguia dar. Mesmo furando os regulamentos, houve docentes que a substituíram na sala de aula. “Regularmente tinha de ser alimentada pela filha ou pelos colegas quando se encontrava a leccionar, pois não conseguia fazê-lo sozinha”, descrevem duas sentenças de tribunal. Havia dias em que o prato ia para trás como tinha vindo.
O calvário durou um mês, ao longo do qual Manuela Estanqueiro voltou a precisar de cuidados hospitalares. Foi nesta altura que o caso saltou para os jornais e para as televisões, juntamente com outro, de contornos similares, de um docente de Braga com cancro na laringe que mal conseguia falar mas a quem também havia sido recusada a passagem à reforma. Sócrates declarou-se chocado, ao ponto de decretar uma auditoria às juntas médicas da CGA. Foi também por causa de Manuela Estanqueiro que as juntas médicas passaram, a partir daí, a ser compostas exclusivamente por clínicos.
Pela voz do hoje ministro da Segurança Social, Pedro Mota Soares, o grupo parlamentar do CDS exigiu explicações para tão “atroz desumanidade”. Foi na sequência do escândalo público – e já depois de ter negado a aposentação à professora por duas vezes – que a CGA lhe concedeu finalmente a reforma, numa altura em que estava outra vez internada no Hospital de Aveiro para não mais sair.
A juíza que analisou o caso no Tribunal Central Administrativo Norte – para o qual recorreu a CGA depois de condenada em primeira instância – não hesitou em classificar o sucedido como um desrespeito pela dignidade humana. “O período de tempo durante o qual se viu obrigada a trabalhar foi extremamente penoso e quase indigno da condição humana e de professora”, escreveu na sentença. “Como se não lhe bastasse a doença”, acrescenta a magistrada, chamando a atenção para o inútil sofrimento acrescido que a atitude negligente da CGA provocou. Por isso, não acedeu ao pedido do Ministério Público para baixar a indemnização para cinco mil euros. “A minha mãe vivia na angústia desta injustiça que lhe estavam a fazer”, recorda a filha, também professora, que pediu em tribunal uma indemnização de 300 mil euros. O advogado do Sindicato de Professores da Zona Centro que a representou em tribunal admite recorrer da decisão da justiça portuguesa para instâncias europeias, como o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

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Nem os talibãs do Afeganistão revelam tanta insensibilidade e tanto desprezo pela dignidade das pessoas e pela vida humana.
Neste caso, a Justiça funcionou contra o despotismo dos burocratas, embora os vinte mil euros de indemnização não apaguem a monstruosidade da afronta. O Estado foi condenado, mas  0 médico-chefe da Junta Médica e os dirigentes da CGA, diretamente envolvidos no caso - que foram os verdadeiros autores materiais da hedionda decisão de não reconhecerem a incapacidade total para o trabalho da professora Manuela Estanqueiro, que se viu obrigada a dar aulas, quando já se encontrava gravemente doente, a atravessar a fase terminal de uma leucemia aguda - ficaram na sombra, incólumes. Pelo menos, deveríamos conhecer a sua identidade, para que, se os encontrássemos na rua, podermos cuspir-lhe na cara.

Esta é a fórmula matemática da felicidade

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A partir do estudo das respostas neurológicas associadas à satisfação, um grupo de cientistas da Universidade de Cambridge apurou uma fórmula matemática que define a felicidade.
estudo, intitulado “Um modelo neuronal e computacional para um momento subjetivo de felicidade” tratou de perceber o que se passa no cérebro durante um momento de alegria. Para isso desenvolveu um jogo que envolveu ganhos monetários de curto prazo, o que implicou gerir expectativas e desejos de modo a perceber os impulsos cerebrais envolvidos na sensação de felicidade descrita pelos participantes — que era medida numa escala de um a dez. O estudo envolveu um rácio de esquecimento, determinando que quanto mais distante no tempo era o momento de felicidade, menos relevante ele se tornava para o sentimento presente. Outra conclusão interessante é a relação da felicidade com as expectativas. Dito de outra forma: se a recompensa for inesperada, a sensação de felicidade é bem maior.
Este trabalho científico envolveu 26 pessoas que se sujeitaram a um scan cerebral enquanto jogavam no computador. Os resultados de base foram depois usados para prever intervalos para padrões de felicidade de 18.420 sujeitos que participaram num jogo no smartphone, demonstrando a utilidade dos valores originais apurados. Estudos mais avançados poderão contribuir para determinar valores mais rigorosos que apurem a felicidade de uma pessoa sem ter de recorrer a testes subjetivos como os que são usados hoje por psicólogos.
Se esta parece uma questão mais filosófica que matemática, é porque é. E é o próprio estudo de Cambrigde que começa por referir o “a felicidade tem uma importância central no bem estar subjetivo do ser humano”, algo que tem sido estudado há milénios por filósofos — “de Aristóteles a Bentham”. Claro que  encontrar o estado emocional puro de felicidade individual é utópico porque isso depende de cada pessoa e das suas circunstâncias, pelo que a única possibilidade de efetuar uma medida seria pela felicidade subjetiva dos povos — que as Nações Unidas já medem através do Relatório Mundial da Felicidade — ou pelo transitório estado emocional de satisfação. A metodologia foi a que permitiu atingir resultados mensuráveis, embora seja criticável por associar satisfação a somas monetárias em jogos.
Já no ano passado um outro estudo da Universidade de Missouri tentou apurar a relação entre a busca da felicidade e a música. Sendo que aqui é mais fácil associar comportamentos a épocas ou até gerações — o que facilita a criação de uma banda sonora da felicidade. Deixamos três sucessos musicais que muitos associam a felicidade:
No final dos anos sessenta, os Turtles lançaram um hit chamado “Happy Together” que resumiu o espírito da geração.

