sábado, 22 de julho de 2017

A Origem das Religiões (*)


A Origem das Religiões (*)

Estamos na presença de um texto rigoroso, que procura tentar compreender a complexa relação entre o Homem e a Religião. E o autor define, logo no início, o campo da sua visão, com o qual concordo, quando diz que "a religiosidade, como geralmente a entendemos, vivida por espíritos conservadores, é uma limitadora das possibilidades humanas". Mas, além das vivências actuais, baseadas nas Religiões do Livro, que, no Ocidente, aprofundaram, desde a sua origem, essa capacidade limitadora da mente dos crentes, o que possibilitou a sua avançada forma de institucionalização, temos de encontrar, através da Antropologia, a razão primeira dessa enraizada pré-disposição do Homem para se sujeitar acriticamente a uma tal situação de subjugação.
Dou como garantido que a crença numa entidade superior começou com os primeiros grunhidos da Humanidade. Ou seja, associou-se naturalmente ao desenvolvimento dos mais primitivos pensamentos dos Homo sapiens, pensamentos ainda lineares e esquemáticos, e das primeiras tentativas de articular sons guturais, com os quais pretendiam comunicar. E nesses primeiros pensamentos,  embora muito concentrados à volta das questões da sua subsistência, surgiu naturalmente a primeira pergunta sobre a sua própria identidade e a identidade de quem construíra o mundo visível a seus olhos, processo esse que durou milhares de anos, o tempo suficiente para projectarem a mente para o Além, para uma entidade invisível superior. Nascera a crença... Mais uns milhares de anos, mais à frente, quando a organização social evoluiu para as formas superiores da sua hierarquização, aceitando um líder que se impunha pelo seu poder, é que se inicia o processo da institucionalização da crença. O próprio poder político necessitava, para se legitimar, do novo poder que surgia, o poder religioso, normalmente concentrado no líder, que rapidamente sentiu a necessidade de ser acolitado por clérigos obedientes.
E assim chegamos ao Judaísmo, ao Cristianismo e ao Islamismo, a marcarem o tempo da História, e constituindo-se em objecto e pretexto de muitas guerras.
Alexandre de Castro

terça-feira, 4 de julho de 2017

De Pedrógão Grande à Feira de Carcavelos. As televisões vendem tudo e tudo é contrafeito. _ Carlos Matos Gomes

Vómito televisivo


De Pedrógão Grande à Feira de Carcavelos. As televisões vendem tudo e tudo é contrafeito.

Carlos Matos Gomes

Conclusões do que aconteceu em Pedrógão: Depois das reportagens de Fátima, das reportagens da celebração do campeonato de futebol, as televisões comprovaram que o populismo existe e está tão encarniçado como as labaredas do grande fogo que mataram e devastaram. O populismo é o apelo à excitação e à irracionalidade. Depois do que as televisões, principalmente as televisões que são o grande meio de manipulação de massas, fizeram a propósito de um fenómeno religioso, da excitação de um fenómeno desportivo, as televisões exibiram as suas melhores figuras, desorbitadas, de pregadores das igrejas dos últimos dias no aproveitamento de uma tragédia. As televisões provaram que não faltam atiçadores de populaça para qualquer campanha. As labaredas de Pedrógão mataram pessoas e destruíram bens materiais, mas mataram queimaram a ideia de uma televisão como meio credível de informação e esclarecimento. A televisão, enquanto meio de comunicação, sai queimada de Pedrógão. A televisão portuguesa despiu-se de pruridos e apresentou-se como é: Um Big Brother, uma Casa de Segredos. As vedetas das televisões são clones da Teresa Guilherme.

O populismo é uma evidência quando o mais poderoso meio de manipulação do comportamento de massas utiliza as suas figuras mais conhecidas para fazerem apelo aos sentimentos mais primários e irracionais e estas o assumem com a convicção de pastores da igreja dos santos do últimos dias, da Maná, das testemunha de Jeová.

Os acontecimentos de Pedrógão provaram que o melhor das televisões, principalmente das televisões, são Teresas Guilherme pregando sobre as labaredas de Pedrógão como se fossem as do inferno, despejando discursos sem pudor, ora excitados ora choramingas, sempre vazios. Gente capaz de tudo. Todos os acontecimentos são um espectáculo, de um cadáver ao desespero de alguém que perdeu tudo. O grito dos populistas é sempre: queremos carne, queremos sangue. Em Roma gritariam por um cristão para atirar aos leões, em Lisboa ou em Madrid pediriam judeus para queimar nas fogueiras da inquisição. Em Pedrógão queriam um ministro, um secretário de Estado, um GNR que tenha dado uma indicação errada, um avião que não caiiu! Nos intervalos puxam à lágrima fácil.

