domingo, 28 de maio de 2017

Morreu o grande jornalista Miguel Urbano Rodrigues



Morreu o grande jornalista Miguel Urbano Rodrigues

Morreu um grande jornalista. Foi através da sua mão que eu me iniciei no jornalismo, escrevendo artigos de opinião para o jornal "o diário", de que foi director.
Era um homem bondoso. Desde a juventude até à sua morte, Miguel Urbano Rodrigues pautou a sua vida pela coerência com ideal comunista.

Era irmão do escritor Urbano Tavares Rodrigues, também já falecido. Miguel Urbano Rodrigues era licenciado em Ciências Históricas e Filosóficas e, perseguido pelo regime salazarista, viveu exilado, durante muitos anos, e até 25 de Abril de 1974, no Brasil, onde exerceu a profissão de jornalista. Foi ele que fez a reportagem do assalto ao paquete S. Maria, tendo entrevistado Henrique Galvão.
Alexandre de Castro

2017 05 28 

quinta-feira, 25 de maio de 2017

LA PALAVRA ES LA ESPADA DEL ESPÍRITO _ Itsmania Platero


Minha querida amiga Itsmania Platero:

LA PALAVRA ES LA ESPADA DEL ESPÍRITO é um texto de antologia. Escrevê-lo nas Honduras não é o mesmo que escrevê-lo em Portugal ou em qualquer outro país da Europa. Nas Honduras, é um risco, que pode ter consequências trágicas, incluindo a morte. Na Europa, seria um texto de opinião brilhante, de quem se preocupa pelos Direitos Humanos, pela Democracia e pela Liberdade, e que seria elogiado por todos os verdadeiros democratas, que fazem da cidadania um valor supremo.
Agradeço-te, minha querida amiga, a amabilidade de me teres citado, na parte final  do primeiro editorial da tua nova revista, com uma frase minha, da qual já não me recordava. Desejo que através da palavra escrita, que tu sabes habilmente manejar, na tua língua, consigas recrutar militantes e apoiantes para as tuas elevadas e nobres causas, pelas quais tens lutado com muita coragem e determinação, e enfrentando enormes perigos.

Alexandre de Castro 

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“La palabra es la espada del espíritu”
Itsmania Platero
Mujeres&Negocios

Hoy somos los periodistas actores de un drama a diario vivido, hondureños en una cloaca de terror, intimidación, impunidad y corrupción donde la ley del más fuerte está por encima de la justicia, donde los valores morales se han sustituido por el amor al dinero.

Visto desde otro ángulo, está es la escena, es la mina de imágenes y cuentos que sostienen la producción gráfica y literaria de lo increíble, lo que asusta y lo sangriento, sirven con una óptica distinta en el análisis de la importancia de la violencia y la muerte, en el manejo del Estado Moderno Humanista y en la psicología social de un pueblo al borde de la rebelión y la miseria.

La violencia en Honduras es una cruda realidad, normal en un estado de alerta que no es la excepción sino la regla, donde todos contamos los muertos haciéndonos actores en el gran escenario de la vida, provocando el miedo y narrando con insistencia capítulos de una novela de la vida real que pretende mostrarnos seguridad y orden en nuestra sociedad.

La legitimación del uso de la fuerza como un medio de resolución de conflictos la convierte en un comportamiento social aceptable, en ausencia de la capacidad de mantener el orden social en el país, "en respuesta se castiga el principio bíblico de libertad"

“El amarillismo y la nota roja” son la mejor arma del gobierno, que fabrica simulacros de justicia e integridad institucional, normalizando la violencia social y el fenómeno de seguridad. siendo la mujer y los niños los más vulnerables.

Graficando la muerte en la sección de cierre, se escoge la mejor imagen generando parámetros que deben de cumplirse analizando con los editores gráficos el mejor escenario del crimen, la mejor fotografía, el color, el vocabulario, el titular que tome acciones al momento de redactar la portada cuando la dimensión del hecho lo amerite. ¿ACASO NO ES ESTO TERRORISMO?

El amarillismo y el morbo al estilo de la propaganda rusa, una forma de coerción social y a la vez una forma de producción cultural es decir de “arte”. Donde los medios de comunicación se convierten en un teatro, una falacia, que confunde al lector, al grado que por un momento no va a diferenciar entre la ficción y la realidad.

*ESTO ME TRAE EL RECUERDO la banda de rock Pussy Riot, sus integrantes permanecieron en prisión en Rusia; María Alyokhina privada de libertad a mil kilómetros lejos de su hogar e Ivadezhda Tolokonnikova presa en un hospital prisión. Ambas detenidas en el 2012 por el delito de "vandalismo motivado por odio" después de haber protestado frente la catedral de Moscú.

