domingo, 25 de janeiro de 2015

Syriza ganhou as eleições e pode chegar à maioria absoluta. Neonazis prestes a assumir-se como 3.ª força


A coligação da Esquerda Radical (Syriza), que esteve sempre à frente das sondagens, é a vencedora das eleições de hoje. O Aurora Dourada (extrema-direita) está em terceiro lugar quando estão 52,59% dos votos apurados.

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A agressiva política de austeridade, concebida pela Alemanha e servilmente executada pela UE, sofreu uma clamorosa derrota. E logo, pela via eleitoral, o que não deixa margem de manobra aos austeritários do costume, que já não podem diabolizar quem não se perfila, em rigoroso respeitinho, perante o seu totalitário pensamento único. É certo que nós ainda não sabemos se Alexis Tsipras será capaz de manter a firmeza necessária para, sem tibiezas e manobrismos, dar a cara pelos desafios que as suas promessas eleitorais exigem, e que são difíceis. O povo grego vai querer resultados palpáveis, ao nível das questões centrais, a renegociação da dívida e o fim da penosa austeridade, uma austeridade selvagem e humilhante, que levou ao enriquecimento dos mais ricos e ao empobrecimento dos segmentos populacionais mais vulneráveis, incluindo as classes médias, que já vivem no limiar da pobreza. A fome, na Grécia, não é uma metáfora. É uma realidade brutal, em expansão. Os jornais já noticiaram os casos de mulheres grávidas sub-alimentadas e crianças que vão em jejum para a escola.
O fracasso ou o êxito de Alexis Tsipiras será também o fracasso ou o êxito daquela parte da Europa que está a lutar contra as políticas da austeridade, o que quer dizer que o futuro primeiro-ministro grego tem uma dupla responsabilidade. Perante o povo grego, que o elegeu, e perante os europeus da verdadeira esquerda (sem rebuços, excluo da definição de esquerda o PS e todos os partidos filiados na Internacional Socialista, pela simples razão de que fazem parte do problema e não da sua solução), que nele depositaram muitas expectativas.

Selecção de rugby de montalegre



Lembram-se? Pois foi, a partir desta rábula, que inundou com sucesso as redes sociais, que Montalegre ficou no mapa da nossa memória coletiva. E hoje já se encontra na rota turística do FUMEIRO, uma riqueza gastronómica ancestral, que se revigora, combinando habilmente a tradição com a modernidade.
Ver aqui

Freira vai a hospital com dores e descobre que está grávida [em Itália]


O jornal italiano Il Messagero revelou que uma freira do convento de San Severino Marche, em Itália, foi ao hospital com dores de barriga, mas acabou por descobrir que estava grávida de um menino.

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O Papa, num daqueles gestos imprevisíveis, a alardear modernidade, com que gosta de surpreender o mundo, já ordenou a distribuição da pílula do dia seguinte, em todos os conventos de freiras, para evitar que as religiosas reproduzam como coelhas.

sábado, 24 de janeiro de 2015

"Comendo" - Ti Henrique Capelas com gente da Terra | XXIV Feira do Fumei em Montalegre...



Está a decorrer, neste fim de semana, a XXIV edição da Feira do Fumeiro, em Montalegre, em que se recria a arte milenar de trabalhar e conservar a carne de porco, uma forma criativa, desenvolvida pelas populações rurais, ao longo dos séculos, a fim de assegurar a subsistência durante um ano inteiro. Não é por acaso que a matança do porco obedecia também ao ritual da festa profana. 

NOTÍCIAS OBSCENAS (1)


Estudo: Colégios dão 'ajuda' na hora de ingressar na faculdade
Há colégios que, por ‘regra’, inflacionam sistematicamente as notas dos alunos, para facilitar o acesso aos cursos superiores. E é precisamente nos cursos com médias de entrada mais altas que tal se nota. Segundo um estudo de investigadores da Universidade do Porto, o fenómeno pode permitir um salto de até 90% nas listas de ingresso em cursos particularmente exigentes, como Medicina.

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Caso BES/GES: CMVM negou documentos à Comissão de Inquérito
Escreve este sábado o Expresso que a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários recusou entregar à Comissão Parlamentar de Inquérito documentos sobre a transação de ações do BES na última semana antes da resolução do banco.
Segundo o ofício a que o Expresso teve acesso, o regulador português invocou, neste sentido, todos os segredos (profissional, bancário e de justiça) para fazer valer a sua posição perante os deputados que investigam o caso BES/GES.

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ISS: Mulher de deputado 'escapa' a lista de requalificação
Elza Andrade, mulher de um deputado da Assembleia da República, constava da lista de requalificação do Instituto da Segurança Social. Em Bragança serão 151 pessoas a mudar de regime. Mas, pelo menos por enquanto, esta funcionária evita a requalificação.
O nome de Elza Andrade fazia parte da lista de funcionários do Instituto da Segurança Social (ISS) cujo posto de trabalho, em Bragança, ia ser extinto. Mas na lista final o seu nome deixou de constar. A mulher do deputado socialista Mota Andrade foi entretanto escolhida para um cargo de chefia, revela o Jornal de Notícias.

