quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O suplício da contagem do Tempo...


A trabalheira que não deu agarrar o tempo, para o medir! E, mesmo assim, as contas ainda não batem certo. Para acertar a medida do sapato ao tamanho do pé, este ano até vai perder um segundo. Isto, porque não há coincidência, ao nível do micro-segundo, entre o número de segundos, contido no nosso calendário de 365 dias e o tempo real que a Terra demora a dar uma volta completa em torno do Sol.
A existência do ano bissexto, em que Fevereiro aparece no calendário com 29 dias, de quatro em quatro anos, tem a mesma finalidade: a de sincronizar o tempo marcado no calendário com o tempo real de uma translação completa do nosso planeta, à volta do astro-rei. Isto, para que a bota dê com a perdigota ou para que o sapato corresponda à medida do pé. Matematicamente complicado? Muito! Mas a Matemática tem uma capacidade infinita igual à do universo e tanto funciona aqui, na Terra, como funciona em Marte.
Paremos aqui, para pensar no Universo: no seu movimento, na sua origem, na sua existência, na sua grandeza, e, aqui, volte a parar e não canse mais o cérebro, porque não vai lá. É humanamente impossível pensar o que é a grandeza do universo. Há quem fique maravilhado, mas também há quem fique doido. Eu pertenço ao segundo grupo. Mas não desanime se está integrado(a) no meu grupo, pois começa a haver esperança de cura. Os físicos e os astrónomos trabalham nesse sentido, varrendo os céus com os seus potentes telescópios, num afã desesperado para tocar na unha, do dedo polegar da mão direita de Deus, ou da mão esquerda, admitindo que Ele possa ser canhoto. E eu farto-me de pedir a Deus para que Deus seja canhoto, o que é um absurdo, tal como é absurdo pensarmos nisto tudo e acabarmos por ficar a olhar para o vazio. Um vazio horrível, que também assustou os humanoides, quando começaram a articular as primitivas formas de pensamento lógico e abstrato, o que os levou logo a inventar a figura de Deus, que, na altura, eles figuravam, provavelmente, apenas como uma nebulosa difusa e translúcida. Assim, ficaram mais calmos, sempre que ouviam os trovões ou sentiam, de tempos a tempos, a terra a tremer, debaixo dos pés. Felizmente, para nossa sorte, com o correr lento do próprio tempo da evolução da espécie, também inventaram o fogo, a roda, e toda uma série de úteis invenções, até chegarmos aqui, a este texto, e a outros milhares de textos da mesma natureza, para nos interrogarmos, olhando, de forma abrangente, para o nosso longínquo passado e hesitando em olhar para o futuro. Como será? Ainda não ouvi ninguém responder, porque a pergunta também é absurda. Tal como absurda será uma qualquer hipotética resposta.

Alexandre de Castro

Grécia Governo tenta conciliar promessas eleitorais com realidade europeia


O aguardado braço de ferro entre Atenas e as instituições europeias definiu os primeiros 30 dias do Governo do primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, líder do partido da esquerda radical Syriza que venceu destacado as legislativas de 25 de janeiro.
o rescaldo de três semanas de grande tensão negocial, Tsipras considerou ainda no sábado que o Governo da esquerda radical garantiu "muito sucesso" mas que tem perante si "uma estrada longa e difícil".

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Depois da reviravolta eleitoral da Grécia, na Europa, já nada será igual ao passado. Nesta guerra entre a Grécia e as instâncias da UE houve, nitidamente, um derrotado: a austeridade. Mais nenhum ministro dos governos europeus se atreverá a pronunciar tal palavra, a não ser para afirmar que a austeridade deve acabar, embora intimamente todos eles estejam a pensar em perpetuá-la.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Fotografias da memória: Homenagem em linha ascendente… [Poema]


João de Castro (poeta e dramaturgo) | avô paterno

João de Castro (poeta e dramaturgo) | avô paterno
Linhares de Ansiães

Idalina Alice Costa | avó paterna

Álvaro de Castro (poeta) | tio-avô paterno
Linhares de Ansiães

Guilherme Lopes Trigo e Maria da Conceição | avós maternos

Virgílio de Castro (estudante no Porto) | meu pai

Meu pai e minha mãe, Ana Júlia Lopes
(Carrazeda de Ansiães)
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escultura sem título de Roberto Aizenberg