Um populista com um microfone e uma câmara perora diante de homens e viaturas que se movimentam e correm, anuncia: há uma completa descoordenação no combate ao fogo. Há duzentos anos, numa obra clássica, «A Guerra», o autor, Clausewitz, escrevia sobre a natureza da batalha: “a reunião perfeita de todas as forças num mesmo momento é contrária à natureza da guerra.” A batalha, o combate, seja contra outros homens, seja contra um fogo,não é um bailado, nem uma tabuleiro onde se movimentam soldadinhos de chumbo em movimentos geométricos. O campo de batalha é caótico, mas ninguém conseguirá que um populista de câmara e microfone entenda isto. Eles estão diante das câmaras para acusar os homens e a natureza. Querem vender mortos e pendurar vivos no pelourinho. Querem demissão de ministros, querem apanhar a contradição entre um secretário e um sub-secretário.

Mas o chocante, é que são estes pastores populistas — e não houve vedeta da televisão que não quisesse aparecer em Pedrógão (faltou o Rodrigues dos Santos de jaqueta) — esta gente sem moral que nos entra casa adentro para nos interpretar o mundo. Um amador de economia surge de guia nativo. Uma assombração em fato de treino fala com mortos, um outro soube de um avião que não caiu… Todos sabem de pinheiros e eucaliptos, de ordenamento do território… Amanhã estarão a explicar-nos as causas do défice, as mudanças do clima no planeta, os interesses que se jogam no Médio Oriente, a estratégia das três grandes potências para a divisão do mundo.

Serão os pastores evangélicos que vimos de microfone a aproveitarem sem vergonha a desgraça alheia e os seus sentimentos de impotência, ou de raiva, ou de desespero que se despiram diante de nós. A reflexão mais elaborada sobre os assuntos que determinam a nossa vida, o máximo de senso, de honestidade, de saber da vida e do mundo que estas figuras patétitas conseguem é a que apresentaram em Fátima, no 13 de maio, na rotunda do Marquês no dito tetra e agora em Pedrógão. É esta gente que nos interpretará o Brexit, a crise dos refugiados, a nova Europa, o programa espacial da China, as vagas migratórias, a guerra da Siria, as opções do novo governo francês, o desemprego estrutural, as opções para o futuro da segurança social, os novos combustíveis, o terrorismo. Serão estes evangelistas dos últimos dias que entrevistarão ministros e cientistas, que analisarão orçamentos e os fenómenos sociais que determinam o nosso presente e o nosso futuro!

Como respondeu uma vendedora na feira de Carcavelos quando um senhor ali caído por acaso lhe perguntou se os polos eram mesmo da Lacoste: Aqui é tudo de marca!

O incêndio de Pedrógão provou que as televisões são uma feira de Carcavelos. Tudo ali é contrafeito e rasca, mas amanhã, os que ali se exibiram como vendedores de Lacostes surgirão graves e sérios como se fossem fabricantes de produtos originais.
**
Um texto escrito por um escritor e capitão de Abril e enviado por outro escritor, também capitão de Abril, o meu amigo e antigo colega de liceu, o Diamantino Silva.
E aproveito a ocasião, da presença, aqui, destes dois militares, cuja honestidade intelectual e integridade moral muito admiro, para dizer o seguinte:
Os capitães de Abril traziam nos olhos a pureza genuína da política, que os políticos de regime depressa conspurcaram.
Alexandre de Castro
2017 07 03

quarta-feira, 28 de junho de 2017

A propósito de uma Petição A Favor da Redução do Número de Deputados na Assembleia da República de 230 para 180


A propósito de uma Petição A Favor da Redução do Número de Deputados na Assembleia da República de 230 para 180

Desculpem-me todos os peticionários, apesar de todas as razões que possam invocar, mas eu penso que esta iniciativa é um perfeito faits divers, totalmente inócuo e vazio, no ponto de vista político. Fosse este um problema do país, que se resolveria facilmente. O desenvolvimento de um país não depende da dimensão numérica dos deputados do seu parlamento. Há países, mais desenvolvidos do que Portugal, que têm um maior número de deputados. As imagens da televisão apenas nos mostram um parlamento, em que a maioria de deputados parece que está a fazer figura de corpo presente. Mas não é assim. Há muito trabalho de gabinete a fazer. Cada deputado, de cada bancada, tem tarefas distribuídas, para cada sector da actividade do governo, e que vai desde compilação de legislação, pesquisa de elementos estatísticas para sustentar projectos partidários de decretos-lei, até ao estudo das propostas dos outros grupos parlamentares. etc.
Não queiram matar um dos pilares importantes da democracia.
Alexandre de Castro
2016 06 28

segunda-feira, 26 de junho de 2017

FEDERAÇÃO NACIONAL DOS MÉDICOS - COMUNICADO


FEDERAÇÃO NACIONAL DOS MÉDICOS - COMUNICADO

O crescimento acelerado do número de médicos indiferenciados é um atentado às Carreiras Médicas e ao SNS !!!