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Por cinco cêntimos, este salário foi penhorado
Um empresário de Paços de Ferreira dirigiu-se às Finanças para pagar o seu imposto de selo do carro, mas quando lá chegou descobriu que o salário da sua mulher tinha sido penhorado por uma dívida de cinco cêntimos, em virtude dos juros por atraso no pagamento do selo de um outro carro.
“Por cinco cêntimos penhoraram o salário da minha mulher! Ainda estive para perguntar se poderia pagar os cinco cêntimos em prestações”, diz Augusto Gonçalves, de 46 anos, num tom de ironia ao Jornal de Notícias.
“Disseram-me que o sistema eletrónico é cego e que, por haver juros, foi emitida uma penhora imediata sobre o salário da minha mulher”, conta.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

FMI: Excessiva desigualdade de rendimentos trava crescimento


A excessiva desigualdade de rendimentos, refletida num dado recente de que 80 pessoas mais ricas do mundo controlam metade da riqueza global, é um obstáculo para o crescimento sustentável, afirmaram hoje economistas e ativistas de prestígio internacional em Davos.
"A excessiva desigualdade não propicia crescimento sustentável", declarou hoje a diretora gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, num debate sobre a concentração da riqueza no Fórum Mundial de Davos (WEF), que decorre em Davos na Suíça.

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Esta mulher está sempre a dar uma no cravo, outra na ferradura. Desta vez, acertou. Deu no cravo. E bem. Na realidade, e ao contrário do que pensam as nossas luminárias indígenas e os mais empedernidos economistas neoliberais, as políticas redistributivas induzem o crescimento económico. E é fácil perceber porquê. Estimulam o consumo, o que se reflete positivamente no aumento do investimento e do emprego, que por sua vez também vão puxar pelo consumo, constituindo-se assim uma triangulação de fatores favoráveis, que, conjugados, vão aumentar a riqueza (PIB).
É evidente que esta equação não tem uma progressão infinita. Tem um limite, o limite imposto pela equidade e pela razoabilidade dos objetivos das políticas económicas, uma coisa a que, em Portugal, já não estamos habituados.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Os campos nazis: nunca vimos nada assim - ANTÓNIO ARAÚJO - PÚBLICO

O cameraman sargento Mike Lewis, da Unidade de Cinema
e Fotografia do Exército Britânico, filmando em Bergen-
BelsenIMPERIAL WAR MUSEUM (IWM FLM 1232)

Os campos nazis: nunca vimos nada assim

German Concentrations Camps Factual Survey é um documentário feito a partir do material filmado pelos Aliados quando libertavam os campos de extermínio. Com supervisão de Hitchcock, pretendia ser "uma lição para a Humanidade". Durante anos, o filme esteve esquecido, tendo agora sido recuperado na sua versão integral.

Nunca os meus olhos viram nada assim. E já estive em muitos campos de concentração pela Europa fora; vi demasiados filmes sobre as atrocidades nazis, tantos milhares de fotografias. Nada se compara a este filme.
German Concentrations Camps Factual Survey - que passa quarta-feira, às 22h, na Culturgest e quinta-feira, às 19h45, no Cinema Ideal, em Lisboa, no âmbito do festival DocLisboa - é um documentário feito a partir do material filmado pelos exércitos britânicos, americanos e soviéticos quando libertavam os campos de extermínio. Resultando de uma encomenda feita em Abril de 1945 pelo Comando Supremo das Forças Aliadas, foi concebido primordialmente como uma vindicta pedagógica.
No âmbito de um vasto programa de desnazificação da Alemanha, este seria o "filme oficial" que os vencedores iriam mostrar aos que haviam apoiado Hitler. Os seus primeiros minutos, aliás, assemelham-se a uma obra de propaganda feita por Leni Riefenstahl, exibindo a águia esmagadora e multidões na aclamação do seu Führer. German Concentrations Camps é um exercício de represália ou castigo e, sobretudo, um libelo acusatório – não por acaso, as imagens que contém seriam usadas como meio de prova em alguns julgamentos do pós-guerra. A acusação, no entanto, dirige-se não apenas à elite do III Reich mas a um povo inteiro e até, num certo sentido, à Weltanschauung (visão do mundo) germânica. É sintomático que, antes de se revelar o horror dos campos de extermínio, se mostrem paisagens idílicas dos lugares situados nas suas imediações.

Sidney Bernstein (à esquerda), o produtor do filme, no
Norte de África em 1943. À direita, major Hugh Stewart,
 comandante das Unidades de Cinema e Fotografia do Exército
Britânico, que ordenou a cobertura completa da libertação
de Bergen-Belsen IMPERIAL WAR MUSEUM (HU 38069)