Agradecimento


Agradeço ao Apolineo Gouveia a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua.

terça-feira, 5 de Agosto de 2014

Garantias de que contribuintes estão 'livres do BES' são "falsas", afirma Megan Greene

Este ativo não é tóxico. Foi transferido para o Novo Banco.

A economista e colunista Megan Greene, que se tem debruçado nos últimos anos sobre a crise das dívidas nos países sul-europeus, considera que serão “falsas” quaisquer afirmações que sugeriam que os contribuintes não serão prejudicados pelo resgate ao BES.
Para Megan Greene, economista-chefe da consultora Maverick e cronista da Bloomberg, os contribuintes nacionais não irão escapar às consequências do resgate ao Banco Espírito Santo.
Recorde-se que o banco privado será dividido em ‘banco mau’ e em ‘banco bom’, estimando-se que virá a necessitar de quase cinco mil milhões de euros para se capitalizar. Este domingo à noite, governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, anunciou a solução para o BES, com o Governo, através de um comunicado do Ministério das Finanças, a afirmar que os contribuintes não terão de suportar quaisquer custos.
E é sobre esta questão que surgem as dúvidas de Megan Greene. Num comentário de que o The Guardian dá conta, publicado na rede social Twitter, Megan Greene considera que o resgate ao BES é “assustadoramente”  parecido com os resgates à banca irlandesa, “embora numa escala muito menor”. A economista acrescenta que serão “falsos” quaisquer comentários que sugiram que os contribuintes estão ‘livres’ da situação.
Na sua conta no Twitter, a cronista da Bloomberg dá também destaque a um artigo da autoria de Claire Jones, artigo esse que tem como título ‘Como roubar um país, ao estilo do Espírito Santo’ ('How to rip off a country, Espirito Santo style', lê-se no título original). Claire Jones já tinha escrito para a revista Forbes sobre a crise no banco privado.

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A descoberta de todas operações subterrâneas e opacas de Ricardo Salgado ainda não se esgotou. O próprio Governador do Banco de Portugal (BdP), na sua comunicação de domingo à noite, referiu a enorme complexidade dos muitos esquemas contabilísticos fraudulentos, utilizados pelo BES, e da impossibilidade de penetrar nos circuitos de territórios "com outras jurisdições". Por isso, é muito possível que o buraco financeiro do BES tenha uma amplitude muito maior do que aquela que foi revelada publicamente. Também não é de afastar a hipótese de que o primeiro-ministro, a ministra da Finanças, o governador do BdP e a autoridade financeira europeia já tenham conhecimento de toda a extensão da enorme fraude, e que só por uma questão de oportunidade política tenham decidido revelar a verdade, apenas quando se apresentar um momento mais favorável, que possa ser devidamente preparado e encenado. Com esta fórmula engenhosa, os portugueses seriam previamente preparados para receberem a notícia de mais uma inevitabilidade da crise, o que justificaria o anúncio do recurso   a um novo endividamento externo e a mais medidas de austeridade.
Neste momento, e considerando o historial deste governo, ao nível da manipulação da opinião pública, em que se conseguem construir narrativas  benignas para poder justificar e desenvolver políticas malignas, é aconselhável não acreditar nos seus dirigentes nem nos seus lacaios. 
Uma coisa, no entanto, é certa. Se o buraco financeiro do BES tiver o tamanho do Evereste, poderemos vir a dizer que Ricardo Salgado, o banqueiro do regime, foi também o seu coveiro.

segunda-feira, 4 de Agosto de 2014

Mais um esbulho?!...


“O Estado vai recapitalizar o Novo Banco, através de um empréstimo de cerca de cinco mil milhões de euros, concedido ao recém-criado Fundo de Resolução, empréstimo este que, ao contrário do que afirmou o Governador do Banco de Portugal, é dinheiro dos contribuintes, uma vez que são estes que irão pagar as amortizações e os juros do empréstimo da troika, destinado para este fim, no valor de 12 mil milhões de euros.
No entanto, ainda nenhum responsável informou a opinião pública sobre o valor da taxa de juro que o Fundo de Resolução irá pagar ao Estado”.

Este foi o meu comentário, que deixei no Diário Económico digital, mas que apenas ficou visível durante um minuto, período ao fim do qual apareceu a informação de que o comentário tinha sido bloqueado.
Parece-me que estamos a regressar ao tempo da censura, não já a censura executada pelo governo, tal como acontecia nos tempos de Salazar e Marcelo Caetano, mas a censura dos agentes do grande capital financeiro, de que o Diário Económico é uma expressão.

Ontem, depois de ter lido o comunicado do Governador do Banco de Portugal, enviei uma mensagem para o endereço eletrónico da infobes, um site disponibilizado pelo novo BES para Perguntas e Respostas sobre a nova situação criada, em que solicitava a informação sobre o valor da taxa de juro do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução. Até ao momento, ainda não recebi nenhuma resposta.