La represión y el miedo son elementos claves en la elaboración gráfica de un estado capaz de mantener la soberanía y garantizar la seguridad social, “en una Honduras donde muchas veces la realidad es el resultado de la mentira, el juego, el negocio,” que adquiere más profundidad y afecto en nuestras vidas.

“Woodrow Wilson se declaró así mismo como el representante personal de la gente. "Nadie más que el presidente". En 1917, proclamó la entrada de Estados Unidos en la 1ra Guerra Mundial, una cruzada para hacer el mundo "un lugar seguro para la democracia". Después de la elección, Wilson concluyó que América no podría seguir siendo neutral en la guerra mundial. En abril 1917, él le pidió al congreso una declaración de guerra en Alemania. Wilson se presentó ante el Congreso para anunciar los blancos americanos."

El producto final será la participación del lector, en las "Redes Sociales " que sin ser actor se volverá autodidacta, al dar su veredicto suplirá las carencias estatales, certificará las mentiras que se volverán verdades, aceptando lo incorrecto como correcto, validando la irresponsabilidad, hará suya la noticias sin pensarlo, sintiendo sensaciones de compasión y miedo.
Al final de la obra, el lector ya no será el mismo, nacerá en él, elementos de juicio que le ayudarán a tomar una decisión crítica, definida, orientada y correcta, listo para multiplicar con otros su verdad cada vez más desfigurada, carentes de veracidad y conformándose con la simpleza de la información.

"El periodismo es la ventana del mundo, por donde se puede ver lo importante que pasa, más allá de las paredes y los muros y que muchos quieren ocultar... Alexandre de Castro"

Itsmania Platero

In Mujeres&Negocios


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Ponho à consideração dos editores de Abril de Novo Magazine a cooptação do blogue Xibalba Arte e Cultura. da jornalista hondurenha Itsmania Platero.
2017 05 25

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Incandescências… (**) _ Fotografia de Milú Cardoso


Incandescências… (**) _ Fotografia de Milú Cardoso 

Nesta fotografia de Milú Cardoso está tudo: luz, cor, contraste e forma, e, acima de tudo, a enorme capacidade da autora de descobrir a oportunidade para captar a beleza, que a Natureza oferece. Há algo de mágico, nesta fotografia, que nos encanta. E dela escorre uma serenidade, que nos seduz. Repare o leitor como os mastros das embarcações, batidos pela luz rasante do Sol poente, ganham outra majestade e beleza. E, a marcar o horizonte, a luz do fogo a incendiar os nossos olhos.
Alexandre de Castro
2017 05 18
 (**) Título do editor

quarta-feira, 17 de maio de 2017

O livro "A CASA DE LER NO ESCURO" de Maria Azenha. [Para quem quiser comprar]


Para quem queira adquirir exemplar do livro "A CASA DE LER NO ESCURO" / (2ª Edição,) 2017 [Finalista do Prémio Internacional de Poesia Glória de Sant' Anna 2017]
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Efectuar o pedido através do email:

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O Anjo do desastre

Chegou a morte com a boca cheia de cravos.
Chegou numa certa manhã escura
com sirenes no deserto e
cavalos

contra a primavera
contra a chuva

sem que o sangue de deus existisse num milagre
ou num mícron de segundo.

Vi o anjo do desastre colocar os pés no mundo.

Maria Azenha.

In A CASA DE LER NO ESCURO
2017 05 17

terça-feira, 16 de maio de 2017

Merkel e Macron dispostos a alterar tratados europeus...


Merkel e Macron dispostos a alterar tratados europeus
Os dois defenderam ainda um "novo dinamismo"
 na relação franco-alemã, com Merkel a anunciar a
realização a curto prazo de um "conselho de ministros
franco-alemão para apresentar projetos bilaterais
suscetíveis de dar uma nova dinâmica
aos nossos trabalhos".