Homenagem em linha ascendente…

Aos meus pais
Aos meus avós

Ainda não paguei a dívida da vossa dádiva.
Nem sei se a pagarei.
O pó do tempo dissolve-se na memória
e ainda sinto o veludo dos afagos
e o respirar das vossas vidas.
As palavras ainda são as mesmas
- as desenhadas pelas incandescências
do fogo dos vossos lábios
e pelo eco das ressonâncias das vossas falas.
E é assim que vos trago no meu peito
enquanto vou traçando as marcas do meu caminho…

Alexandre de Castro

Lisboa, Dezembro de 2014

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Ministro espanhol vem dar lições aos portugueses


"São ambos governos reformistas e progressistas [o de Portugal e o de Espanha]. Os números demonstram que os países onde fizemos reformas -- Portugal, Irlanda e Espanha -, em circunstâncias muito difíceis, começam a recolher os frutos e os dividendos desse esforço. Falta um longo percurso, mas estamos convencidos de que estamos no bom caminho", destacou.
"Preserva-se o princípio de que as dívidas devem pagar-se, os compromissos devem honrar-se e o financiamento deve estar ligado ao cumprimento de condições que assegurem a sua devolução. Reforça-se o princípio de que a União Europeia e o Eurogrupo se regem por regras que foram tomadas por todos e que, portanto, se devem cumprir", considerou ainda García-Margallo.

García-Margallo - ministro dos Assuntos Exteriores e da Cooperação de Espanha, em conferência de imprensa, em Portugal.

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Fiquei mais descansado, por ouvir o ministro espanhol dizer que Portugal, Irlanda e Espanha estão no bom caminho. O problema é que o caminho é longo “como o caraças”, e não se vê fim à vista.
Também estou de acordo que as dívidas devem pagar-se. Mas eu, apesar de não perceber nada de política nem de finanças, não fui ouvido nem achado sobre as tais regras “que foram tomadas por todos”, nem essas regras foram devidamente explicadas, cá ao pagode. Apenas nos disseram que era para nosso bem, e eu só comecei a perceber que era para nosso mal, quando comecei a levar com a austeridade em cima do toutiço.
Oh, senhor ministro, vá lá pregar para a sua terra, porque de Espanha, nem bom vento nem bom casamento.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Documento oficioso distribuído pelo governo grego no fim da reunião do Eurogrupo

Manifestação na Grécia

Comentário sobre o acordo na reunião de emergência do Eurogrupo

1. O dia de hoje marca uma viragem para a Grécia. Negociações significam dar luta sem recuar no mandato popular recebido. Ficou provado que podia ter acontecido uma negociação ao longo destes anos e que a Grécia não está isolada, não caminha em direção ao precipício e não continuará com o Memorando.

2. O plano para encurralar o governo Grego até 28 de fevereiro foi derrubado. O plano estratégico fundamental para este período temporal (4 meses), no quadro de um acordo intermédio que nos dará a possibilidade de negociar, foi bem sucedido.

3. As tentativas de chantagem das últimas 24 horas deram em nada. O pedido para uma extensão do acordo de empréstimo acabou por ser aceite em princípio, e constitui a base para as próximas decisões e para o que aconteça a seguir.

4. As medidas de recessão a que o anterior governo estava vinculado foram derrubadas (o email de Hardouvelis sobre os cortes nas pensões, aumentos de impostos, etc.), bem como os acordos sobre os excedentes primários exorbitantes.

5. O edifício extra-institucional da TROIKA, que estava a dar ordens e se tornou num superpoder, acabou.

6. O novo governo Grego apresentará a sua própria lista de reformas para a próxima fase intermédia, propondo aquelas que constituam um ponto de encontro.

7. O governo Grego e a Europa irão tomar o tempo necessário para que comece a negociação tendo em vista a transição final, de políticas de recessão, desemprego e insegurança social para políticas de crescimento, emprego e justiça social.

8. O governo Grego prosseguirá com lucidez a sua governação, tendo ao seu lado a sociedade Grega, e continuará a negociação até ao acordo final no verão.