Temo que a taxa de juro, a aplicar pelo Estado a este empréstimo ao sistema financeiro, seja irrisória. Se ela for inferior à praticada pelas três instituições da troika sobre os empréstimos concedidos a Portugal, ao abrigo do plano de assistência económica e financeira, os portugueses têm mais uma razão para considerarem-se traídos, enganados e esbulhados.

domingo, 3 de Agosto de 2014

Notas do meu rodapé: O alibi dos túneis e mais um avanço na escalada da “Guerra Quente”


O argumento da existência de túneis na fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel, que serviriam para o Hamas infiltrar no território inimigo os seus guerrilheiros e o armamento para o lançamento dos temíveis rockets, não pode ser aceite como justificação plausível para a brutal carnificina que o exército israelita está desnecessariamente a provocar entre a população palestiniana, o que prefigura a ocorrência continuada de um crime de guerra, já que o governo judaico sabe de antemão que os seus soldados estão a matar indiscriminadamente civis desarmados, incluindo mulheres e crianças, e não os combatentes daquele movimento islamista. O argumento é pueril e idiota, e, de tanto ter sido invocado nos media, sem a devida aferição crítica, para provar que a existência daqueles túneis constituíam uma verdadeira e grave ameaça para Israel, acabou por se tornar credível para o distraído cidadão comum. Se um túnel tem uma entrada, também tem uma saída, e, neste caso, a saída estará localizada no lado do território israelita. Bastaria ao exército de Israel identificar essas saídas, através do patrulhamento minucioso da fronteira comum, e, em cada uma delas, deixar patrulhas permanentes e rotativas, para, e tal como os caçadores fazem aos coelhos alapados, apanhar os militantes do Hamas. Essas saídas não podem estar dissimuladas, já que não é possível, no frenesim de uma ação clandestina, apagar as marcas da perfuração do subsolo, nem esconder os vestígios das grandes movimentações de terras, efetuadas para o efeito. Com esta solução, o governo judaico evitaria o milhar de mortes que esta guerra já provocou.
Mas o objetivo de Israel não é proceder à destruição dos túneis, destruição esta que acessoriamente acabará por ocorrer. O seu objetivo a médio e a longo prazo consiste em proceder à ocupação efetiva da Faixa de Gaza, depois de neutralizar o Hamas, e aí começar a construir colonatos judaicos, tal como aconteceu na Cisjordânia, o que viola claramente o Direito Internacional, que os governos de Israel, de uma forma contumaz, não têm cumprido, na parte que lhes interessa.
Com o acordo envergonhado dos países ocidentais, o governo israelita vai criar mais um ponto de tensão, a juntar ao já existente na problemática Ucrânia, a fim de alimentar a emergente Guerra Quente, que está a suceder à extinta Guerra Fria, do século passado, e que se caracteriza pela luta surda e intestina, herdade dos tempos coloniais, entre o bloco dos países ocidentais, liderados pelos EUA, e aqueles países e povos do sul e do leste, que pretendem garantir a sua identidade e obter a sua soberania plena, como é o caso do povo palestiniano e dos povos russófilos da atual Ucrânia. É que a guerra é uma “redundância” violenta da política, da ideologia, da diplomacia e dos grandes interesses económicos. E bastará riscar um fósforo para acender uma fogueira, que poderá transformar-se rapidamente num gigantesco incêndio, se a ganância de alguns ou a imprevidência de outros teimosamente persistir.

sábado, 2 de Agosto de 2014

EUA aprovam ajuda de 167,5 milhões de euros a Israel



Congresso norte-americano aprovou sexta-feira um pacote de 225 milhões de dólares (167,5 milhões de euros) para reposição dos mísseis do escudo de defesa de Israel, a última medida depois do fracassado cessar-fogo entre Telavive e o Hamas.
A Câmara dos Representantes votou a proposta com 395 votos a favor e oito contra, dando assim luz verde ao Pentágono para ajudar o aliado israelita.
O voto a favor do Senado foi posterior à aprovação no Senado.
O escudo antimíssil "cúpula de ferro" de Israel tem anulado dezenas de morteiros disparados pelos palestinianos nas mais de três semanas de conflitos entre ambas as partes.
O projeto terá agora de ser assinado pelo Presidente Barack Obama.

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Quando o secretário de Estado norte-americano, John Kerry (juntamente com o secretário -geral da ONU, Ban Ki-moon) aparece a querer mediar o conflito entre o Hamas e Israel, ele não está a ser sincero, porque os EUA são também parte do problema do que vergonhoso se passa na Palestina, e não a sua solução. Sem a ajuda comprometida dos sucessivos governos dos EUA, instigada e apoiada pelo grande lobie financeiro judaico, que domina a grande finança mundial, Israel não poderia sobreviver como Estado, por não ser sustentável economicamente e militarmente. E nenhum presidente dos EUA ousa desobedecer aos desejos ambiciosos do movimento sionista, que pretende restaurar o bíblico Grande Israel de há três mil anos, ignorando a História e rejeitando os direitos dos povos que na Palestina sempre viveram, e que foram islamizados (sem terem perseguido os judeus) pelo império otomano. 
Esta generosa ajuda de última hora evidencia a grande cumplicidade dos EUA para com a agressão sionista desencadeada contra os palestinianos.

Primeira Guerra Mundial

Foi há 100 anos!... Depois, não houve nenhuma década em que não tivesse ocorrido no mundo um conflito armado. Nos dias de hoje, as nuvens negras da barbárie parecem querer anunciar novas tempestades. Os sinais são alarmantes. Percebe-se que estamos no fim de uma era e que uma outra já nasceu. E, normalmente, essa mudança dos grandes contextos históricos arrasta consigo o aparecimento  de guerras e revoluções. O mundo pode transformar-se num matadouro!...