Montanhas, castelos e lagos, trajes campestres tradicionais. Depois, surge o cheiro. Era impossível, diz-se, que aquelas raparigas louras, que em Bergen-Belsen brincavam em prados verdejantes, ou que aqueles casais que namoriscavam nas margens de Ebensee não sentissem o odor que vinha das chaminés dos fornos crematórios. Não se pode abdicar do olfacto. Mesmo os que não quisessem ou não pudessem ver o sofrimento próximo seriam incapazes de evitar a presença do cheiro emanado a poucos quilómetros dali.
No filme, procura-se ajustar contas com uma nação derrotada e o seu povo, opção compreensível atendendo ao contexto em que a obra foi realizada. Em poucos meses, porém, o cenário mudaria, entendendo-se agora que a culpabilização de todos os alemães não seria a forma mais adequada de reconstruir o país num quadro geopolítico que entretanto também se alterara, com a Guerra Fria no horizonte e a Realpolitik a impor a reabilitação silenciosa de altos funcionários do regime nazi. A par disso, e como sublinha Night Will Fall, um documentário de André Singer que acompanha de perto a feitura deste filme (passou no Doc a 17 de Outubro), o facto de milhares de refugiados não quererem sair dos campos de morte para a Alemanha, preferindo o êxodo para a Palestina, colocava sérias dificuldades às autoridades britânicas, que deixaram de ter interesse em exibir uma obra que retrava, com inultrapassável dramatismo, os tormentos por que passaram os sobreviventes.
Impacientes com os atrasos dos ingleses, os americanos decidiram produzir em 1945 o seu próprio documentário com base em parte do material filmado:Death Mills, de Billy Wilder. Ao mesmo tempo, uma nota do Foreign Office informaria o produtor, Sidney Bernstein, que nos altos círculos militares não se via com bons olhos o aparecimento de um atrocity film. O projecto não foi concluído. As bobinas acabariam por ser arquivadas em 1952 nas prateleiras do Imperial War Museum, em Londres, onde estiveram esquecidas durante longos anos. 

Mulher assiste a enterro em Belsen, catalogada nas
filmagens como "reacção de rapariga"
IMPERIAL WAR MUSEUM (IWM FLM 1002)

Supervisão de Hitchcock 
Na preparação do filme German Concentrations Camps, a pedido de Sidney Bernstein, que produzia o filme para o Ministério da Informação britânico, Alfred Hitchcock tinha-se deslocado da América para supervisionar a montagem ou, nas palavras de Bernstein, ditas anos depois, para "juntar todas as peças". Os militares que filmaram a libertação de Bergen-Belsen diziam que Hitchcock ficara tão impressionado com as primeiras imagens que lhe mostraram que esteve uma semana sem aparecer nos estúdios de Pinewood. Sendo ou não verdadeira esta história, o papel de Hitchcock situa-se a meio caminho entre o de um realizador clássico (na verdade, não dirigiu a tomada das imagens nem sequer esteve nos campos) e o de responsável pela montagem. Terá sido, como refere a ficha técnica do filme, um "treatment adviser". Em todo o caso, há o inegável risco de, a partir de agora, esta obra passar a ser conhecida como "o documentário de Hitchcock sobre o Holocausto" e, pior ainda, em pretender ver na sua filmografia subsequente vestígios desta experiência, que decerto terá sido marcante, talvez traumática, mas ainda assim episódica e efémera. Num depoimento de 1962, Hitchcock qualificou o papel que teve como o seu "esforço de guerra", dado que a sua idade e o seu peso jamais lhe permitiriam entrar em combate.
Sendo impossível determinar a dimensão do contributo de Hitchcock – em comparação, por exemplo, com o do editor Stewart McAllister ou de Richard Crossman, o autor do script –, reconhece-se que a ele se devem muitos dos elementos que conferem a esta obra uma subtileza e uma densidade que o filme de Billy Wilder não possui. A ele pertence uma das ideias centrais deste filme, segundo a qual a generalidade dos alemães sabia o que se passava nos campos. Daí a apresentação, numa linguagem visual extremamente simples, de mapas que assinalavam a localização geográfica dos campos, na vizinhança de cidades como Munique ou Weimar.   
Se todo o filme está construído de uma forma "manipulatória", algumas passagens evidenciam mais flagrantemente os traços de uma intervenção que visava obter o máximo efeito junto do auditório. Por exemplo, quando o folhear de um álbum de fotografias familiares é entrecortado por grandes planos de cadáveres horrivelmente esfacelados; ou quando à apresentação de corpos subnutridos se sucedem imagens de mulheres nuas que tomavam o seu primeiro duche quente em muitos meses ou anos. Uma "orgia de limpeza" diz-nos o narrador. Neste passo, há alguma voluptuosidade na exposição demorada dos corpos femininos inteiramente despidos, o que para os padrões morais da época seria impensável noutros contextos ou lugares. Os campos eram, até no registo da sua memória, um território de excepção, ponto salientado por um dos operadores de câmara: "jamais poderíamos associar aquilo que víamos às nossas próprias vidas (…). Era outro mundo. Se nos envolvêssemos naquilo, teríamos enlouquecido".

Todas as oportunidades são aproveitadas
para menosprezar o inimigo derrotado,
geralmente com uma ironia onde é impossível
não adivinhar a influência de Hitchcock.