Foi concluído há cerca de uma semana mais um concurso de acesso ao Internato Médico destinado à formação de novos médicos especialistas.

Nos concursos realizados em 2015, 2016 e 2017 foram criados 781 médicos sem acesso à formação em qualquer especialidade médica, criando-se um universo já volumoso de médicos designados como indiferenciados.

Consideramos que esta situação não é fruto do acaso e revela uma clara opção política ministerial que visa facilitar a contratação das empresas de cedência de mão-de-obra com profissionais médicos indiferenciados.

Por outro lado, a criação de um numeroso grupo de médicos indiferenciados tem repercussões muito preocupantes na qualidade da prestação de cuidados de saúde nos seus vários níveis, que devem suscitar profundas apreensões à generalidade dos cidadãos.

Consideramos que é urgente estancar o aumento deste número de médicos e exigir a abertura de concursos para a última categoria da Carreira Médica (assistente graduado sénior) cujos objectivos visam colmatar as saídas de médicos desta categoria nos últimos anos e repor as capacidades e idoneidades formativas dos serviços de saúde.

Há mais de 1 ano que nas negociações sindicais temos vindo a insistir tenazmente para que o Ministério da Saúde proceda à implementação urgente destes concursos da Carreira Médica para regularizar uma situação que é cada vez mais grave na qualidade de funcionamento dos serviços de saúde e da prestação dos cuidados aos cidadãos.

O Ministério da Saúde tem adiado sucessivamente qualquer medida nesta delicada área, muitas vezes argumentando com a ausência de autorizações prévias do Ministério das Finanças.

Com este frágil posicionamento político, torna-se cada vez mais evidente que o Ministério da Saúde aceita o papel de subsecretaria de estado do Ministério das Finanças e não denota qualquer preocupação pelo afundamento dramático da qualidade assistencial dos serviços públicos de saúde.

A FNAM denuncia, mais uma vez, esta grave situação e exige ao Ministério da Saúde que adopte medidas imediatas visando a sua solução.

Nas negociações em curso com as organizações sindicais médicas, veremos qual a efectiva vontade política do Ministério da Saúde face a esta e às outras situações graves em discussão.

Mais do que palavras de ocasião que se repetem há cerca de 1 ano, o ministro tem de apresentar soluções. O que temos vindo a assistir é a mera retórica.

A FNAM defende o desenvolvimento de um plano de emergência, com a finalidade de garantir que todos os médicos têm acesso à especialidade e de que o país não desperdiça o valor já criado e o investimento já realizados, do qual fazem parte as seguintes medidas:

Criar novas vagas para as especialidades mais carenciadas, onde se inclui a MGF e a Saúde Pública;

Valorizar os médicos com função de orientador de formação através de suplemento remuneratório;

Dar prioridade às regiões mais carenciadas investindo na criação de condições estruturais e de equipamentos indispensáveis à garantia de idoneidade de formação;
Dar seguimento, com carácter emergente, aos concursos de graduação das carreiras médicas, alargando a base da idoneidade formativa;

Disponibilizar de imediato as vagas ocupadas por médicos reformados aos novos especialistas.

A longo prazo é também fundamental avaliar a problemática da formação pré-graduada e pós-graduada e do acesso à especialidade de forma independente e idónea, onde se inclui, entre outras:

A avaliação e o planeamento das necessidades de médicos especialistas no Serviço Nacional de Saúde;

A avaliação da capacidade formativa no Serviço Nacional de Saúde em todas as áreas de especialidade;

A avaliação e o planeamento do número de médicos licenciados em universidades fora do país.

Coimbra, 25 de Junho de 2017

O Conselho Nacional da FNAM
2017 06 26

domingo, 25 de junho de 2017

Ode às vítimas dos incêndios…


Ode às vítimas dos incêndios…

Guardarei um punhado daquela terra queimada
num lugar sagrado da minha memória dorida
onde se ouvem os gritos incendiados pelo fogo
e os ecos do estertor da morte.
E as cinzas das árvores e das vidas perdidas
naquele incêndio que não tinha fim
ficarão para sempre sepultadas
no coração do meu jardim...