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Primera Guerra Mundial a Color - Cap.1- La Catastrofe
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 La Primera Guerra Mundial a Color- Cap. 2 - Matanza en las Trincheras
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La Primera Guerra Mundial a Color- Cap. 3 - La Sangre en el Aire
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La Primera Guerra Mundial a Color- Cap 4 - Asesinos en el Mar
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La Primera Guerra Mundial a Color- Cap 5 - Caos en el Frente Oriental
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La Primera Guerra Mundial en Color [6/6]- Victoria y Desesperación
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sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

Los orígenes de la Primera Guerra Mundial #Documental



Foi há 100 anos!... Depois, não houve nenhuma década em que não tivesse ocorrido no mundo um conflito armado. Nos dias de hoje, as nuvens negras da barbárie parecem querer anunciar novas tempestades. Os sinais são alarmantes. Percebe-se que estamos no fim de uma era e que uma outra já nasceu. E, normalmente, essa mudança dos grandes contextos históricos arrasta consigo o aparecimento  de guerras e revoluções. O mundo pode transformar-se num matadouro!...

terça-feira, 15 de Julho de 2014

Associação de Paços de Ferreira convida dono da Ikea para conhecer "móveis a sério"


A Associação Empresarial de Paços de Ferreira enviou hoje uma carta ao dono da multinacional Ikea a convidá-lo para conhecer "móveis a sério" que vão estar expostos no certam Capital do Móvel de agosto.
"Móveis a sério são os móveis verdadeiros, com madeira e maciços, que são diferentes dos móveis que eles têm", afirmou, acrescentando: "Os móveis da Ikea são várias tábuas juntas que fazem o mobiliário. Nós temos móveis feitos à medida, fazemos as montagens e levamos ao cliente".
O convite a Ingvar Kamprad, dono da multinacional sueca, prevê que todos os custos da eventual deslocação a Portugal (viagem e alojamento) sejam suportados pela associação.

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A bronca que não seria se a IKEA fosse uma multinacional de produção de tomates!... Não sei se em Paços de Ferreira haveria tomates que chegassem...

Notas do meu rodapé: A falácia da argumentação dos neoliberais


O ESTADO NÃO É MEU PAI... OU É?

O princípio de Stuart Mill (J. Stuart Mill, A Liberdade, 1859) à luz do qual o Estado apenas deve interferir na liberdade de ação dos cidadãos quando o exercício dessa liberdade prejudica os demais: "A liberdade de um indivíduo deve assim ser limitada: não deve ser prejudicial aos outros" embora permaneça actual e invocável é passível de ser interpretado no contexto das obrigações do Estado do secúlo XXI. Com efeito, se quem decide fazer de forma impensada uma tatuagem se prejudica a si mesmo e apenas a si, o mesmo já não vale para quem consome de forma desregrada produtos com alto teor de sal - os tais sujeitos à dita "fat tax" - para quem fuma ou para quem não faz exercício físico. No limite, pode perguntar-se: é legítimo que aqueles que levam uma vida regrada paguem os custos acrescidos do Serviço Nacional de Saúde impostos por aqueles que não o fazem? Ou, pelo contrário, será essa uma das muitas contingências da vida em sociedade?
FRANCISCA ALMEIDA

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O que se esconde por detrás de todos estes argumentos da autora, é o grande objetivo do imperialismo e do capitalismo financeiro internacional em pretender formatar as sociedades, a nível global, pela grelha neoliberal e conservadora, remetendo o Estado para a mera gestão das funções de soberania e entregando à iniciativa privada a gestão de todas as atividades económicas, sociais e culturais, que assim ficariam sujeitas à sagrada lei da oferta e da procura e ao princípio do utilizador/pagador. Em vez de sociedades minimamente solidárias, criar-se-iam sociedades ferozmente competitivas, onde prevaleceria a lei do mais forte. Cada cidadão ficaria entregue ao seu mérito e à sua sorte. Se nascesse incapaz, a culpa seria dos pais, que deveriam ter feito um teste genético (pago do seu bolso, naturalmente) antes de pensarem ter um filho. Se o cidadão contraísse uma cirrose, porque era alcoólico, ou contraísse um cancro no pulmão, porque era fumador, não teriam de ser os outros cidadãos a pagar os respetivos tratamentos. Mas, se aquele cidadão contraísse o cancro pulmonar, devido aos gases tóxicos emitidos pelas chaminés de uma fábrica de produtos químicos, ninguém iria lembrar-se de exigir uma indemnização aos proprietários daquela fábrica, assim como ninguém iria lembrar-se de exigir responsabilidades pela existência de uma criança anormal, ao produtor daquele preservativo que se rompera, durante uma relação sexual do casal progenitor, que, anteriormente, tinha sido  aconselhado a não procriar, depois de se ter submetido a um exame genético. 
Por mero interesse do lucro dos grandes grupos económicos e financeiros, os doutrinários fundamentalistas do neoliberalismo pretendem diluir a responsabilidade coletiva de uma sociedade e aprofundar até ao limite a responsabilidade individual de cada cidadão. Apliquemos esta visão corrosiva e distorcida a uma equipa de futebol, com os avançados da equipa derrotada a reclamarem o prémio do jogo, porque, tendo marcado dois golos, consideraram que a culpa da derrota teria sido dos defesas e do guarda-redes, que permitiram a concretização de três golos pela equipa adversária.
Os ardilosos argumentos da "fat tax", que pretendem incutir um falso princípio de uma nova justiça social, baseado no paradigma fundamentalista de que, em todos os domínios estruturantes da esfera social, cada um tem o que merece e que cada um tem de pagar o que usa e possui, não resistem ao confronto com os princípios humanistas que as sociedades desenvolveram ao longo da História, embora, como se sabe, as classes possidentes sempre os tivessem tentado torpedear. E faço a simples pergunta: Como é que uma sociedade organizada no modelo neoliberal resolvia o problema de uma criança talentosa, que, revelando elevado mérito nos primeiros anos de escolaridade, não poderia, entretanto, prosseguir os estudos por insuficiência de meios financeiros de seus pais? O Estado dava a essa criança um cheque-ensino, diria o inefável Paulo Portas, julgando ele que estava a salvar a honra do convento. E eu responderia: mas, por que carga de água, vivendo eu numa sociedade do Estado mínimo e do lucro máximo, tenho de pagar dos meus impostos a formação daquela criança talentosa? Por uns instantes, Paulo Portas julgaria ter demonstrado a superioridade moral do Estado neoliberal, de natureza individualista, sobre o Estado Social, de natureza coletivista, que eu defendo, por considerar ser mais equitativo e mais justo, ao disponibilizar serviços de âmbito social (Educação, Saúde e Segurança Social) a todos os cidadãos, em plena igualdade de condições. E aqui, já não discuto a justeza do pagamento dos meus impostos, para esse fim...