Quando se mostra detidamente o banho das mulheres, diz-se que aqueles eram os seres humanos que, segundo os nazis, tinham poucos ou nenhuns hábitos de higiene. Ao apresentar-se os guardas das SS a proceder à tarefa horrível de inumar os corpos, afirma-se que, se aquele era o escol de uma "raça superior", se tinham sido treinados para matar a sangue-frio, certamente não lhes seria difícil realizar o trabalho de enterrar os mortos. Esse sarcasmo, porventura fruto de uma incontida raiva mais do que do propósito de fazer humor, leva o narrador a dizer, perante as imagens de dezenas de idosas acamadas, que aquelas senhoras "eram consideradas uma ameaça para o Estado". Mostram-se ossadas humanas, dizendo-se que eram usadas como fertilizantes; logo de seguida, o plano de um campo de couves, acrescentando-se que provavelmente muitos alemães se alimentavam com legumes que cresciam graças aos restos mortais das suas vítimas. Não há qualquer momento de complacência nem espaço para tolerâncias.  
Todas as oportunidades são aproveitadas para menosprezar o inimigo derrotado, geralmente com uma ironia onde é impossível não adivinhar a influência de Hitchcock
Dentro da mesma lógica que os levara a produzir este filme, os Aliados traziam aos campos as autoridades locais mas também os cidadãos vulgares, que contemplam o cenário macabro com os olhos postos no chão; diz-se a dada altura que, numa medida ou noutra, todos eles eram culpados pela tragédia. A caminho de Buchenwald, muitos habitantes de Weimar iam felizes, sorrindo para a câmara. Até ao momento em que lhes é mostrada uma mesa onde se apresentavam pedaços de pele tatuada que os nazis retiravam às vítimas e as cabeças reduzidas de dois polacos capturados quando tentavam fugir.   
O filme percorre diversos campos, obedecendo a uma estrutura narrativa que, também do ponto de vista da impressão causada no espectador, se afigura extremamente eficaz e dilacerante. A sequência é dada pela sucessão dos vários campos de morte, cada qual funcionando como capítulo ou separador do relato. Após a indicação do nome do campo, assinala-se num mapa o local. As primeiras imagens mostram os mais saudáveis, que acorriam em festa à chegada das tropas. Em Dachau, a câmara acompanha o avanço dos jipes entre os sobreviventes que se afastam para abrir caminho aos seus salvadores. Só depois aparecem os corpos. Espalhados pelo chão ao acaso, tantos e tão desfigurados que a sua presença já nem impressiona os que ali se encontravam. Ou empilhados ao acaso, num aglomerado disforme. Surpreendem pela sua extrema alvura, que contrasta com as tonalidades escuras do meio envolvente, dos uniformes dos soldados e, sobretudo, dos sobreviventes. Nas valas, de uma extensão imensa, os corpos tombam sobre terra deslizante, enquanto no fundo alguém os vai arrumando, para facilitar a chegada de mais e mais cadáveres. Aos milhares.
Noutro campo, corpos carbonizados, deitados no chão. Alguns têm as cabeças levantadas, como se aguardassem algo enquanto rastejavam queimados, nos derradeiros instantes. No filme, o sangue esvaiu-se, não se vê. O narrador fala de mulheres que parecem "estátuas de mármore". Em alguns locais, os corpos empilhados encontram-se hirtos, denotando uma total rigidez, como se fossem manequins; noutras paragens, são transportados e atirados às valas como bonecos desarticulados.  
Não há uma exploração do horrível pela simples razão de que seria desnecessária. Mas existe um propósito claro de evitar eufemismos ou elipses e, pelo contrário, de expor o mal na sua radical crueza. Nenhum detalhe é poupado. Vezes sem conta, a câmara perscruta o interior dos fornos crematórios, buscando restos mortais, ossos fumegantes que as chamas não devoraram. O objectivo, insiste-se, não é voyeurista ou sequer propagandístico; tratava-se, acima de tudo, de recolher provas – e essa demanda exigia um levantamento completo, mas especialmente focado naquilo que mais se prestava a ser posto em dúvida: sacos com cabelos, ossadas em crematórios, experiências com gémeos.
Na montagem do filme, Hitchcock aconselhou a equipa a escolher planos-sequência, sem cortes, para que dessa forma a apresentação das cenas ganhasse mais credibilidade. Com efeito, a alternância rápida de vários planos induziria a desconfiança do auditório e levá-lo-ia a pensar que tudo o que via não passava de um artifício encenado: fragmentos de pele humana, cabeças trepanadas de olhar vazio, seres que vagueavam amparados pelos seus semelhantes.

Exercícios de autodefesa
À distância de tantas décadas, o filme é ainda tão impressionante que nos impede de sobre ele formularmos qualquer juízo. Dificilmente alguém ousará dizer se é "bom" ou "mau". Temos também consciência de que German Concentrations Camps procurava algo mais do que servir a culpabilização colectiva dos alemães, objectivo demasiado patente no filme de Billy Wilder. Além do projecto de tradução em várias línguas e de exibição em diversos pontos do mundo, é a esta luz que se compreende que, a dado passo, a voz do narrador enumere sincopadamente todos os povos vitimados pelo nazismo.

Mulher assiste a enterro em Belsen, catalogada
nas filmagens como "reacção de rapariga
"IMPERIAL WAR MUSEUM (IWM FLM 1002)