Alexandre de Castro

Junho de 2017

Nota: o meu contributo para a página do movimento “um activismo por dia”.
2017 06 25

sexta-feira, 23 de junho de 2017

A culpa já vem de longe…


A culpa já vem de longe…

Em relação a estes trágicos incêndios, que enlutaram o país, pode ter havido, pontualmente, culpados institucionais e singulares, por negligência, desleixo, descuido ou incompetência. Mas a grande culpa tem de ser encontrada a montante. E essa grande culpa é política e tem de ser encontrada em todos os governos anteriores, que menosprezaram a defesa da floresta e que tomaram opções erradas (e algumas a levantarem muitas suspeitas de favorecimento pessoal), em relação à prevenção e ao combate dos incêndios florestais e em relação à elaboração de um plano nacional, integrado e coerente, da gestão da floresta.
Pior do que a anarquia do ordenamento das florestas, só a tragédia endémica dos seus incêndios. E é por aqui que o problema tem de ser equacionado. Caso contrário, tudo se vai repetir, ciclicamente, todos os anos, com mais ou menos tragédias.
Alexandre de Castro
2017 06 22

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Já não posso... Poema de Sónia M


Já não posso...

Já não posso esconder-me no escuro
como quando era menina.
Envolveu-me a cor que me deste,
no dia em que nossos poemas se fundiram.
Agora, mesmo de olhos fechados
trago esse azul profundo, agarrado à retina.
E nem as palavras que sussurrava ao vento,
já caem desamparadas no vazio.
Sei que as ouves quando as corriges
e me obrigas a reescrevê-las,
fazendo-as, tanto tuas como minhas.
Foram muitos, tantos...
os nomes que me ensinaste!
Com eles derrubei algumas pedras deste muro
Fascinada pela grandeza que me inventaste.
Não! Já nada será como dantes.
Porque agora a minha noite...não é mais escura.

(Terá sempre o brilho azul da tua luz)

Sónia M.

**
Nota: O intimismo é a principal linha de força da poesia de Sónia M. Um intimismo emotivamente doloroso e triste, que percorre os trilhos da saudade, dos amores impossíveis e de toda uma galeria de partidas e chegadas, sempre marcadas por um dramatismo intenso e comovente. E o poema, onde melhor se enlaçam a saudade e a tristeza, é o que se intitula "Despedidas", que a "poeta" escreveu em "Notas do meu diário".
Neste poema, "Já não posso", escrito em 2012, em que a "poeta" se socorre de um diálogo com um hipotético interlocutor, que lhe apontou a luz do caminho e a grandeza do talento, a melodia triste não a abandona, embora das palavras se solte um grito contido de afirmação e de redenção, "Porque agora a minha noite...não é mais escura".
Já nada será como dantes, principalmente aquele fulgor do primeiro instante.
2017 06 22

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Arte na praia _ de Milú Cardoso


Um ramo de uma árvore devolvido pelo mar à sua origem, para ser captado, de forma magistral, pela objectiva certeira da Milú Cardoso, de quem, aqui, já publiquei três fotografias de elevada qualidade técnica e artística. Aqui, em a "Arte na praia", vale o sentido de oportunidade e, a confundir o observador, o efeito do enquadramento da imagem, que leva a pensar tratar-se de uma obra de escultura.
Alexandre de Castro
2017 06 21

domingo, 18 de junho de 2017

O fogo do nosso descontentamento e da nossa revolta



O fogo do nosso descontentamento e da nossa revolta…

Ainda estou sob o efeito do espanto sentido e da dor sofrida. Como é possível acontecer uma tragédia desta dimensão, que deixa o país suspenso na dúvida se Portugal não é já a imagem do inferno, quando todos andaram a apregoar que o nosso destino era o céu? E digo isto, porque esta calamidade, além das causas estratégicas erradas, que estão a ser seguidas, em relação à prevenção e ao combate aos incêndios na floresta portuguesa, também entronca na esfera da acção política de todos os governos anteriores, que consideraram desde sempre o interior rural como as portas do quintal das traseiras do país. Perante o desgaste etário da desertificação humana do interior, que se iniciou na década de sessenta, do século passado, e que prosseguiu até à actualidade, devido à falta de oportunidades para os jovens, os sucessivos governos privilegiaram a cidade e ignoraram o campo, valorizaram o litoral e esqueceram-se do interior. E no interior, perante o esgotamento da agricultura do minifúndio, o mato foi crescendo, constituindo-se num barril de pólvora, que incendeia a floresta todos os anos, no pico do Verão, alarmando as populações indefesas. E as chamas tanto podem ser provocadas por um raio, vindo do céu, como por uma ponta de cigarro mal apagada ou por um fósforo, activado por uma mão criminosa.
O actual governo, ao mesmo tempo que deve dar prioridade à prevenção dos incêndios florestais, que praticamente não existe, e não ignorando, todavia, o reforço dos respectivos meios para o seu combate, deve também desenhar e activar o desenvolvimento económico do interior rural do país, promovendo a fixação dos jovens e invertendo assim o ciclo da desertificação humana.
Alexandre de Castro

Ver também aqui
2017 06 18

domingo, 11 de junho de 2017

Guarda Costeira Europeia: um novo passo no ataque à soberania


A constituição da Guarda Costeira Europeia, mesmo admitindo que aqui e ali serão burilados alguns «bicos» para amenizar as criticas, constituirá um passo que entrará, mais cedo do que tarde, pela plataforma continental portuguesa.
***«»***