Agora, os dois colossos da Europa até já falam na criação de um Conselho de Ministros franco-alemão, para melhor imporem a sua vontade e promoverem a defesa dos seus interesses, na UE. Depois, no domesticado Conselho Europeu, os outros países, também com governos domesticados, através dos dois partidos da "alternância democrática", assinam de cruz. E é esta a democracia europeia, em que até o Parlamento Europeu, eleito directamente pelos cidadão, não tem voto na matéria.
Alexandre de Castro
2010 05 16

sábado, 13 de maio de 2017

A falácia para ocultar a irracionalidade do milagre de Fátima e a nova fase de evangelização global, através do culto mariano


A falácia para ocultar a irracionalidade do milagre de Fátima e a nova fase de evangelização global, através do culto mariano

Ontem, dia 12 de Maio, foi o dia da saturação e da intoxicação, em termos de comunicação social. Fui massacrado por todos os lados.
Desculpem-me os crentes honestos, mas Fátima faz-me comichão.
Tive tempo de ler uma entrevista do Bispo de Leiria-Fátima (um homem inteligentíssimo e que, quanto a mim, vai ser provavelmente o próximo Papa), em que ele, inspirado num texto de Bento XVI, sobre o mesmo tema, elabora um raciocínio rebuscado para tentar contornar e até ultrapassar a irracionalidade do milagre de Fátima (ele é um racionalista). Diz o Bispo António Marto, e disse o anterior Papa, que foi seu professor, na Alemanha (cito-os de memória), que não ocorreu em Fátima a presença corpórea da Santa, nem ela “desceu dos céus aos trambolhões,” não podendo, pois, falar-se de uma verdadeira aparição. Houve sim uma visão mística, de inspiração e intervenção divinas, que levou os três pastorinhos a transformá-la em realidade vivida. Bento XVI, naquele seu texto referido, até disse (e continuo a citar de memória) que Deus poderia manifestar-se aos humanos por intervenção nos fenómenos atmosféricos (como é que ele sabe isto?!), sendo esta asserção proferida para justificar o milagre da dança do Sol, que não teria sido outra coisa mais, do que uma intencional alteração da refracção da luz, provocada pelo Criador.
Apesar de se tratar de duas sumidades, no campo da Teologia, este artifício escatológico e de hermenêutica não consegue esconder a irracionalidade de um fenómeno, que os padres de Ourém e de Leiria transformaram, na sua origem, num indisfarçável embuste, que perdura e irá perdurar, já que se tornou a principal narrativa do catolicismo que, verdadeiramente, está a mobilizar os respectivos crentes. Esta visita a Fátima do Papa Francisco poderá muito bem ser o arranque de uma nova fase de evangelização, a nível global, esgotadas que estão as narrativas anteriores, baseadas nos evangelhos, e que convidam os crentes a resignarem-se perante o sofrimento.
A imagem original da Santa já percorreu o mundo, há uns sessenta anos, para levar aos crentes a mensagem anti-comunista da Santa Sé. Nos próximos tempos, poderá ocorrer uma coisa parecida, a fim de travar a expansão do Islão, principalmente na Europa, e recrutar novos crentes na Ásia e nos territórios africanos, onde ainda subsistem as frágeis religiões animistas. Se esta minha hipótese estiver certa, mais se adensa a minha convicção de que o próximo Papa será o bispo de Leiria-Fátima (que, entretanto, terá de ser consagrado cardeal), uma vez que será ele que estará em melhores condições, como conhecedor da realidade mariana de Fátima, de dirigir a Igreja Católica nesta nova fase de expansão evangélica.
Mas regressando às falácias do pensamento do bispo de Leiria-Fátima e do anterior Papa Bento XV, para retirarem os milagres de Fátima do campo da irracionalidade, somos levados a dizer que se desenganem aqueles crentes que julgam que a Religião pode sobreviver sem se encaixar minimamente na evolução da Ciência. Ao longo da sua existência milenar, a Igreja Católica teve grandes dissabores por querer contrariar as evidências científicas. Primeiro, com Copérnico e Galileu, em relação ao heliocentrismo. Depois, com Darwin, em relação à evolução das espécies. Ambas as doutrinas, comprovadas racionalmente pelo método científico, desmentiram a dogmática versão bíblica sobre a centralidade da Terra, em relação ao Universo, e sobre a origem do Homem. O Vaticano, derrotado e humilhado, e após muito tempo de estéreis resistências, teve de corrigir a rota doutrinal, adoçando-a e adaptando-a, de forma subtil, aos novos tempos.
Resta a Fé cega e irracional dos crentes, uns ingénuos, outros ignorantes, para que o mito tenha medrado, numa crescente alienação de consciências.
Temos de ter paciência (na paz do Senhor).

Alexandre de Castro

**
Antes de escrever este texto, repesquei uma memória do Facebook, de há um ano, em que, ironicamente, me referi aos milagres da Fátima, e que deixo aqui.