Num depoimento de 1984, Bernstein afirmou que, entre o mais, o filme visava ser "uma lição para a Humanidade". De facto, por muito perturbadoras que sejam as imagens dos cadáveres, o filme é também um testemunho da reconstrução e, sobretudo, da recuperação dos sobreviventes, com as mulheres a tomarem banho e a escolherem vestidos, os doentes de tifo a serem tratados, uma criança a ingerir a sopa de uma enorme tijela, serenamente e até à última gota, sem sofreguidão alguma.
Reagimos às imagens com dispositivos defensivos, procurando refúgio em explicações do conteúdo ou enquadramentos contextuais. Fixamo-nos no objecto fílmico, contamos a história da sua redescoberta e outros pormenores acessórios para evitarmos o confronto com o objecto filmado, com a realidade que nos é trazida pela visão de um crânio aberto, de onde escorre uma massa encefálica que outrora alojou pensamentos e emoções.    
Apercebemo-nos de que o filme não atribui lugar central aos judeus. Estes são tratados como vítimas, a par de católicos e protestantes, num registo "ecuménico" que por certo desagradará aos que, nos meios judaicos, defendem a absoluta singularidade do Holocausto. Esta omissão de uma referência mais explícita aos judeus poderá dever-se, novamente, ao contexto em que o filme foi produzido.
Todas as análises deste género, porém, recuam perante as imagens dos cadáveres e dos sobreviventes. Procurar analisar o filme e discorrer sobre o seu "contexto" são exercícios de autodefesa, formas elusivas de lidar com uma realidade que é insusceptível de ser representada. Ou, talvez, que se afigura como absolutamente representativa, no sentido em que convoca e torna presente o ausente, aquele que se ausentou por ter sido morto numa acção de assassínio em massa.   
Se os que presenciaram e registaram os acontecimentos ficcionavam que estavam num universo paralelo e num mundo-outro, nos nossos dias somos obrigados a ver este filme remetendo os seus protagonistas para esse lugar de ausência, onde nos surgem não já como pessoas mas como imagens, fantasmagorias. Terríveis imagens, sem dúvida, mas, parafraseando o ensaísta Didi-Hüberman, imagens apesar de tudo. Imagens apesar do tempo e do propósito com que foram feitas, imagens apesar de sermos incapazes de saber como olhar para elas hoje. Só dessa forma, como imagens apesar de tudo, seremos capazes de as encarar sem mergulharmos na vertigem da loucura.

À distância de tantas décadas, o filme é
ainda tão impressionante que nos impede
de sobre ele formularmos qualquer juízo.
Dificilmente alguém ousará dizer se
é "bom" ou "mau"

Uma versão parcial deste filme já era conhecida em 1984, numa montagem com o título Memory of the Camps. Mas só agora, com a descoberta da "sexta bobina" e o seu tratamento digital, German Concentrations Camps Factual Survey alcançará o estatuto que merece. Depois de ter sido apresentado em Fevereiro passado no Festival de Cinema de Berlim, irá fazer uma ampla digressão mundial, com escala no DocLisboa. Após várias décadas de penumbra e esquecimento, este périplo corresponde às intenções originais dos promotores do filme, cumprindo-se assim o desígnio de Sidney Bernstein e da sua equipa.   

Ex-prisioneira aplaude os Aliados a 16 de Abril de 1945
IMPERIAL WAR MUSEUM (IWM FLM 1001)

Poder-se-ia dizer que, volvidas tantas décadas, o filme acusa as marcas do tempo e a erosão dos excessos da "indústria do Holocausto". Puro engano. A força expressiva de German Concentration Camps Factual Surveypermanece intocada, mesmo que já tenhamos estado em campos de concentração ou visto milhares de imagens dos crimes do nazismo. Comparadas com estas imagens – imagens apesar de tudo – muitos dos filmes sobre a Solução Final tornam-se grotescos, quase caricatos. Nunca os nossos olhos viram nada assim.
ANTÓNIO ARAÚJO 
Historiador
PÚBLICO 22-10-2014 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Trabalha no privado? Perdeu 11%. Se for no Estado, perdeu o dobro

 

O aumento dos preços, os cortes nos salários e o aumento de impostos levaram a que o poder de compra tenha diminuído. No setor privado verifica-se que o poder de compra se fixou em menos 11,6% do que em 2011. No entanto, a Função Pública sentiu uma redução ainda maior, informa o Diário de Notícias.
Os trabalhadores do setor privado viram entre 2011 e 2014 o seu rendimento a diminuir 5,7%. Se for considerado ainda o efeito da inflação, o poder de compra baixou 11,6% quando 
á para os trabalhadores da Função Pública, a redução foi maior. “Entre 2010 e 2014, como consequência do efeito conjugado do corte das remunerações nominais, do aumento enorme de impostos e dos descontos para a ADSE, o poder de compra reduziu-se em 22,1%”, explica o estudo realizado pelo economista Eugénio Rosa, segundo o Diário de Notícias.

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E os rendimentos do capital? Aumentaram ou diminuíram? Parece-me que foi o universo do capital a pagar a crise, a ver pelo que aconteceu a Fernando Ulrich, do BPI, e a Ricardo Espírito Santo, do BES. Ulrich já é um sem-abrigo, a vaguear por Lisboa e a contar as notas de 100 euros, que ainda conseguiu trazer do banco, e Ricardo Salgado, por carência de meios, vai mudar-se para a Brandoa, onde alugou uma vivenda (dizem que, apesar da sua penúria, é luxuosa, porque tem varanda para a frente) num Bairro Social da câmara. Ambos já foram vistos na bicha da sopa dos pobres, nos Anjos.

domingo, 18 de janeiro de 2015

O NAZISMO VOLTOU: A Ucrânia que a imprensa não mostra


Trazem o ódio nas línguas de fogo, com que acendem as tochas, e masturbam-se com a visão do sangue das suas vítimas, enquanto entoam cânticos pornográficas, que glorificam a morte. As pegadas da Besta que ensanguentou a Europa, há setenta anos, não foram apagadas, e são agora pisadas pelas botas cardadas dos carregadores do medo e do pesadelo, que, em triunfo, transportam nos ombros de ferro as novas suásticas.