Eu já escrevi por aqui que Angela Merkel tem um olho apontado para Zona Exclusiva Económica (ZEE), de Portugal, a mais extensa do mundo e que possui uma riqueza de recursos naturais, que Portugal, por desleixo, incompetência ou inércia, não quer, não pode ou não sabe explorar. Minérios e petróleo jazem esquecidos no fundo do oceano, e, além disto, a importância estratégica, que a ZEE nacional potencialmente possui, é de valorizar. Alguém dizia, há dias, que, se Portugal explorasse a sua ZEE, poderia ser um dos países mais ricos do mundo. Mas os nossos governantes andaram (e ainda andam) deslumbrados com o canto de sereia da Europa Unida, e vão, em Bruxelas, assinando tudo que vai hipotecar a nossa soberania, no futuro próximo, assumindo  aquela "parola" postura de que Portugal tem de ser o melhor aluno da Europa.
Eu lancei aqui um aviso, em relação ao perigo de Portugal perder a soberania sobre a sua ZEE, quando Angela Merkel, há uns meses, afirmou que a gestão dos mares dos países europeus deveria ser centralizada na Comissão Europeia. E os políticos do nosso descontentamento e os comentadores dos jornais e das televisões calaram-se, numa manobra suja de submissão ao que diz a czarina da Europa, Angela Merkel, para quem a UE é o instrumento fundamental para sustentar o poderio económico e político da Alemanha.
A criação de uma Guarda Costeira Europeia é o primeiro passo na estratégia de retirar a Portugal a gestão sobre o seu mar.
A tentação federalista está a caminho, por etapas cautelosas, para não levantar alarmes. Mas o saque vai continuar.
Alexandre de Castro

2017 06 11

terça-feira, 6 de junho de 2017

Porque é difícil unir a Europa?


Porque é difícil unir a Europa?

Historicamente e sociologicamente, a Europa é diferente dos EUA. A Europa passou pela "idade imperial" de Roma, pela fase senhorial da Idade Média, pela Revolução burguesa francesa, pela fase da industrialização inglesa e, transversalmente, pelo colonialismo de Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Bélgica. A História dos EUA é recente, e começa com a emigração massiva dos europeus mais pobres e com a matança dos índios, dos quais só restam alguns, nas reservas, para exibir aos turistas, Quando declarou a sua independência, já havia um sentimento nacional muito forte, que unia os descendentes imigrados, que, rapidamente, esqueceram a sua origem europeia.

As várias guerras entre os vários países da Europa, desde a Idade Média, criaram um sentimento nacional em cada povo, que ainda se mantém muito forte. E, actualmente, esse sentimento nacionalista está a emergir novamente, porque a UE e o Eurogrupo não são mais do que um sofisticado processo para que a Alemanha domine economicamente, por meios pacíficos, os outros países. Agora, e depois da sonegação da soberania monetária, cambial e financeira, a Alemanha já está a querer retirar, aos governos dos outros países, a sua soberania orçamental. Perante estes garrotes, a tendência dos povos irá ser centrífuga e não centrípta, como os europeístas gostariam. A Europa é um continente de nacionalidades, que nem Napoleão nem Hitler conseguiram dominar pelas armas.Tentar criar uma Europa Federal é uma verdadeira aberração, que a memória histórica sempre rejeitou e continuará a rejeitar.
Alexandre de Castro
2017 06 06

sábado, 3 de junho de 2017

PRÉMIO LITERÁRIO GLÓRIA DE SANT’ANNA – 2017 _ Referência ao livro “ A Casa de ler no escuro” de Maria Azenha


PRÉMIO LITERÁRIO GLÓRIA DE SANT’ANNA – 2017

(obra finalista)

Referência ao livro “ A Casa de ler no escuro” de Maria Azenha
Por João Guisan – Professor – Galiza