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Hoje, é dia da Santa. Não deixe de olhar para o céu (use óculos) para ver o Sol a dançar.
De caminho, veja aqui a descrição do mais fantástico e inacreditável milagre, que ocorreu em 1453, e em que até os burros se ajoelharam aos pés do Santíssimo.
2017 05 13

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Curiosidades sobre a pintura "Figura na janela _ Salvador Dali

"Figura na janela”_ 1925 _ óleo sobre tela _ 103 x 75 cm
Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madri, Espanha

Curiosidades sobre a pintura "Figura na janela" de Salvador Dali

Esta pintura de Salvador Dali, intitulada “Figura na janela”, tem interesse, por se tratar de uma das poucas obras de Dali, executada, segundo o cânone da escola e do estilo do movimento realista. Como se sabe, Dali ganhou uma enorme celebridade e um justo reconhecimento internacional com as suas arrojadas pinturas surrealistas, que não deixam ninguém indiferente. Ele levou a pintura ao limite da loucura, com a sua imaginação delirante, quase febril. São recorrentes, na sua pintura, os cenários fantasmagóricos e dantescos - autênticos pesadelos - que impressionam.
A mulher, retratada de costas, numa posição descontraída, é a irmã de Dali, Ana Maria Dali, que lhe serviu de modelo em algumas das suas obras.

A propósito desta pintura, reproduzo aqui o apontamento de um internauta,  LuDiasBH, que nos ensina a ver as suas significativas particularidades.

“No quadro, tudo denota movimento: os vincos nas cortinas feitos pelo vento,  assim como os ondulados do vestido da moça, os cachos de seus cabelos, a toalha branca no parapeito da janela e o mar encapelado. Ao fundo está o povoado, que se faz presente através de seu reflexo no vidro da janela aberta para dentro da casa, à direita.  Um barquinho à vela singra o mar, próximo ao povoado”.
Alexandre de Castro

Nota: Dali deixou nesta pintura uma subtil e envolvente sensualidade na figura feminina (a sua irmã), que não se detecta imediatamente, num primeiro olhar.
2017 05 10

terça-feira, 9 de maio de 2017

Apoiar greve dos médicos, é uma forma de defender o SNS

Greve dos médicos _ 10 e 11 de Maio de 2017

Apoiar greve dos médicos, é uma forma de defender o SNS

A Ordem dos Médicos (OM) subscreve
as reivindicações dos sindicatos que
convocaram uma greve para quarta e
quinta-feira, lamentando a degradação
das condições de trabalho que leva à
"insatisfação crescente dos profissionais
de saúde".
Ordem dos Médicos

Com esta greve, a primeira a ser convocada, conjuntamente, pelos dois sindicatos do sector, os médicos não estão apenas a defender as suas reivindicações profissionais, que são justíssimas. Estão também a defender o Serviço Nacional de Saúde (SNS), na sua versão matricial.
Não se pode falar em SNS sem médicos (e outros profissionais da Saúde) suficientemente motivados, quer em relação a uma remuneração compatível, quer em relação à duração diária do seu trabalho. É inconcebível que os profissionais de Saúde façam turnos acima das doze horas nos serviços de urgência. Além de gravosa e perniciosa para a saúde dos profissionais, esta situação também não é favorável para ou utentes, que podem ser vítimas de um qualquer erro médico ou erro de enfermagem, em consequência do cansaço desses profissionais.
Apoiar esta greve, é uma forma de defender o SNS.
Alexandre de Castro
2017 05 09

domingo, 7 de maio de 2017

Poemas para o Dia da Mãe _ vários



6 poemas para o Dia da Mãe

Eugénio de Andrade
Sophia Mello Breyner Andresen
Maria Azenha
Sónia M
Maria Gomes
Alexandre de Castro


Morte da V República da França

O friso dos presidentes da V República de França

Morte da V República da França

Já não interessa saber quem, hoje, vai ganhar a eleição presidencial francesa, e isto, porque a França já perdeu. Perdeu os valores da V República, do General De Gaule, que sempre defendeu a afirmação da França, face à hegemonia do mundo ocidental, exercida pelos EUA (auxiliada pela Grã-Bretanha), e à qual Sarkozy e Hollande, servilmente, se submeteram. Emmanuel Macron, que é o putativo vencedor, é o homem que obteve o unânime apoio dos banqueiros e dos empresários franceses, pois será ele que irá introduzir na política francesa o pleno modelo neoliberal de Reagan e de Thatcher, embora seguindo o enganador modelo da terceira via, seguido por Blair, na Grã-Bretanha.
Através do voto, os franceses, que souberam liquidar o Partido Republicano e o Partido Socialista, que, alternadamente, governaram A França, nas últimas décadas, não souberam, contudo, evitar que o desfecho na segunda volta, tivesse de ser disputado entre dois candidatos, que, cada um à sua maneira, estão vocacionados para desfigurar a França. Os franceses vão pagar muito caro o facto de não terem optado pela eleição de Jean-Luc Mélenchon, que, através do seu movimento "A França Insubmissa", defendia o fim da austeridade e o aumento do salário mínimo.
Resta aos franceses corrigir a rota nas eleições legislativas.
Alexandre de Castro
2017 05 06

sábado, 6 de maio de 2017

A descentralização é o melhor caminho para a privatização


A descentralização é o melhor caminho para a privatização.