Publicado no Notícias de Ourém, 24 de Julho de 2014
Publicado no blogue "CDU- Por Ourém", 28 de julho de 2014

segunda-feira, 14 de Julho de 2014

O vómito cheira sempre mal…


[Ana] Drago bate com a porta e ambiciona criar novo partido

Ana Drago anunciou a saída do Bloco de Esquerda (BE) e consigo levou o Fórum Manifesto, corrente criada pelo falecido Miguel Portas. Ao i, a ex-deputada bloquista queixa-se do “espaço limitado” dentro do Bloco e confessa a ambição por um novo partido, que poderá nascer da coligação com o partido Livre e com alguns membros do 3D.

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Ana Drago, ao querer fundar um novo partido político, que englobe o Fórum Manifesto, de que ela faz parte, o Livre, de Rui Tavares, e o Movimento 3D, de Daniel de Oliveira, arrisca-se a formar um novo BE requentado, na esperança de que as próximas eleições legislativas criem condições favoráveis para poder ser uma muleta do PS, num futuro governo socialista. 
A ambição de Ana Drago consiste em tentar convencer o PS a assumir-se como um partido de esquerda, uma imitação em miniatura da ambiciosa intenção de António Costa e de António José Seguro quererem convencer a Europa (a senhora Merkel) a mudar de rumo, como se, por um golpe de magia, se invertesse a relação de forças entre os fortes e os fracos. Se um dia (espero que não) Ana Drago assumir uma qualquer posição de relevo na aliança que quer fazer com o PS, naturalmente terá de vomitar muitas das declarações que fez, como bloquista, contra aquele partido. E uma coisa é certa: o vómito cheira sempre mal...

domingo, 13 de Julho de 2014

Notas do meu rodapé: A falácia da argumentação dos neoliberais


O ESTADO NÃO É MEU PAI... OU É?

O princípio de Stuart Mill (J. Stuart Mill, A Liberdade, 1859) à luz do qual o Estado apenas deve interferir na liberdade de acção dos cidadãos quando o exercício dessa liberdade prejudica os demais: "A liberdade de um indivíduo deve assim ser limitada: não deve ser prejudicial aos outros" embora permaneça actual e invocável é passível de ser interpretado no contexto das obrigações do Estado do secúlo XXI. Com efeito, se quem decide fazer de forma impensada uma tatuagem se prejudica a si mesmo e apenas a si, o mesmo já não vale para quem consome de forma desregrada produtos com alto teor de sal - os tais sujeitos à dita "fat tax" - para quem fuma ou para quem não faz exercício físico. No limite, pode perguntar-se: é legítimo que aqueles que levam uma vida regrada paguem os custos acrescidos do Serviço Nacional de Saúde impostos por aqueles que não o fazem? Ou, pelo contrário, será essa uma das muitas contingências da vida em sociedade?
FRANCISCA ALMEIDA 
EXPRESSO

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O que se esconde por detrás de todos estes argumentos da autora, é o grande objetivo do imperialismo e do capitalismo financeiro internacional em pretender formatar as sociedades, a nível global, pela grelha neoliberal e conservadora, remetendo o Estado para a mera gestão das funções de soberania e entregando à iniciativa privada a gestão de todas as atividades económicas, sociais e culturais, que assim ficariam sujeitas à sagrada lei da oferta e da procura e ao princípio do utilizador/pagador. Em vez de sociedades minimamente solidárias, criar-se-iam sociedades ferozmente competitivas, onde prevaleceria a lei do mais forte. Cada cidadão ficaria entregue ao seu mérito e à sua sorte. Se nascesse incapaz, a culpa seria dos pais, que deveriam ter feito um teste genético (pago do seu bolso, naturalmente) antes de pensarem ter um filho. Se o cidadão contraísse uma cirrose, porque era alcoólico, ou contraísse um cancro no pulmão, porque era fumador, não teriam de ser os outros cidadãos a pagar os respetivos tratamentos. Mas, se aquele cidadão contraísse o cancro pulmonar, devido aos gases tóxicos emitidos pelas chaminés de uma fábrica de produtos químicos, ninguém iria lembrar-se de exigir uma indemnização aos proprietários daquela fábrica, assim como ninguém iria lembrar-se de exigir responsabilidades pela existência de uma criança anormal, ao produtor daquele preservativo que se rompera, durante uma relação sexual do casal progenitor, que, anteriormente, tinha sido  aconselhado a não procriar, depois de se ter submetido a um exame genético. 
Por mero interesse do lucro dos grandes grupos económicos e financeiros, os doutrinários fundamentalistas do neoliberalismo pretendem diluir a responsabilidade coletiva de uma sociedade e aprofundar até ao limite a responsabilidade individual de cada cidadão. Apliquemos esta visão corrosiva e distorcida a uma equipa de futebol, com os avançados da equipa derrotada a reclamarem o prémio do jogo, porque, tendo marcado dois golos, consideraram que a culpa da derrota teria sido dos defesas e do guarda-redes, que permitiram a concretização de três golos pela equipa adversária.
Os ardilosos argumentos da "fat tax", que pretendem incutir um falso princípio de uma nova justiça social, baseado no paradigma fundamentalista de que, em todos os domínios estruturantes da esfera social, cada um tem o que merece e que cada um tem de pagar o que usa e possui, não resistem ao confronto com os princípios humanistas que as sociedades desenvolveram ao longo da História, embora, como se sabe, as classes possidentes sempre os tivessem tentado torpedear. E faço a simples pergunta: Como é que uma sociedade organizada no modelo neoliberal resolvia o problema de uma criança talentosa, que, revelando elevado mérito nos primeiros anos de escolaridade, não poderia, entretanto, prosseguir os estudos por insuficiência de meios financeiros de seus pais? O Estado dava a essa criança um cheque-ensino, diria o inefável Paulo Portas, julgando ele que estava a salvar a honra do convento. E eu responderia: mas, por que carga de água, vivendo eu numa sociedade do Estado mínimo e do lucro máximo, tenho de pagar dos meus impostos a formação daquela criança talentosa? Por uns instantes, Paulo Portas julgaria ter demonstrado a superioridade moral do Estado neoliberal, de natureza individualista, sobre o Estado Social, de natureza coletivista, que eu defendo, por considerar ser mais equitativo e mais justo, ao disponibilizar serviços de âmbito social (Educação, Saúde e Segurança Social) a todos os cidadãos, em plena igualdade de condições. E aqui, já não discuto a justeza do pagamento dos meus impostos, para esse fim...