Agradecimento


Agradeço ao Carlos Manuel Nunes Garcia  a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua

sábado, 17 de janeiro de 2015

Anotação do Tempo: Dissertação sobre as vírgulas…


Dissertação sobre as vírgulas…

À minha amiga Maria João Correia, 
que se diverte imenso, quando eu
invento uma vírgula…

Não ligues
são apenas moscas
entre as palavras
como se fossem pestanas
a embelezar o olhar
de quem as lê.
São artifícios burlescos
para ilustrar os discursos dos políticos
às segundas feiras
quando inventam as mentiras
para entreter os jornais durante a semana
são as pausas do esquecimento
quando já não há mais nada para dizer
a não ser o que foi dito
ou, se quiseres, são os berros do Cristiano Ronaldo
quando os neurónios migram para os pés
e ele dá pontapés na gramática.
A vírgula é uma síntese do nada
e o limite do zero absoluto,
a bissetriz dos ângulos rugosos da memória,
o ponto morto do equador,
que o Gama levou para a Índia
e que por lá ficou a apodrecer
no túmulo de um jesuíta.
Mas a vírgula é muito mais do que isto.
A vírgula é, na sua profunda essência e potência,
a caganita da mosca, que aterrou no poema…

Alexandre de Castro

Lisboa, Janeiro de 2015 

Ultimato. Passos ameaça EUA com revisão do acordo das Lajes


Ou os Estados Unidos avançam com projetos que compensem o impacto económico da conversão das Lajes em mera bomba de gasolina ou Portugal avança para a revisão do acordo de utilização da estratégica base aérea açoriana. 
Se os Estados Unidos não apresentarem medidas que permitam compensar, efetivamente, o impacto económico do anunciado despedimento de 500 trabalhadores portugueses da Base das Lajes, o Governo português irá "suscitar a revisão do acordo técnico" celebrado em 1995, disse esta sexta-feira no Parlamento o primeiro-ministro.

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Passos Coelho já deu a ordem de ataque para invadir os EUA, que aqui se reproduz: : O Exército ataca por terra, a Marinha ataca por mar e a aviação ataca pelo ar...

O "gajo" esqueceu-se do submarino do Portas!...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Papa afirma que não se insulta a fé dos outros nem se mata em nome de Deus

O problema das religiões não está na fé dos crentes, que não se discute nem se condena. O problema está nos tenebrosos aparelhos (eclesiásticos e políticos) que as manipulam em interesse próprio.

"Não se pode insultar a religião dos outros. Não se pode fazer pouco da fé dos outros", declarou ontem o Papa Francisco a bordo do avião que o levava do Sri Lanka para as Filipinas, no âmbito da visita que realiza a estes dois países asiáticos, em mais um comentário ao ataque à revista Charlie Hebdo, sucedido na passada semana, no qual morreram 12 pessoas.

***«»***
A caricatura não é um crime. É a arte superior do humor. E o humor não é um insulto. E as caricaturas, focalizadas na temática das religiões, não podem ser banidas, só porque um profeta, nascido no deserto, na obscura Idade Média, decretou que não podia ser retratado em imagens. A liberdade de expressão e a liberdade de imprensa, que custaram muito a conquistar, não podem sucumbir à ameaça das bombas nem às declarações pias dos representantes dos deuses, cá na Terra.

Agradecimento


Agradeço à Maria do Céu Costa de Oliveira  a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua

domingo, 11 de janeiro de 2015

O humor também mata...


Líderes mundiais unidos hoje em Paris contra o terrorismo

Entre os líderes mundiais que hoje participam na marcha em Paris estão, além do presidente François Hollande, primeiros-ministros como a alemã Angela Merkel, o britânico David Cameron, o espanhol Mariano Rajoy, o italiano Matteo Renzi ou o turco Ahmet Davutoglu, presidentes como o do Níger Mahamadou Issoufou, líderes de instituições como o presidente do Parlamento Europeu Martin Schulz e o presidente da Comissão Europeia Jean-Claude JunckerFotografia © D.R.

O mundo político disse sim à "marcha republicana", hoje, em Paris, contra o terrorismo e em solidariedade com as vítimas do atentado de quarta-feira na redação do Charles Hebdo. Cerca de meia centena de nações confirmaram a presença na capital francesa, a maioria ao mais alto nível. A marcha deverá ser uma das maiores dos últimos anos em França - são esperadas cerca de um milhão de pessoas - juntando quase todos os quadrantes políticos, intelectuais e religiosos.

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Trata-se de um vergonhoso e escandaloso aproveitamento político da genuína emoção coletiva do povo francês (provocada pelo bárbaro crime), por parte do establichement dos países ocidentais, que assim pretende legitimar as suas políticas, cada vez mais impopulares.
Amanhã, ao acordarem, os franceses que esgotaram a Praça da República, em Paris, vão descobrir que foram enganados pelos vendilhões do Templo

Netanyahu anuncia participação na "marcha republicana" [em Paris]

Benjamin Netanyahu | primeiro-ministro israelita

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, vai participar, no domingo, na "marcha republicana" em Paris, na sequência dos atentados contra o jornal Charlie Hebdo e um supermercado 'kosher', anunciou hoje a Embaixada de Israel na capital francesa.
Segundo a agência noticiosa francesa AFP, a manifestação promete reunir perto de um milhão de pessoas.
Notícias ao Minuto

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Com a presença de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, na manifestação de Domingo, em Paris, eu fico sem saber se aquela manifestação é contra ou é a favor do terrorismo... É que os terroristas não são apenas os "outros".
... Não podemos deixar cair no esquecimento o povo mártir da Palestina, vítima permanente do terrorismo institucional dos países ocidentais, que, pela ação, o promovem e executam, ou, por omissão, o toleram e apoiam.

sábado, 10 de janeiro de 2015

LIBERDADE!...