Como já sabem aqueles que assistiram à anterior entrega dos prémios Glória de Sant’Anna, na hora de determinar os poemas que vou ler, o meu primeiro critério de escolha é sempre o mesmo: de todos o mais curto (neste caso, os mais curtos). Não é apenas por preguiça. É que eu acho que toda a poesia, ou pelo menos a boa poesia, tem qualquer coisa de “podasia”, que, segundo constará dos dicionários de um futuro não muito longínquo, é a «arte mista de “poda” e “poesia” que consiste em podar um discurso até o deixar reduzido a uma parte tão essencial que não pode ser compreendido da primeira vez». Porque a “podasia”, com efeito, espreme todo o sumo poético de um texto, mas a custo de o deixar desprovido de sentido. Pelo menos de “sentido ao primeiro olhar”. Tomemos, por exemplo, um sisudo tratado sobre a pesca do bacalhau na Terra Nova de 500 páginas. Comecemos por “podar”, como quem não quer a coisa, 499 delas, e, não nos conformando com isso, dessa única página restante deixemos apenas umas poucas linhas, e mesmo a essas poucas linhas vamos podar-lhes a maior parte do seu comprimento, até obtermos qualquer coisa como: «No beliche o músculo O peixe no porão Os sonhos a bordo Esticam-se aos quilómetros Perdão: às milhas náuticas». Teremos conseguido que aquele longo estudo, por podas sucessivas, destile, no extremo das linhas decepadas, uma poucas gotas de seiva com algum cheiro de poesia, quer dizer de “podasia”. Talvez não vamos tirar daí muitos dados sobre a pescaria do bacalhau na Terra Nova, mas compreenderemos por fim o verdadeiro sentido e funcionamento da “Podasia”. A “podasia” exige do leitor o que a poda exige do Sol, da terra, a chuva e as sazões: que reconstrua toda a ramada antes cortada. Com o senão de ela já não poder ser mais igual à original, mas talvez muito mais viçosa. É isso que vos peço que façam com estes dois brevíssimos poemas da Maria Azenha que vou ler. Se quando eu tiver pronunciado a última das sílabas do último dos versos, vocês acharem que chegou o ponto final, que o poema já acabou… Se não perceberem nesta reverberação de capela uma convite às reticências… É um sintoma de que, ou eu li pessimamente, ou vocês padecem da maior e pior das surdezes, que é a incapacidade para ouvir o silêncio. Consultem urgentemente os vossos otorrinolaringolocardiologistas, que nos dicionários do futuro serão os «especialistas nas ressonâncias que os sons emitidos pela garganta e percebidos pelos ouvidos, produzem nas ondas que registam os electrocardiogramas».

POEMAS DE MARIA AZENHA: “AVISO” E “A LOUCURA”

Aviso

A vida pode ser uma mulher atravessando a rua
A mulher pode ser uma criança com uma flor de cinzas na boca
A flor pode ser um homem enforcado na lua


A loucura

! A loucura parece-se com Deus.
Não a temas.
Verás que é boa e não arruína a garganta
como a voz humana!

In No Tempo dos Espelhos

***«»***
O meu comentário:

Aprendi muito, ao ler o texto do Professor João Guisan. E, agora, também eu posso dizer: é através da “podasia” (um seu inédito e original conceito) que os grandes poetas escrevem grandes poemas. É o caso dos poemas “Aviso” e “A loucura”, da “poeta” Maria Azenha.
E, nestes dois poemas (permita-se-me este meu acervo crítico), Maria Azenha evidencia toda a sua enorme capacidade em proceder à “síntese poética da Ideia”.
Alexandre de Castro
2017 06 03

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Armando Silva Carvalho (poeta) _ 28 MAR 1938 _ 01 JUN 2017

Imagem retirada do blogue “Voar fora da asa”

Mais um poeta da nossa modernidade, que nos deixa órfãos...
AC
2017 06 01

O que é que falta para federar a Europa?

 

Comissão sugere que cargo de presidente
do Eurogrupo passe a ser permanente

A Comissão Europeia sugeriu esta quarta-feira quer institucionalizar o Eurogrupo e sugere a criação de um posto de presidente em permanência, ao contrário da rotatividade atual decidida pelos ministros, que, a partir de 2019, podia também assumir no futuro a liderança de uma espécie de Ministério das Finanças da zona euro.
Na documento publicado hoje com a reflexão sobre o aprofundamento da União Económica e Monetária até 2025, a Comissão sugere dar poder de decisão ao Eurogrupo, atualmente um grupo informal, o que, por sua vez, “justificaria a nomeação de um presidente a tempo inteiro”.
No longo prazo, com o alargamento da zona euro – que a Comissão também defende que deve continuar a acontecer até chegar a todos os membros da UE – o Eurogrupo poderia passar a ter a mesma configuração que o Conselho da União Europeia, onde normalmente são ratificadas as decisões acordadas pelo Eurogrupo.
A sugestão para as mudanças no Eurogrupo não se ficam por aqui. A Comissão defende uma ideia, já antiga, de vir a ser criado uma espécie de Ministério das Finanças da zona euro, para melhor integrar também na vertente orçamental os países do euro. Esse Ministério poderia passar a assumir um papel atualmente assumido pela Comissão Europeia, o da supervisão orçamental e a gestão da estabilidade macroeconómica na zona euro.
***

O que é que falta para federar a Europa?