MIC apela à participação nas primárias do PS


O Movimento de Intervenção e Cidadania, criado em torno da candidatura presidencial de Manuel Alegre em 2006, lançou um apelo à participação nas primárias do PS pela importância que diz ter este processo.
“Não se trata de uma mera questão interna do PS, pois do seu desfecho poderá depender a escolha do futuro governo do país”, lê-se no comunicado enviado à comunicação social assinado por Manuel Alegre, presidente do conselho dos fundadores, o general  Alfredo  Mansilha Assunção, presidente da assembleia-geral, e o arquitecto  Manuel Correia Fernandes, presidente interino da direcção nacional.
Por outro lado, acrescenta-se, “caso este acto decorra de forma transparente e genuinamente participada, será uma oportunidade de abertura democrática que nessa medida dever ser saudada”.

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Não sei se o MIC ainda diz alguma coisa aos cidadãos que, em 2006, se envolveram na campanha eleitoral para a Presidência da República, à volta da candidatura de Manuel Alegre. Como movimento orgânico, está morto, restando apenas os membros dos seus órgãos sociais. No entanto, talvez o seu espírito não se tivesse dissipado, flutuando ainda na memória dos seus militantes, que, certamente, por verificarem que o PS de A: J. Seguro não incorporava nenhuma alternativa séria à direita, debandaram para outras paragens, nas últimas eleições europeias, talvez, até, engrossando a abstenção. A sua maioria, possivelmente, também já percebeu que, ao nível das opções políticas, a diferença entre Seguro e Costa é a mesma da que existe entre o objeto e a sua imagem ou entre a mão direita a mão esquerda. Ambos os políticos assumem a trajetória que o eixo Bruxelas/Berlim imprimem à política portuguesa. Nenhum deles deu o passo mobilizador, lançando o grito do Ipiranga. São europeístas convictos, por paixão ou por conveniência, não sei bem, e que fingem acreditar (e querem que nós acreditemos) que um pequeno partido de um pequeno país será capaz de ter influência no palco das instituições europeias. Por outro lado, Manuel Alegre reformou-se, deixando a rebeldia de lado e acomodando-se ao ambiente pastoso que irá conduzir o PS à insignificância política, comungando à mesa da direita. Que eu saiba, também não tomou partido por nenhum dos candidatos, o que se estranha.

Antena 1 - Entrevista a Jerónimo de Sousa

Foto: Antena 1

Ver vídeo aqui: Antena 1 - Entrevista a Jerónimo de Sousa

Entrevista a Jerónimo de Sousa
A editora de Política da Antena 1 jornalista Maria Flor Pedroso entrevista Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP.

Líder do Partido Comunista Português há dez anos, evita uma resposta peremtória sobre uma eventual candidatura comunista às próximas presidenciais sublinhando que a questão não foi ainda discutida internamente. Avança que o partido pode vir a ter um candidato próprio (como sempre aconteceu exceto nas eleições de 1986 em que o PCP apoiou Salgado Zenha), ou pode vir a optar por uma solução mais abrangente. 

Tal como Pedro Passos Coelho, Jerónimo de Sousa está preocupado com o PS, não pela disputa interna, não lhe interessam os rostos mas sim as políticas. E deixa entender que há diferenças entre António Costa e António José Seguro embora "não substanciais...e esse é que é o problema", conclui o comunista.

Jerónimo de Sousa tem vindo a reunir-se com as forças vivas de esquerda para discutir a situação política e discutir alternativas (amanhã, dia 11 de julho encontra-se com o Bloco de Esquerda e aguarda por uma resposta socialista), assinalando que não receia entrar no Largo do Rato depois do dia 28 de setembro, data em que se realizam eleições primárias no PS. Afirma mesmo: "não me cairia o telhado em cima, mas é para discutir política com o PS".

Assegura também que este governo não tem condições para renegociar a dívida, está demasiado "amarrado, comprometido com o interesse dos poderosos".