Lutarei pela liberdade, tal como luto pela minha vida. E que nenhum deus se atreva a atravessar-se no meu caminho...

FMI diz que afinal teria sido melhor reestruturar a dívida de Portugal


O Fundo Monetário Internacional está a rever a excepção que permitiu emprestar dinheiro a Portugal, Grécia e Irlanda sem uma reestruturação da sua dívida. No início dos resgates houve dúvidas relativamente à sustentabilidade da dívida destes países, mas foi possível evitar a reestruturação. Agora, essa possibilidade pode acabar.

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A verdade vem sempre ao de cima!... O problema, é que, na maior parte das vezes, vem tarde. Eu, agora, quero ver a cara de todos aqueles que, com arvorada pesporrência, têm andado a dizer por aí que a reestruturação da dívida pública seria uma tragédia...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Notas do meu rodapé: Anemia da economia portuguesa difícil de curar...


Exportações aumentam apenas 1,7%, importações crescem 3,3%
As exportações de bens aumentaram apenas 1,7% em termos acumulados e nominais no período de janeiro a novembro de 2014 face aos mesmos 11 meses de 2013, indicou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE). As importações engordaram 3,3%.
… Já as importações totais acumuladas até novembro mantiveram o ritmo na casa dos 3%. De janeiro a novembro de 2014 comparado com igual período do ano precedente, o aumento foi de 3,3%.
Assim, até novembro, Portugal exportou no total dos 11 meses em análise 44,4 mil milhões de euros, mas comprou ao estrangeiro 54,1 mil milhões de euros, o que coloca o défice comercial (diferença entre exportações e importações) nos 9,6 mil milhões de euros.
Ora, isto representa uma degradação da posição externa já que o mesmo défice de 11 meses em 2013 foi de 8,6 mil milhões. Há, pois, uma deterioração de mil milhões.

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O programa de ajustamento da troika partiu do enganador pressuposto de que a sustentabilidade da economia portuguesa seria conseguida, a médio prazo, com uma aposta vigorosa no aumento das exportações de bens e serviços e na desvalorização salarial (na altura, não assumida diretamente), através da aplicação musculada de uma apertada política de austeridade, que então foi anunciada como sendo de curta duração. A desvalorização salarial está a fazer o seu percurso, atingindo já os vinte por cento, e sabendo-se também que a ideia é atingir os trinta por cento, para que o respetivo nível salarial, terceiro-mundista, permita obter a competitividade que o nível modesto de desenvolvimento tecnológico não consegue. Mas, por sua vez, as exportações, depois de um período de euforia inicial, que serviu para fazer o festim da glorificação do governo, começaram a derrapar. Sem a Auto Europa e sem a Galp, a economia portuguesa, devido ao seu atraso tecnológico, que impede um aumento do valor acrescentado, não revela capacidade de ser competitiva, face ao exterior, mesmo beneficiando da desvalorização salarial em curso. Por isso, na perspetiva dos gestores, dos economistas neoliberais e dos políticos de direita, será necessário aplicar mais austeridade. Trata-se de impor ao país uma política de baixos salários, em vez de uma política de desenvolvimento, que é o que o país precisa. Asfixia-se o país, em vez de o desenvolver.
No desenho do programa de ajustamento, na avaliação da situação, foram cometidos dois erros. O primeiro diz respeito ao leviano otimismo, por parte da troika e do atual governo, em relação à evolução da economia europeia (principal destino das exportações nacionais), que outros políticos e economistas, não enfeudados ao sistema, contestavam. Hoje, a realidade mostra que a economia europeia está a passar por um período de recessão, ao mesmo que existe a ameaça de entrar num grave e longo período daflacionário, o que será um problema acrescido para Portugal e para a Grécia, países que vão ter, a médio prazo, grandes dificuldades de financiamento externo.
Nesta perspetiva, o horizonte para a próxima década apresenta-se muito sombrio para os portugueses, principalmente, para os trabalhadores,  desempregados e pensionistas.
AC

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Terrorista Matando Policial em Paris atentado ao Charlie Hebdo


A barbárie renasce no coração da Europa, agora, fanaticamente, em nome de um Profeta, que os seus seguidores não querem ver satirizado pelos infiéis. A nossa liberdade, da qual não podemos abdicar, custou doze vidas, vidas que aqui homenageamos. É um preço demasiadamente elevado, pelo que se exige de cada um de nós uma maior responsabilidade e empenho na luta por essa liberdade, onde ela está ameaçada nos seus fundamentos e onde ela ainda não existe. Perante o terror, não devemos mostrar medo, fazendo o jogo do inimigo, o que nos obriga a exibir sempre, com verdade, o nosso livre pensamento, sem as amarras dos pensamentos únicos das religiões e as das novas ideologias das castas dominantes.
AC

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Comunicado da AAP a condenar o ataque terrorista contra a revista francesa Charlie Hebdo


A Associação Ateísta Portuguesa (AAP), profundamente consternada com o crime hoje perpetrado contra a revista francesa Charlie Hebdo, repudia a violência e lavra o seu mais veemente protesto contra o crime sectário cometido contra a liberdade de expressão.