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Em dois textos anteriores, assinalei que Grécia não saiu derrotada neste duro embate com a Alemanha e com as instâncias da União Europeia. Pelo contrário, conseguiu impor a aceitação do princípio de que o governo não irá implementar mais nenhuma medida de austeridade, o que irá refletir-se na queda do saldo orçamental primário, em 2015. As medidas de austeridade, que o governo anterior já tinha programado, ficam, assim, sem efeito É certo que a Grécia abdicou de algumas exigências iniciais, mas isso não é motivo para alimentar as críticas, que já começaram a surgir dentro do próprio Syrisa. Este não é o momento da divisão. Tem de ser um momento de grande unidade, à volta do governo de Alexis Tsipras, para lhe dar força e confiança para os novos embates com a UE, nos próximos quatro meses.
A uma amiga que me interpelou sobre este asunto, respondi: “Eu também fiquei desiludido, assim como todos os portugueses que estão solidários com o martirizado povo grego. Mas os governantes têm de assumir o realismo das situações. E, na Grécia, a situação seria dramática se o governo, em Março, não tivesse dinheiro para pagar aos funcionários públicos. Foi uma negociação muito dura, de um contra todos e de todos contra um, mas o ministro das Finanças grego, além da sua tenacidade e determinação, revelou qualidades ímpares de negociador. Perante a opinião pública europeia, ele ficou bem visto. O Eurogrupo e a Merkel, é que não”.
Pela primeira vez, acontece uma rebelião dentro da União Europeia. Pela primeira vez, um pequeno país, inferiorizado e humilhado por uma crise dramática, aparece a desafiar a toda  poderosa Alemanha e a sua chanceler. Pela primeira vez, foi possível ver, à vista desarmada, que a União Europeia não é um espaço de solidariedade, mas um meio de negócio encapotado, destinado a favorecer os seus países mais ricos, principalmente a Alemanha, à custa dos países mais pobres, através do traiçoeiro processo de endividamento induzido. E este glorioso feito foi protagonizado pelo governo grego.
Para encontrarmos algo de semelhante, será necessário recuar até à década de sessenta, do século passado, quando o General De Gaule, num gesto patriótico, para marcar a dignidade da França, bateu estrondosamente com a porta aos americanos, decretando a saída da França da estrutura militar da NATO.
Eu só espero que, a breve prazo, Portugal também se levante em peso, para também poder dizer-se que recuperámos a dignidade e a plena soberania. 

As caras do Bloco Central de Interesses da Alemanha

Angela Merkel, chanceler da Alemanha, e Sigmar Gabriel,
Presidente do SPD e seu vice-chanceler e ministro da Economia

A prova da íntima cumplicidade, entre os partidos socialistas, agrupados no Partido Socialista Europeu, e os partidos da direita, está bem explicitada na coligação governamental, na Alemanha, em que Sigmar Gabriel, vice-presidente e ministro da Economia  e Presidente da Partido Social-Democrata da Alemanha, e Angela Merkel vivem politicamente em comunhão de bens. Ambos são adeptos da austeridade forte e feia.
E é este tipo de comunhão de interesses que serve de paradigma para todos os países da UE. 

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Notas do meu rodapé: Os socialistas à procura do discurso eleitoralista mais favorável