A descentralização anunciada, através de um processo propagandístico, que já não é novo, é, na realidade, tal como diz um articulista de um jornal transmontano, "um presente envenenado". Mas também se trata de uma armadilha. Ao transferir competências para as autarquias, principalmente as que reportam às que envolvem as ligadas ao Estado Social, tais como a Saúde e a Educação, o actual governo transfere também, ocultamente, a respectiva responsabilidade política, que se dilui por centenas de agentes políticos locais no país, julgando que assim se furta ao julgamento nas urnas, em caso de insucesso. A descentralização de competências é a melhor forma de reduzir despesas, em serviços essenciais, sem que os portugueses percebam imediatamente, pois se essas reduções fossem efectuadas pelo pelo poder central, elas seriam logo percepcionadas e conduziriam ao descontentamento e à punição eleitoral. Quando faltarem meios para os serviços descentralizados terem a mesma qualidade e mesma abrangência, que actualmente possuem, a culpa será sempre do autarca e nunca do ministro da tutela, que assobiará para o lado. Este é o melhor caminho para a privatização dos serviços que irão ser descentralizados, principalmente, na área da saúde, quando a penúria financeira chegar às autarquias, devido ao incumprimento financeiro da transferência de verbas, por parte  do poder central. As autarquias não terão outra alternativa, senão entregar os serviços a privados, que já estão, pacientemente, à espera do bolo. Foi este modelo que Thatcher aplicou, na Grã-Bretanha, para, silenciosamente, desmantelar sectores importantes do Serviço Nacional de Saúde nas zonas periféricas e menos desenvolvidas do país. E é este modelo que o actual ministro da Saúde perfilha, sem o assumir publicamente. E os sindicatos dos profissionais de Saúde, assim como as respectivas Ordens, já perceberam isto.
Alexandre de Castro   
2017 05 06
Ver também aqui.

NotaA descentralização, em si, não é um mal, desde que seja feita com bom senso e que se destine a fazer melhor, com mais qualidade, com maior rapidez e com menores custos. Mas, percebe-se que esta projectada descentralização tem por objectivo descaracterizar a universalidade e a gratuitidade do Serviço Nacional de Saúde, já que, mais tarde ou mais cedo, e tal como aconteceu com o sector da água, os municípios, por dificuldades financeiras,  acabarão por ter de optar pela sua privatização.     

Agradecimento


Agradeço ao Oscar Pedro e ao Manuel Ramalho a amabilidade de terem aderido ao Alpendre da Lua.

Ver aqui.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Agradecimento...


Agradeço ao José Osvaldo Bagarrão, Victor Carvalho, Manuel Veloso, Manuel Vaz, Joaquim Pegas, António Faro, Emanuel Pimentel, Joaquim Correia e à Maria do Sameiro e Donzília Conceição a amabilidade de terem aderido ao Alpendre da Lua.

Ver aqui.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

O lado negro da internet _ a morte em directo


O crime de Cleveland coincidiu com a conferência anual do Facebook, tendo Mark Zuckerberg repudiado o acto e prometendo tomar medidas, ao nível da sua rede social, para evitar idênticas tragédias.

*

O lado negro da internet _ a morte em directo

Desde que comecei a participar activamente na blogosfera e no Facebook, tive logo a convicção que as redes sociais iriam operar mudanças no comportamento social das pessoas. De um momento para outro, abria-se um mundo novo e maravilhoso, através de um simples clik, capaz de emitir e receber informação, de modo instantâneo. O mundo tornava-se mais pequeno, pois passou a estar disponível nos ecrãs dos computadores. Textos, fotografias e vídeos inundavam o nosso quotidiano. Este é o lado positivo das novas tecnologias da comunicação, que vieram facilitar a vida das pessoas, das empresas e de todas as instituições sociais. Só que não há bela sem senão e medalha sem reverso. Por um lado, a intimidade e a privacidade das pessoas começou a estar ameaçada. Por outro lado, a actividade criminosa, escudando-se no anonimato e fazendo uso da boa-fé das pessoas, que julgam que "tudo o que é da internet é bom", passou a ser uma terrível ameaça à nossa segurança. Burlas, manobras de chantagem, crimes sexuais e calúnias começaram a aparecer na informação da comunicação social. E como nada foi feito para prevenir estes crimes, aparecem agora grupos de psicopatas, conhecedores das técnicas psicológicas de manipulação e de coacção, a promoverem a morte de pessoas em directo, quer a morte por suicídio, quer a morte por assassinato, tentando explorar o lado negro da morbidez humana.