O que é que falta para federar a Europa, perdendo, os respectivos países, a sua soberania, que passava para Berlim, por mediação de Bruxelas?
A Alemanha elevou-se a grande potência económica - através dos vários mecanismos de troca desigual, facilitados pelas instituições europeias, que lhe obedecem inteiramente - à custa dos restantes países europeus, principalmente os do sul. E, agora, pretende avançar em força, com uma política de mais inclusão - um eufemismo que transporta ocultamente uma ideia federalista - a fim de poder competir com o mundo anglo-saxónico, liderado pelos EUA.. Tal como aconteceu até ao momento, a factura deste ambicioso projecto será paga por todos os países da UE, mas os lucros, na sua maior parte, ficarão em Berlim.
Alexandre de Castro
2017 06 01

domingo, 28 de maio de 2017

Morreu o grande jornalista Miguel Urbano Rodrigues



Morreu o grande jornalista Miguel Urbano Rodrigues

Morreu um grande jornalista. Foi através da sua mão que eu me iniciei no jornalismo, escrevendo artigos de opinião para o jornal "o diário", de que foi director.
Era um homem bondoso. Desde a juventude até à sua morte, Miguel Urbano Rodrigues pautou a sua vida pela coerência com ideal comunista.

Era irmão do escritor Urbano Tavares Rodrigues, também já falecido. Miguel Urbano Rodrigues era licenciado em Ciências Históricas e Filosóficas e, perseguido pelo regime salazarista, viveu exilado, durante muitos anos, e até 25 de Abril de 1974, no Brasil, onde exerceu a profissão de jornalista. Foi ele que fez a reportagem do assalto ao paquete S. Maria, tendo entrevistado Henrique Galvão.
Alexandre de Castro

2017 05 28 

quinta-feira, 25 de maio de 2017

LA PALAVRA ES LA ESPADA DEL ESPÍRITO _ Itsmania Platero


Minha querida amiga Itsmania Platero:

LA PALAVRA ES LA ESPADA DEL ESPÍRITO é um texto de antologia. Escrevê-lo nas Honduras não é o mesmo que escrevê-lo em Portugal ou em qualquer outro país da Europa. Nas Honduras, é um risco, que pode ter consequências trágicas, incluindo a morte. Na Europa, seria um texto de opinião brilhante, de quem se preocupa pelos Direitos Humanos, pela Democracia e pela Liberdade, e que seria elogiado por todos os verdadeiros democratas, que fazem da cidadania um valor supremo.
Agradeço-te, minha querida amiga, a amabilidade de me teres citado, na parte final  do primeiro editorial da tua nova revista, com uma frase minha, da qual já não me recordava. Desejo que através da palavra escrita, que tu sabes habilmente manejar, na tua língua, consigas recrutar militantes e apoiantes para as tuas elevadas e nobres causas, pelas quais tens lutado com muita coragem e determinação, e enfrentando enormes perigos.

Alexandre de Castro 

***«»***

“La palabra es la espada del espíritu”
Itsmania Platero
Mujeres&Negocios

Hoy somos los periodistas actores de un drama a diario vivido, hondureños en una cloaca de terror, intimidación, impunidad y corrupción donde la ley del más fuerte está por encima de la justicia, donde los valores morales se han sustituido por el amor al dinero.

Visto desde otro ángulo, está es la escena, es la mina de imágenes y cuentos que sostienen la producción gráfica y literaria de lo increíble, lo que asusta y lo sangriento, sirven con una óptica distinta en el análisis de la importancia de la violencia y la muerte, en el manejo del Estado Moderno Humanista y en la psicología social de un pueblo al borde de la rebelión y la miseria.

La violencia en Honduras es una cruda realidad, normal en un estado de alerta que no es la excepción sino la regla, donde todos contamos los muertos haciéndonos actores en el gran escenario de la vida, provocando el miedo y narrando con insistencia capítulos de una novela de la vida real que pretende mostrarnos seguridad y orden en nuestra sociedad.

La legitimación del uso de la fuerza como un medio de resolución de conflictos la convierte en un comportamiento social aceptable, en ausencia de la capacidad de mantener el orden social en el país, "en respuesta se castiga el principio bíblico de libertad"

“El amarillismo y la nota roja” son la mejor arma del gobierno, que fabrica simulacros de justicia e integridad institucional, normalizando la violencia social y el fenómeno de seguridad. siendo la mujer y los niños los más vulnerables.

Graficando la muerte en la sección de cierre, se escoge la mejor imagen generando parámetros que deben de cumplirse analizando con los editores gráficos el mejor escenario del crimen, la mejor fotografía, el color, el vocabulario, el titular que tome acciones al momento de redactar la portada cuando la dimensión del hecho lo amerite. ¿ACASO NO ES ESTO TERRORISMO?

El amarillismo y el morbo al estilo de la propaganda rusa, una forma de coerción social y a la vez una forma de producción cultural es decir de “arte”. Donde los medios de comunicación se convierten en un teatro, una falacia, que confunde al lector, al grado que por un momento no va a diferenciar entre la ficción y la realidad.