A família política socialista e social – democrata, agrupada no Partido Socialista Europeu (PSE), reuniu-se no sábado em Madrid, tendo aprovado duas resoluções conjuntas, sobre o combate ao terrorismo e a necessidade de reorientar a política europeia para o crescimento e o emprego.
Como é que os dirigentes destes partidos, que se dizem de esquerda, vêm agora declarar - como se tratasse de uma proposta original, nunca abordada pelos partidos mais à sua esquerda, como é caso do PCP e do BE, em Portugal - que é necessário acabar com a austeridade na Europa e inverter o ciclo político, apostando em políticas de crescimento económico e de crescimento do emprego, quando a maior parte daqueles partidos (socialistas, sociais-democratas) são cúmplices ativos ou passivos, conforme tivessem estado no poder ou na oposição, dessas mesmas políticas de austeridade, que estão a arrasar as economias dos países do sul da Europa, principalmente as de Portugal e a da Grécia?! Como é possível tanto descaramento, por parte destes dirigentes, que são uns autênticos moluscos, sem coluna vertebral, incapazes de anunciar os meios para implementar as tais políticas, que anunciam, ficando-se, modestamente, pela enunciação de objetivos genéricos e sedutores, sem que se pronunciem sobre os problemas estruturais da crise, nomeadamente sobre a necessária revisão do Tratado Orçamental e a necessidade de renegociar e reestruturar as dívidas públicas?! Isto, num momento em que muitos políticos e economistas conservadores já contestam também tais políticas, ou, pelo menos, duvidam do seu sucesso?
Nós já sabíamos que os partidos da Internacional Socialista, da qual os partidos nacionais do PSE são membros efetivos, têm servido de escudo ao capitalismo económico e financeiro, tentando evitar a influência, a progressão e o crescimento dos partidos e movimentos políticos, que são considerados uma ameaça potencial para o sistema instituído, sistema este que foi completamente capturado, de forma oculta, pelo mundo ligado ao capital, e que se tornou cada vez mais agressivo e poderoso, como hoje se pode verificar, em relação à crise da Grécia. Quando os partidos retintamente de direita e que simulam menos a sua natureza de classe, são corridos pela via eleitoral, lá estão os partidos da Internacional Socialista a cumprir o seu papel na alternância democrática, mas sem nunca pôr em causa os princípios fundamentais do sistema. E o problema reside no próprio sistema, que foi desenhado e implementado para beneficiar as classes possidentes e, principalmente, o capital financeiro. E não é por acaso que todos os candidatos a primeiros-ministros e a outros cargos de âmbito internacional, pertencentes à área socialista, também têm de passar pelo crivo seletivo do Club Bilderberg.
A presente crise da Europa teve o mérito de clarificar, para muita gente, a natureza híbrida destes partidos. Assumem uma linguagem de esquerda, enquanto se encontram na oposição, mas, uma vez no poder, fazem uma política de direita, embora a suavizem com umas tantas medidas de cariz socializante. Poderemos dizer que os partidos conservadores e os partidos da área socialista e social-democrata são dois ramos da mesma árvore ou as duas faces da mesma moeda.
Porque se encontram na mó de baixo e porque não tiveram tempo, durante esta crise, de mistificar o seu posicionamento, foram triturados por ela. O caso mais flagrante é o do PASOK, o partido socialista grego, que se transformou num partido minúsculo e residual, sem expressão eleitoral. O socialista François Holland conseguiu a proeza de ser o Presidente de França mais impopular da V República, a República que foi instituída pelo general De Gaule, na década de sessenta do século passado. O PSOE está a um passo de ser ultrapassado pelo vigoroso partido, o PODEMOS. Não temos dúvidas que o PS de António Costa acabará também por ser comido por esta voragem clarificadora, se vier a constituir o próximo governo de Portugal, e caso a Europa teime em manter o paradigma da austeridade.

Grécia Governo envia carta a Bruxelas com as reformas que pretende


O Ministério das Finanças grego vai enviar hoje uma carta de três páginas a Bruxelas com as reformas que pretende realizar para que as instituições façam uma avaliação inicial, segundo a agência Efe.
… Segundo os meios de comunicação locais, as medidas não incluem um custo concreto das reformas, mas são semelhantes às propostas políticas, ou seja, o Governo explica os seus métodos para combater a evasão fiscal, a corrupção, a reforma da administração pública e combater a crise humanitária.

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O governo grego, ao enviar para as instâncias europeias as propostas das reformas políticas, que se compromete a fazer, a fim de poder obter a dilatação do atual programa de apoio da troika, por mais quatro meses, adverte, implicitamente, ao afirmar que algumas dessas propostas não são negociáveis, por serem do foro da soberania nacional da Grécia, que chegou ao fim a sua disponibilidade em fazer mais cedências. 
Amanhã, segunda-feira, será o dia do tudo ou nada. A bola está agora nas mãos das instâncias das três entidades que constituem a troika, e que, caso rejeitem as propostas, ficarão com o ónus da culpa, de não quererem facilitar a vida a um governo, que se propõe arrecadar receitas para o Estado, através de programas orientados para a luta contra a corrupção e contra a evasão fiscal, objetivos estes que são muito mais justos e equitativos, do que, como os tecnocratas da troika gostam, aumentar impostos e cortar nos salários e nas pensões. A imagem das instâncias europeias também ficará afetada, dando de si uma péssima imagem, perante a opinião pública, se, com o seu veto, impedirem o governo grego de acudir ao seu povo - a passar por um doloroso sofrimento - lançando um programa para lutar contra a grave crise humanitária, que é também uma das suas propostas.