É preciso parar para pensar. É necessário aperfeiçoar os métodos de vigilância, por parte dos operadores e também por parte dos governos, evitando-se, todavia, o recurso às compulsões censórias. Mas, principalmente, é necessário que cada utilizador das redes sociais se proteja a si próprio e à sua própria família. Eu fico abismado como é possível tanto descuido, quando vejo as pessoas a publicarem fotografias suas e dos familiares no facebook. É uma imprevidência que poderá custar caro a alguns utilizadores, que poderão ver essas fotografias utilizadas para outros fins, nada favoráveis aos seus titulares.

Há também uma outra frente a desenvolver. É urgente que os investigadores das áreas da sociologia, da psicologia social e da psicologia forense comecem a fazer estudos em profundidade sobre assunto, tentando perceber as causa e as motivações comportamentais dos utilizadores das redes sociais, assim como as dos criminosos que vão sendo apanhados pelas autoridades policiais.

Estamos perante um fenómeno novo. E como é novo, é desconhecido na sua profundidade, na sua extensão, na sua dimensão e na sua complexidade, que não resiste a teorizações de improviso e ocasionais. O tempo urge.
Alexandre de Castro

2017 05 02


segunda-feira, 1 de maio de 2017

Jantar / Debate _ ADES - Associação em defesa do Estado Social

Clicar na imagem, para ampliar.

ALPENDRE DA LUA DADOS ESTATÍSTICOS – ABRIL 2017 (1)


ALPENDRE DA LUA
DADOS ESTATÍSTICOS – ABRIL 2017 (1)


JANEIRO 2017 ….............  42.044 visitas
FEVEREIRO 2017 .............13.806 visitas
MARÇO 2017 …………    21.630 visitas
ABRIL2017 ………………11.816 visita
                              **
Histórico total de
visualizações de páginas …. 519.493
                               **
PÁGINAS MAIS VISITADAS EM ABRIL 2017

O 25 de Abril 1974-100 Fotografias- 2.212 vis.

Portugal antes 25 Abril 1974
100 Fotografias …………………      1.680 vis.

Dois Brancos e um Preto ………          483 vis.

Os inconvenientes de ainda
ter um telemóvel a preto e branco…      449


(1)   - DADOS DO GOOGLE

Não são consideradas aqui as visitas efectuadas
no Abril de Novo Magazine, ao qual o Alpendre
da Lua está acoplado.

                                                                     2017 05 01

domingo, 30 de abril de 2017

O que é ser europeu? E como vai a grandeza da Pátria?


O que é ser europeu?

A propósito da minha publicação sobre o inquérito do Eurobarómetro, em que se pretendia medir o grau de aceitação, pelos cidadãos, dos conceitos da integração política, económica e financeira [a integração militar já vem a caminho], da Europa, uma amiga, a Helena Viegas interpelou-me, muito justamente, com a pergunta: O que é ser europeu?

Respondi assim:

Historicamente, a Europa sempre foi um continente de povos e nações. Ao longo dos séculos, nem sequer se criou uma língua comum. Cada povo europeu tem a sua língua e a sua própria identidade. O insucesso e o fracasso foram os resultados obtidos por Napoleão e por Hitler, quando pretenderam unificar a Europa, pela força. É impossível unificar a Europa.

Por outro lado, eu não sei em concreto o que é ser europeu, para além do conceito geográfico e dos efeitos de proximidade no processo histórico.

Ser europeu será ter sonhos eróticos com a senhora Merkel? É ter vontade de contratar, a recibos verdes, o presidente francês, François Holland, para uma parelha de palhaços de circo?

Eu não sei, querida amiga, o que é ser europeu. Francamente, não sei. Apenas sei que sou português, por nascimento e por cultura, cultura que não renego, e que a UE é uma grande burla, tão maligna como a burla das religiões, a cargo de eclesiásticos sem escrúpulos, incluindo os Papas.