Manifestando à França e aos franceses, em especial aos mártires tombados na defesa da liberdade de expressão, a sua solidariedade, a AAP repudia a intolerância do fascismo islâmico que os assassinou.

Esperando que a laicidade, tão cara ao povo francês, continue o paradigma capaz de opor-se ao fanatismo religioso,

Solidariza-se com as famílias das vítimas, a França e os franceses.

Odivelas, 7 de janeiro de 2015


a)      A Direção da AAP

Um Poema ao Acaso: VIVAMOS, LÉSBIA MINHA; E AMEMO-NOS [declamado] - Catulo


VIVAMOS, LÉSBIA MINHA, E AMEMO-NOS

Vivamos, Lésbia minha, e amemo-nos,
E os murmúrios dos velhos mais ressabiados
Consideremo-los todos como um simples tostão.
Os dias podem morrer e nascer,
Mas se esta nossa breve luz morrer
Nós dormiremos uma só noite sem fim
Dá-me mil beijos, e mais cem;
Dá-me outros mil, e mais cem;
Depois, mais uns mil, e mais cem.
E quando, enfim, os tivermos dado aos milhares,
Para esquecer tudo, baralhemos as contas,
De modo a que ninguém com mal possa invejar-nos
Um número de beijos tão grande.

Catulo
(87 a.c.? – 54 a.c.)

Tradução de Gena e Filippo
Montera

Nota: Catulo rompeu com a tradição poética ligada à mitologia greco-romana e iniciou, com outros poetas, um processo de transformação estética e literária, com a poesia centrada na alma humana, no amor e nos sentimentos. Cícero, em sentido pejorativo, designáva-os por poetas novos.

Amabilidade da “poeta” Maria Gomes, que indicou o vídeo.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Sócrates em 'maus lençóis' após entrevista


O Procurador do Ministério Público Rosário Teixeira e o juiz Carlos Alexandre acreditam que José Sócrates quer manipular o processo da 'Operação Marquês' e estão dispostos a apurar as condições em que este prestou declarações a uma estação televisão nacional. A confirmar-se a ilegalidade das suas declarações, o ex-primeiro-ministro poderá ser sancionado.

***«***
Estranha, esta posição assumida pelo Procurador do Ministério Público, Rosário Teixeira, e pelo juiz, Carlos Alexandre, ao colocarem a hipótese de José Sócrates ter violado o segredo de justiça, ao mesmo tempo que têm ignorado a violação sistemática desse mesmo princípio pela comunicação social, que, todos os dias, publica transcrições do processo de averiguações, que é suposto estarem à sua guarda!...
Eu, como ao tempo escrevi muitas vezes, não acredito na inocência de José Sócrates, embora não tenha nenhuma prova concreta para o considerar culpado. E um dos trabalhos da Justiça é precisamente esse, o de encontrar as provas das suspeitas existentes. E não quero um julgamento político, pois esse já foi feito nas eleições de 2011. E também não quero um julgamento na praça pública, tal como está a acontecer.

Agradecimento


Agradeço ao Fernando Paulo a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua

domingo, 4 de janeiro de 2015

Poema: ...quando te penso - por Sónia M

Pintura, Hiroshi Nonami
[Seleção da autora]

...quando te penso

...quando te penso
desejo sempre ter mais vidas.

Terminar uma agradecendo a próxima.
Iniciar uma agradecendo a última.

Vivê-las todas agradecendo o nome
que me puxa a poesia do ventre

...quando te penso
há um rio de gratidão que me corre nas veias.
De quantas vidas precisaria
para a conseguir sussurrar toda?

O teu nome é a ternura
a poesia 
que com os lábios 
no ar desenho

enquanto o próprio ar que respiro
me grita
que uma vida só não chega.

...quando te penso...

Sónia M

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Um poema de amor intenso, arrebatador e emocionante, a explorar recursos poéticos originais, como é este o das sucessivas multiplicações da vida, que serve literariamente para reforçar a potência de um amor dedicado. E que dizer da excelente metáfora:  o nome / que me puxa a poesia do ventre / ...quando te penso!..
A minha homenagem à “poeta” Sónia M.
AC

A "poeta" Sónia M colabora regularmente no Alpendre da Lua

sábado, 3 de janeiro de 2015

Poema: Maria Azenha - "Repórter local"



Repórter local

Nunca encarei a Poesia como uma epístola aos pobres
Nem como um espelho de paz
Nem como um passatempo literário
para entreter académicos
Vejo-a como um trabalho moderno de Hércules
através de um específico repórter local 
que se chama Poeta

que não faz outra coisa senão Deixar bilhetes ao acaso
numa gare qualquer com o aviso “perigo de morte!”
© maria azenha

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Os perigos são imensos, alguns dantescos, e inimagináveis para a perceção do cidadão comum, mas aquele "repórter local", a que se refere poema, e que também se chama "Poeta", sabe, certamente, com o seu olhar perscrutador e abrangente, que o mundo caminha sobre um enorme vulcão. É um verdadeiro "trabalho de Hércules" evitar que as crateras se abram sob os nossos pés. E a Poesia é também uma arma, tal como a canção.
A minha homenagem à "poeta" maria azenha.
AC
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A "poeta" maria azenha colabora regularmente no Alpendre da Lua.