Medeiros Ferreira: O “profeta desarmado” no país da “disciplina partidária”


Constelação de estrelas mediáticas e políticas compareceu na Gulbenkian para “celebrar” a vida do ex-ministro que ajudou Portugal a entrar na CEE.
Por mais de uma vez, ao longo do último dia do colóquio que, na Fundação Gulbenkian, homenageou o desaparecido político e historiador próximo do PS, José Medeiros Ferreira, os intervenientes citaram a expressão com que o próprio político se caracterizava. Via-se como um “profeta desarmado”, recuperado da pena de Maquiavel, expressão que, mais tarde, viria a ser utilizada para catalogar Leon Trotsky. No entanto, ao longo das horas de palestras sobre as mais variadas “facetas” da vida do ex-ministro dos Negócios Estrangeiros que ajudou Portugal a entrar na CEE, o retrato que pairou no auditório foi de um profeta maldito.
PÚBLICO

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Conheci Medeiros Ferreira no Regimento de Infantaria Nº 1, na Amadora. Eu estava a cumprir o meu primeiro serviço militar obrigatório e ele apareceu para se enquadrar numa companhia, que partiria para África. À noite, no salão da Messe de Oficiais, juntamente com mais dois ou três alferes, discutíamos a política nacional, as greves académicas, das quais ele foi um dos líderes, e a Guerra Colonial. Medeiros Ferreira destacava-se do grupo, quer pela solidez do seu discurso, quer pela muita informação que recebia clandestinamente de vários grupos de exilados políticos, em França, na Suíça e na Argélia, Chegou a emprestar-me dois livros, em edição francesa, sobre a Guiné e sobre Amílcar Cabral.
Num certo dia e a uma certa hora, chegou a notícia ao Quartel: Medeiros Ferreira tinha desertado. 
É ele o autor daquela célebre sigla dos três "D": Democratizar, Descolonizar e Desenvolver, que titulou a sua tese, que ele, da Suíça, fez chegar ao III Congresso da Oposição Democrática, em Aveiro, através da sua mulher, e que, posteriormente, foi recuperada pela revolução de Abril.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Notas do meu rodapé: A Grécia não perdeu a guerra. Perdeu apenas uma batalha (2)


Tsipras diz que acordo com o Eurogrupo “deixa para trás a austeridade"
“Ganhámos uma batalha mas não a guerra. As dificuldades reais estão à nossa frente”, afirmou o primeiro-ministro grego numa declaração televisiva em que prometeu que os despedimentos e os cortes não vão voltar.

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Deixem-me manifestar uma ponta de vaidade. Ontem, por volta da meia-noite, e muitas horas antes de Alexis Tsipras prestar as primeiras declarações sobre o "promissor" entendimento entre o Eurogrupo e o governo grego, eu escrevi aqui e na minha página do Facebook uma análise sucinta àquele entendimento, subordinada ao título " A Grécia não perdeu a guerra. Perdeu apenas uma batalha", metáfora que o primeiro-ministro grego também veio a utilizar, para demonstrar que a Grécia conseguiu marcar pontos na sua trajetória para estancar o ciclo evolutivo da espiral austeritária. Esta coincidência, a nível da formulação verbal, deu-me a certeza de que a minha avaliação do resultado da reunião do Eurogrupo com o ministro das Finanças grego estava correta.
E está correta. Se o governo grego mostrou flexibilidade negocial, ao retirar algumas das exigências iniciais, também o Eurogrupo, até ali arrogante e intransigente, teve de ceder. E cedeu precisamente no aspeto mais importante exigido aos países intervencionados pelas três instituições da troika: o equilíbrio orçamental, que é objetivo central que inspira todas as medidas de austeridade assumidas pelos governos intervencionadas, mesmo aquelas que parecem desligadas da prossecução daquele objetivo, como foi o caso, entre nós, da realização dos exames aos professores, para poderem dar aulas e, mais recentemente, os acordos com algumas autarquias, para as quais vão ser transferidas algumas competências do poder central, nas áreas da Saúde e da Educação. Estas duas medidas têm marcadamente fins financeiros, embora dissimulados e encobertos, pois destinam-se a aliviar a despesa do Estado. A primeira tem efeitos imediatos, através da redução de efetivos, na área da docência das escolas. E a segunda tem efeitos dilatórios, pois no futuro os governos vão progressivamente reduzindo, sem alarme social, as verbas orçamentais a transferir para os municípios.
Quando eu, ontem, dizia, que o governo grego conseguiu anular as medidas de austeridade futuras, que já estavam programadas pelo governo anterior, é porque o Eurogrupo deixou cair a cláusula imposta à Grécia, pela troika, de alcançar um saldo primário orçamental de três por cento, no corrente ano.
Agora, apenas falta que, na segunda feira, os representantes das três instituições da troika concordem com o plano de reformas, a apresentar pelo governo grego, para garantir que o balanço financeiro da Grécia não comprometa a sustentabilidade de situações já adquiridas anteriormente (e foi deste lado da questão que o governo grego perdeu a batalha). No entanto, a guerra não está perdida.
AC