RTP Antena 1

terça-feira, 8 de Julho de 2014

Notas do meu rodapé: A convergência à esquerda é possível


Julgo ter chegado o momento certo de o Partido Comunista assumir, sem qualquer tipo de triunfalismo, mas sim com a humildade democrática, que sempre o caracterizou, a liderança convergente dos partidos e das forças de esquerda, que se encontrem verdadeiramente interessadas, sem sofismas e sem propósitos de protagonismos mediáticos, na construção de uma plataforma unitária, que seja a base da formação de uma grande frente popular, que venha a derrubar este governo de ignomínia e de traição. A reunião [ver aqui] de uma delegação do PCP, chefiada por Jerónimo de Sousa, com o Bloco de Esquerda, que, desta vez, será o anfitrião, poderá ser o princípio de qualquer coisa 
O Partido Socialista, com as suas ambiguidades e tergiversações, ao nível da ação e do discurso político, perdeu a sua oportunidade, que, aliás, nunca desejou, de ser o partido aglutinador de toda a esquerda. A atual crise veio desmascarar a sua verdadeira natureza política de partido do sistema, que serve de alternativa segura (para esse mesmo sistema) à claudicação da direita. Na oposição, combate verbalmente a direita, e, quando alcança o poder, faz a mesma política dessa mesma direita, introduzindo-lhe algumas nuances socializantes.  
No pós-guerra, e, principalmente, na década de sessenta do século passado, quando a doutrina comunista “contaminava” a Europa Ocidental, através dos movimentos estudantis e das lutas de um proletariado politizado e com uma grande consciência de classe, os partidos socialistas e sociais-democratas europeus, por contraposição ao verdadeiro ideal socialista, inventaram a fórmula do «socialismo de rosto humano», um conceito tão vazio e tão  inócuo como aquele que o CDS materializou, tempos depois, com a referência ao «socialismo cristão». 
A probabilidade de esta convergência à esquerda ter pernas para andar já está a assustar a direita europeia, não só pelas consequências diretas em Portugal, mas também pelo contágio que possa vir a provocar nos países do sul da Europa. A recente publicitação [ver aqui] da preocupação dos ministros das Finanças do Eurogupo com os elevados impostos sobre o trabalho, praticados na Europa, e a manifestação da sua intenção (para inglês ver) de proporem a sua descida, inclusivamente em Portugal, é um sinal inequívoco do alarme instalado. Não terá sido por acaso a simultaneidade da formulação daquela declaração dos membros do Eurogrupo e o anúncio da reunião dos dois partidos de esquerda portugueses. É que eles sabem que um simples fósforo pode provocar um grande incêndio, tal como aconteceu em 1914, em que um atentado mortal a um príncipe herdeiro foi o rastilho suficiente para que, um mês depois, o grande panelão da Europa dos impérios, a ferver em tensões políticas, sociais e económicas, acabasse por rebentar, de uma forma trágica.
A História não parou nas mãos sujas dos banqueiros e dos políticos ao seu serviço. E também não deixa de se repetir, embora de maneiras muito diferentes, consoante o tempo histórico. Era bom que Portugal desse o pontapé de saída, tal como fez no passado longínquo, quando encurtou o tamanho do mundo, e no passado recente, quando demonstrou que as Forças Armadas também podem fazer revoluções democráticas e libertadoras.

segunda-feira, 7 de Julho de 2014

Meteorologia


A oscilação do estado do tempo é comum na transição entre a Primavera e o Verão. O mês de Maio foi particularmente sintomático, com muito calor no princípio e muito frio mais para o final. Segundo o IPMA, houve uma variação de quase 35 graus entre a mínima registada naquele mês (-0,1ºC em Carrazeda de Ansiães, no dia 24) e a máxima (34,8ºC em Tomar, no dia 16).
PÚBLICO [06 JUL 2014]

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A minha terra, Carrazeda de Ansiães, tinha que se distinguir em alguma coisa, além das maçãs e do vinho. Desta vez, foi na meteorologia. Trata-se de um bom motivo…   

domingo, 6 de Julho de 2014

Assim vai o BES


Morais Pires e Goes revelaram que os 980 milhões de euros estão repartidos por 200 milhões em dívida da Rioforte e outros 780 milhões em financiamentos concedidos ao Espírito Santo Financial Group (ESFG). Recorde-se que esta ‘holding' detém 25% do BES, sendo, por sua vez, controlado em 49% pela Rioforte. Já esta sociedade é detida a 100% pela Espírito Santo International (ESI), a ‘holding' da família descendente do fundador do grupo. Segundo foi noticiado, o ESFG é um dos principais credores da ESI e da Rioforte.
É possível seguir o fluxo de financiamentos entre o BES e as ‘holdings' do GES. O BES emprestou 780 milhões ao ESFG, que, por sua vez, emprestou 1,3 mil milhões à Rioforte. Esta última é detida a 100% pela ESI, que entrou em falência técnica desde a descoberta, numa auditoria pedida pelo Banco de Portugal, de um passivo não-reconhecido no valor de 1,2 mil milhões de euros. Estas irregularidades contabilísticas estão ser investigadas pelas autoridades do Luxemburgo, segundo avançou a Reuters na sexta-feira.
Económico [01 JUL 2014]
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Reparem no complexo entrelaçamento das participações cruzadas deste grande grupo financeiro, que dificulta aos leigos avaliar quem é que deve a quem. Mas o que qualquer pessoa percebe é que o buraco financeiro está lá, e que é bem fundo, embora ainda não tenha aparecido ninguém a dizer como é que ele vai ser tapado. Numa "conference cal", realizada no início da semana, um analista, que nela participou, afirmou, sob anonimato, que os responsáveis do banco apenas "se limitaram a dizer o que o mercado já sabia", o que é uma maneira prosaica de dizer que, para já, não há solução nenhuma. E foi esta evidência, de que muitos já suspeitam ser uma certeza, o que suportou o justificado alarme público, lançado pelo secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, quando afirmou [ver aqui] que é “profundamente negativo para a própria democracia  esta confusão e esta fusão entre os negócios e a política, particularmente do setor financeiro", para acrescentar que também “é preocupante,  porque o nosso povo já pagou com língua de palmo as situações escandalosas, os desmandos da banca, lembrando os casos do BPN e do BPP e esperamos nós que a história não se vá repetir agora com o BES".
"Lá estão os comunas a inventar problemas" irá dizer um qualquer arrebatado deputado da direita ou um encartado comentarista, pago à peça.
AC