*ESTO ME TRAE EL RECUERDO la banda de rock Pussy Riot, sus integrantes permanecieron en prisión en Rusia; María Alyokhina privada de libertad a mil kilómetros lejos de su hogar e Ivadezhda Tolokonnikova presa en un hospital prisión. Ambas detenidas en el 2012 por el delito de "vandalismo motivado por odio" después de haber protestado frente la catedral de Moscú.

La represión y el miedo son elementos claves en la elaboración gráfica de un estado capaz de mantener la soberanía y garantizar la seguridad social, “en una Honduras donde muchas veces la realidad es el resultado de la mentira, el juego, el negocio,” que adquiere más profundidad y afecto en nuestras vidas.

“Woodrow Wilson se declaró así mismo como el representante personal de la gente. "Nadie más que el presidente". En 1917, proclamó la entrada de Estados Unidos en la 1ra Guerra Mundial, una cruzada para hacer el mundo "un lugar seguro para la democracia". Después de la elección, Wilson concluyó que América no podría seguir siendo neutral en la guerra mundial. En abril 1917, él le pidió al congreso una declaración de guerra en Alemania. Wilson se presentó ante el Congreso para anunciar los blancos americanos."

El producto final será la participación del lector, en las "Redes Sociales " que sin ser actor se volverá autodidacta, al dar su veredicto suplirá las carencias estatales, certificará las mentiras que se volverán verdades, aceptando lo incorrecto como correcto, validando la irresponsabilidad, hará suya la noticias sin pensarlo, sintiendo sensaciones de compasión y miedo.
Al final de la obra, el lector ya no será el mismo, nacerá en él, elementos de juicio que le ayudarán a tomar una decisión crítica, definida, orientada y correcta, listo para multiplicar con otros su verdad cada vez más desfigurada, carentes de veracidad y conformándose con la simpleza de la información.

"El periodismo es la ventana del mundo, por donde se puede ver lo importante que pasa, más allá de las paredes y los muros y que muchos quieren ocultar... Alexandre de Castro"

Itsmania Platero

In Mujeres&Negocios


***«»***

Ponho à consideração dos editores de Abril de Novo Magazine a cooptação do blogue Xibalba Arte e Cultura. da jornalista hondurenha Itsmania Platero.
2017 05 25

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Incandescências _ Fotografia de Milú Cardoso (**)

Incandescências _ Fotografia de Milú Cardoso

Incandescências _ Fotografia de Milú Cardoso (**)

Nesta fotografia de Milú Cardoso está tudo: luz, cor, contraste e forma, e, acima de tudo, a enorme capacidade da autora de descobrir a oportunidade para captar a beleza, que a Natureza oferece. Há algo de mágico, nesta fotografia, que nos encanta. E dela escorre uma serenidade, que nos seduz. Repare o leitor como os mastros das embarcações, batidos pela luz rasante do Sol poente, ganham outra majestade e beleza. E, a marcar o horizonte, a luz do fogo a incendiar os nossos olhos.
Alexandre de Castro
2017 05 18
 (**) Título do editor

quarta-feira, 17 de maio de 2017

O livro "A CASA DE LER NO ESCURO" de Maria Azenha. [Para quem quiser comprar]


Para quem queira adquirir exemplar do livro "A CASA DE LER NO ESCURO" / (2ª Edição,) 2017 [Finalista do Prémio Internacional de Poesia Glória de Sant' Anna 2017]
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Efectuar o pedido através do email:

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O Anjo do desastre

Chegou a morte com a boca cheia de cravos.
Chegou numa certa manhã escura
com sirenes no deserto e
cavalos

contra a primavera
contra a chuva

sem que o sangue de deus existisse num milagre
ou num mícron de segundo.

Vi o anjo do desastre colocar os pés no mundo.

Maria Azenha.

In A CASA DE LER NO ESCURO
2017 05 17

terça-feira, 16 de maio de 2017

Merkel e Macron dispostos a alterar tratados europeus...


Merkel e Macron dispostos a alterar tratados europeus
Os dois defenderam ainda um "novo dinamismo"
 na relação franco-alemã, com Merkel a anunciar a
realização a curto prazo de um "conselho de ministros
franco-alemão para apresentar projetos bilaterais
suscetíveis de dar uma nova dinâmica
aos nossos trabalhos".


Agora, os dois colossos da Europa até já falam na criação de um Conselho de Ministros franco-alemão, para melhor imporem a sua vontade e promoverem a defesa dos seus interesses, na UE. Depois, no domesticado Conselho Europeu, os outros países, também com governos domesticados, através dos dois partidos da "alternância democrática", assinam de cruz. E é esta a democracia europeia, em que até o Parlamento Europeu, eleito directamente pelos cidadão, não tem voto na matéria.
Alexandre de Castro
2010 05 16