Notas do meu rodapé: A Grécia não perdeu a guerra. Perdeu apenas uma batalha


À primeira vista, lendo as notícias sobre o acordo a que chegaram os ministros das Finanças do Eurogrupo, em relação à Grécia, fica a amarga sensação que o governo grego sofreu uma derrota. Mas não é bem assim. Apertado pelas necessidades de financiamento a curto-prazo, o que retirava espaço de manobra ao ministro das Finanças grego, a Grécia conseguiu obter o prolongamento, por mais quatro meses, do atual programa da troika, que terminaria em finais deste mês, período durante o qual nenhuma imposição austeritária poderá ser feita pelo Eurogrupo, ao mesmo tempo que o governo de Atenas renuncia a tomar medidas que aumentem a despesa do Estado. Isto quer dizer que o povo grego não vai, para já, beneficiar da prometida redução da austeridade, através, entre outras medidas, do aumento do salário mínimo, mas, em contrapartida, essa austeridade não irá agravar-se, o que inevitavelmente aconteceria se um governo de direita continuasse no poder. E isto, porque, para a Grécia cumprir o objetivo, estabelecido com a troika, de atingir um saldo primário orçamental de mais três por cento, este ano, e mais quatro por cento em 2016, seria necessário decretar mais austeridade, quase da mesma amplitude do que aquela que já foi imposta.
Por outro lado, o governo de Atenas espera ganhar tempo, para que, daqui a quatro meses, reúna condições mais favoráveis para obter mais cedências da Europa.
Por sua vez, os governos mais fundamentalistas, com o governo alemão à cabeça, seguido caninamente pelos governos de Portugal e Espanha, esperam a desmobilização dos apoiantes gregos e europeus, em relação ao seu apoio ao Syrisa, para depois meterem a Grécia num colete de forças e impor mais austeridade no futuro.
Por isto tudo, pode-se dizer que a Grécia não perdeu a guerra. Ela apenas perdeu uma batalha.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

A humilhação não paga dívidas


A carta, que mostra já uma grande boa vontade do Syriza em negociar, mal tinha saído de Atenas e já um porta-voz do Ministério das Finanças da Alemanha lia um comunicado a dizer que o pedido da Grécia não cumpria os requisitos mínimos do Eurogrupo. Uma posição de inflexibilidade que parece fechar portas à discussão e que só serve para humilhar os gregos e os seus representantes. E assim não há negociação que aguente. Pelo menos uma que seja feita com alguma dignidade.

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Tudo o que está a acontecer, em relação ao atual problema da Grécia, mostra uma coisa, que eu já assinalei várias vezes: a deriva totalitária e arrogante da Alemanha, na liderança da Europa. 
Ainda irá chegar o dia, em que a França tenha também de se ajoelhar, de forma humilhante, perante o seu histórico rival, num ajuste das velhas contas do século passado.
Deixo novamente uma minha afirmação, que já é recorrente: A Hitler de saias está a fazer com o garrote do euro e da dívida, aquilo que o Hitler do bigodinho e da guedelha não conseguiu fazer com os tanques e os canhões.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Tsipras deixa cair promessas para negociar com Europa


Governo de Alexis Tsipras deverá deixar cair aumento faseado do salário mínimo e perdão parcial da dívida. Segundo uma fonte à Reuters, a Grécia vai ficar sem dinheiro se não receber fundos adicionais até ao final de Março. 
Em menos de 24 horas, a postura do executivo de Alexis Tsipras perante os credores e os parceiros da União Europeia e do euro mudou de forma drástica. Fontes de Bruxelas e do executivo de Tsipras avançavam sob anonimato à Reuters que o governo helénico ia ceder em alguns pontos e pedir uma extensão de quatro meses do empréstimo sem, contudo, manter as reformas previstas no pacote inicial de resgate do Banco Central Europeu, Comissão e Fundo Monetário Internacional.