***
E assim vai a grandeza da Pátria

Também sei que o nosso futuro não é a Europa política e económica, que está a ser construída, e que de ideia falhada passou à condição de facto histórico falhado, isto na persctiva que deveria ser a dos países pobres europeus, porque na visão dos seus pioneiros (Plano Shuman) havia a intenção de formar um mercado único europeu, iniciado por um mercado único europeu do carvão e do aço, ocultamente protegido da livre concorrência das economias dos EUA e da Grã-Bretanha, e que servisse de âncora às economias da França e da Alemanha, e, subsidiariamente, às economias da Bélgica, do Luxemburgo, da Holanda e da Itália, a que se seguiu a constituição da Comunidade Económica Europeia, que começou a integrar os restantes países europeus, menos desenvolvidos.

O objectivo foi sempre a economia. Para dinamizarem as compras às indústrias pesadas dos países ricos, foi necessário avançar com os fundos europeus, para os quais todos os países membros contribuíam e todos os países recebiam, de acordo com a proporcionalidade da sua riqueza. Os grandes beneficiários foram os países ricos, que condicionaram o mercado e adaptaram as ajudas comunitárias aos perfis das suas economias, que tiveram, assim, um grande impulso.

Ganha a frente comercial, baseada nos factores produtivos (indústria pesada e indústria ligeira), e para ganharem novas mais-valias, a Alemanha e a França abriram uma nova frente de negócio, a frente financeira, baseada na especulação imobiliária, e tudo isto em nome da solidariedade europeia. Os bancos desses dois países hegemónicos começaram a aliciar os bancos dos países da periferia, onde estava Portugal, para dinamizarem nos seus países, através de empréstimos aos potenciais clientes (a classe média), a juros baixos, o mercado da compra de habitação própria. Aparentemente, foi um sucesso. Nunca os países do sul tiveram tanto dinheiro. Nos arredores das grandes cidaddes, as casas cresceram como cogumelos e novos bairros surgiam, a ilustrar os benefícios da Europa unida e fraterna. Para o cidadão-tipo, incorporado na classe média renovada, ter casa própria era um sonho de uma vida e de um projecto. E assim se compreende a sucessão de governos, religiosamente adeptos do europeísmo. Pudera! O dinheiro era tanto que até dava para os operadores da pujante indústria da construção civil - que, num ápice, apareceram a construir casas, auto-estradas, estradas, pontes e até dois estádios, que não servem para nada – corromperem autarcas, funcionários superiores dos ministérios, ministros e até, segundo se julga, um primeiro-ministro.

O pior veio depois. Um cenário previsível para a alta finança e para os governantes da época, os dos países credores e os dos países devedores, que, agora, não podem reclamar a sua inocência. Bastava-lhas ter ouvido os avisos constantes do PCP e de muitos economistas, de consciência honesta, para terem procedido com moderação, na forma como o país estava a endividar-se.

O que veio a seguir já é recente, e seria redundante estar a qui a fazer-lhe uma referência: uma crise profunda, o espectro da bancarrota, a bárbara assistência técnica da troika, com o seu modelo clássico de cortar nos rendimentos do trabalho para salvar os rendimentos do capital, a falência financeira das famílias, que ficaram sem casa e sem o dinheiro das amortizações, já efectuadas, o aumento do desemprego, principalmente o desemprego dos mais jovens, que ficarão conhecidos na História como membros da Geração Perdida, aumento vertiginoso da criminalidade, devido à pobreza, empobrecimento dos pensionistas e reformados, que viram os seus subsídios diminuídos, por ordem da troika, que o PS, PSD e CDS aclamaram como salvadora da Pátria, cortes no Serviço Nacional de Saúde e na Educação, etc…etc…etc…

E assim vai a grandeza da Pátria…

Alexandre de Castro  
2017 04 

sábado, 29 de abril de 2017

As respostas dos inquiridos no âmbito dos inquéritos do Eurobarómetro reproduzem a informação dada pela comunicação social alinhada com o sistema.


As respostas dos inquiridos no âmbito dos inquéritos do Eurobarómetro reproduzem a informação dada pela comunicação social alinhada com o sistema.

O Eurobarómetro do Parlamento Europeu publicado ontem revela que os valores de confiança dos europeus em relação à UE são semelhantes aos registados antes da crise de 2007 no que respeita aos benefícios de pertencer à família europeia.
O Jornal Económico
***«»***
Ao ler os resultados do inquérito do Eurubarómetro, chego a uma única conclusão: Os inquiridos reproduzem milimetricamente o que lêem nos jornais e o que vêem e ouvem nas televisões. E como os meios de comunicação social apenas ampliam e dão eco aos políticos e aos comentadores alinhados com o sistema de pensamento único, em vigor, é, naturalmente, com esse pensamento único que os inquiridos se identificam, porque não existe, devido a condicionalismos de ordem financeira, uma informação independente. Há pois aqui, através de um condicionamento da informação, um claro reflexo social pavloviano.