sábado, 5 de Julho de 2014

FNAM: Médicos "perseguidos" e "com medo" mas firmes na greve



O sindicato que convocou a greve de médicos para terça e quarta-feira denuncia um clima de medo e perseguição, mas garante que isso não o impedirá de lutar contra "a destruição" do setor, ponderando novos protestos.
Em entrevista à agência Lusa, Mário Jorge Neves, dirigente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM) disse que a classe está hoje confrontada com "uma situação dramática de ameaça da própria subsistência do Serviço Nacional de Saúde (SNS)" e garantiu que nada faria a FNAM voltar atrás no protesto.
"A política que tem vindo a ser desenvolvida de forma até encoberta, dissimulada, é uma política que visa desarticular e destruir os serviços públicos" de saúde.
Mário Jorge Neves denuncia que "os médicos sofrem hoje múltiplas restrições no seu desempenho profissional, estão confrontados com limitações ao exercício pleno das suas funções profissionais e sentem que cada dia que passa a qualidade assistencial se vai degradando e a capacidade de resposta dos serviços vai diminuindo".
O sindicalista disse conhecer relatos "dramáticos" de escassez de material e, conta que, recentemente, esteve num hospital em Lisboa onde são os médicos que compram papel higiénico.
"Esta é uma situação que, em 40 anos de democracia, nunca tinha sido vivida desta forma dramática".
Para a FNAM, além dos efeitos da austeridade, o setor debate-se com iniciativas governamentais que se "traduzem na criação de problemas extremamente graves, como a famigerada portaria da chamada categorização dos hospitais que, se for aplicada, representa o encerramento de 27 maternidades, vários serviços em múltiplos hospitais, o desaparecimento da rede pública de vários hospitais e até de duas especialidades médicas" (estomatologia e a endocrinologia).
Também a chamada "lei da rolha" motiva protestos da FNAM, à qual atribui parte do "clima de medo" que os médicos hoje vivem.
"Esta postura do Ministério da Saúde de criminalização da denúncia do mau funcionamento dos serviços e do impacto que isso tem na segurança da prestação de cuidados para os utentes é mais um buraco negro no nosso sistema democrático", aponta.
Segundo o sindicalista, "perante uma situação geral destas, que inevitavelmente arrasta problemas sócio profissionais delicados, e porque o Ministério da Saúde não tem primado por um diálogo e por uma negociação séria, sentimos que, estando bloqueada a situação, e aumentando sistematicamente as ameaças ao próprio futuro do SNS, não tínhamos alternativa senão enveredar por formas de luta".
Dois anos após a greve de médicos que juntou os dois sindicatos -- FNAM e Sindicato Independente dos Médicos (SIM), o último agora fora deste protesto -- e reuniu milhares de clínicos frente ao Ministério da Saúde, as batas brancas voltam ao mesmo local, com o apoio da Ordem dos Médicos.
Para a concentração no primeiro dia do protesto, a FNAM apela ao apoio da população: "A maior prova de solidariedade seria a participação da população junto das batas brancas", disse Mário Jorge Neves.
A propósito deste apelo, o dirigente sindical garantiu que "os cidadãos podem contar com os médicos como seus principais aliados para voltarem a ter um serviço público de saúde de qualidade".
"Não é agora, a dias da greve, que terá qualquer credibilidade uma iniciativa tendente a desbloquear esta forma de luta. Não vamos correr riscos com pessoas que sabemos, à partida, que não cumpriram durante dois anos com a sua palavra nem com os documentos assinados".
Sobre o que acontecerá após a greve, o sindicalista disse que "se o Ministério persistir nesta postura, continuaremos a trabalhar para manter o processo reivindicativo que terá tendência a uma radicalização crescente. Até onde, não sabemos".
Outras formas de protesto podem passar por demissões em bloco, como as ocorridas no Hospital de São João, no Porto, ou a continuação da denúncia de situações graves no setor, exemplificou.
"Naturalmente que não ficaremos por aqui, porque estamos a lidar com uma situação que é na sua essência dramática e que, para muitos cidadãos, pode ter a ver, não só com aspetos de qualidade de vida, mas também com a diferença entre a vida e a morte".
Notícias ao Minuto
Ver aqui um resumo mais alargado da entrevista

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Como já temos aqui afirmado várias vezes, esta greve dos médicos, convocada pelos sindicatos da FNAM, não é uma greve determinada por reivindicações salariais. Também não é uma greve partidária, como alguns pretendem fazer crer. Mas é, sem dúvida, uma greve política. Política, no sentido mais nobre da palavra, já que ela tem como único objetivo defender com grande determinação um bem público e um direito constitucional. O bem público é o Serviço Nacional de Saúde (SNS), e o direito constitucional é o direito que garante o acesso, em plena igualdade de circunstâncias, de todos os cidadãos portugueses a todos os cuidados de saúde disponíveis, e que se designa por Direito à Saúde. E a sua oportunidade é evidente, já que se perceberam as intenções ocultas deste governo em esvaziar de sentido aquele bem público e aquele direito.
A degradação progressiva dos serviços hospitalares e dos centros de saúde está a atingir o limite da rutura. A drástica limitação ao recurso aos meios auxiliares de diagnóstico e aos meios terapêuticos coloca em risco a saúde e a vida dos doentes. Como diz exemplarmente o médico e dirigente sindical, Mário Jorge, é uma situação que tem a ver “não só com aspetos de qualidade de vida, mas também com a diferença entre a vida e a morte".