Por outro lado, até porque não temos acesso à matriz do inquérito (que os russos e os chineses poderiam roubar), não sabemos a forma como são apresentadas as perguntas aos inquiridos, já que (e isto eu sei) existem várias maneiras habilidosas de condicionar as respostas, num determinado sentido.
Alexandre de Castro
2017 04 29

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Raízes - "Boiada" _ Uma Nota sobre etnografia



BOIADA

(MINHO)

Labra boi e torna a labrar
Pedei ao Senhor que nos benha ajudar
Ei ei ei boi a labrar ei
Ei boi a labrar
Ei, ei

Que dais a quem os bai ver
Ó Senhora do Alibio
Que dais a quem bos bai ber
Bom terreiro p’ra dançar
Água fresca p’ra beber
Ó Senhora do Alibio
Que dais a quem bos bai ber

Senhora tão pequenina
Ó Senhora do Alíbio
Senhora tão pequenina
Comadre da minha mãe
Senhora minha madrinha
Ó Senhora do Alíbio
Senhora tão pequenina

Labra boi labra por trás da capela
Pica e repica na baca amarela
Ei ei ei boi labrar ei
Ei boi a labrar
Ei, ei

Tudo é caminho e chão
P’ra Senhora do Alíbio
Tudo é caminho e chão
Tudo são crabos e rosas
“Prantados” por minha mão
P’ra Senhora do Alíbio
Tudo é caminho e chão

O bosso mosteiro cheira
Ó Senhora do Alíbio
O bosso mosteiro cheira
Cheira a crabo cheira a rosa
Ao botão de laranjeira
Ó Senhora do Alíbio
O bosso mosteiro cheira

Labra boi labra por trás do arado
O nosso labrador
Merece um cigarro
Ei ei ei a labrar ei
Ei boi a labrar
Ei, ei

Eu já estou alibiado
Ó Senhora do Alíbio
Eu já estou alibiado
Duma fala que me deste
Eu fiquei desenganado
Ó Senhora do Alíbio
Eu já estou alibiado

In Raízes G. A. C.

***«»***
Eu não sei em que estado se encontra o trabalho de uma recolha sistematizada do património imaterial português. Também não sei se o Ministério da Cultura dedica a devida atenção à investigação, recolha, tratamento e divulgação do imenso material etnográfico que ainda existe nos territórios, geograficamente mais profundos, do país, e que, com a desertificação humana e com a penetração dos meios audiovisuais e das novas tecnologias, está ameaçado de extinção. Falta-me também informação sobre a investigação académica das universidades, que ministram cursos de Antropologia Social, e se essa investigação está articulada com planos consistentes, já existentes, ou se se remetem, de uma forma elitista, ao mundo fechado dos seus saberes, obedecendo mais aos seus interesses institucionais e voluntaristas.

O que sei é que, num trabalho desta importância e envergadura, é necessária uma colaboração dos vários agentes culturais, não ignorando as iniciativas locais e particulares, que não podem ser excluídas.

Um plano central do Ministério da Cultura, negociado entre todos os vários agentes, vocacionados para esta área do conhecimento, é necessário. Um plano central, metodicamente bem organizado e bem estruturado, em relação aos objectivos, aos meios materiais necessários, ao financiamento justo e equilibrado, e ao controle da execução e dos resultados. Tem de ser um plano rigoroso, mas que não seja asfixiante, com os excessos de burocracias paralisantes e que permita e estimule as capacidades de iniciativa e de criatividade dos agentes culturais locais. Apenas um exemplo para explicitar melhor esta última ideia. Se num determinado lugar do país, ignorado ou esquecido pelos poderes centrais institucionais, pretender-se revigorar aspectos do seu património imaterial, o plano deve contemplar, de uma forma aberta, a deslocação de personalidades académicas que possam dar o seu contributo científico.

E as escolas? Que eu saiba (e eu sei pouco) não existem nos currículos escolares referências ao estudo elementar sobre o património cultural imaterial, pois o ensino está inteiramente vocacionado para o conhecimento utilitarista.
Se Portugal continuar a perder este riquíssimo património, ficará mais pobre, porque perderá a sua memória. E para saber quem somos, devemos saber de onde viemos e como viemos.

Estou a falar de cultura e não de adereços culturais, para mostrar aos turistas. Não estou a falar de futebol, que já parece ser um desígnio nacional, para mostrar lá fora que também somos grandes. Por estas vias enviesadas, o melhor que podemos ser, é grandes anões. 

Alexandre de Castro
2017 04 27