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Se Portugal e a Grécia tivessem recusado, no início da crise, as condições impostas pelas instituições europeias e pelo FMI, e tivessem exigido, brandindo a ameaça da saída unilateral do euro, um programa sustentável que se baseasse, não na austeridade, mas no apoio financeiro a projetos de desenvolvimento nos dois países, a senhora Merkel, e tal como escrevi na altura, até se "mijava toda pelas pernas abaixo". Há três ou quatro anos, a saída do euro de Portugal e da Grécia, isoladamente ou em conjunto, significava o fim da moeda única, pois os bancos alemães ficariam a descoberto, devido aos produtos tóxicos acumulados durante a década anterior, e respeitantes aos Títulos da Dívida Pública dos dois países, o que obrigaria ou à sua recapitalização, pelo governo alemão, e ao consequente aumento de impostas, ou à sua insolvência. Com a institucionalização da troika e a posterior aceitação das condições exigidas pelas instâncias europeias, o governo alemão conseguiu pôr os gregos e os portugueses, através de uma dura austeridade, a salvar os seus bancos e a reforçar a posição da Alemanha na liderança da Europa. Esta capitulação só foi possível com a cumplicidade ativa dos partidos que, nos dois países, têm assegurado, em regime de alternância, a governação. A essa capitulação, eu já chamei traição.

Jean-Claude Juncker "Pecámos contra a dignidade da Grécia e de Portugal

Jean-Claude Juncker

O Presidente da Comissão Europeia fez esta quarta-feira um ‘mea culpa’ por causa das políticas de austeridade seguidas em países como Grécia, Portugal ou Irlanda. O sucessor de Durão Barroso disse ainda que é preciso retirar "as lições da história e não repetir os mesmos erros".

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Ao nível das instituições europeias, alguém começou recuperar o bom senso, ao reconhecer o "vandalismo financeiro" que varreu os povos do sul da Europa, espalhando a fome, a miséria e provocando uma enorme angústia às pessoas. Mas não basta, apenas, reconhecer os erros praticados, que, parece, não resolvem o problema central do endividamento de Portugal e da Grécia, induzido pelos grandes financeiros dos países ricos.
É necessário parar! É necessário, rapidamente, corrigir a rota, inicialmente traçada. A Comissão Europeia não pode comportar-se como se tratasse de um conselho de administração de um grande banco, nem o Conselho Europeu pode assemelhar-se a uma assembleia geral de acionistas, valorizando apenas os números, as estatísticas e o dinheiro. Como instituições políticas que são, devem enquadrar as suas decisões e as suas ações, olhando para os interesses das pessoas. É imperdoável que, na Europa, centro civilizacional avançado, e em pleno século XXI, sejam decretadas medidas que retirem direitos adquiridos aos cidadãos e conduzam a situações desesperantes de miséria. As situações de carências alimentares e a falta de cuidados de saúde já afetam milhões de pessoas, nos dois países. É uma autêntica barbárie! Por isso, não basta o reconhecimento da gravidade da situação e o arrependimento pelos erros colossais cometidos. É preciso emendar a mão e decretar o fim da austeridade. É necessário renegociar e reestruturar a dívida, para que ela seja sustentável. E, acima de tudo, é necessário recorrer ao método Keynesiano de ser o Estado a liderar o investimento e a economia e não o capital financeiro, que apenas está interessado em promover uma economia apoiada na dívida e na especulação. A Grande Crise dos EUA de 1929/1932 foi resolvida, optando-se por aplicar a doutrina de Keynes. O Estado assumiu a iniciativa do desenvolvimento, através do investimento público, o que gerou rapidamente emprego para os milhões de desempregados existentes. Aplicar medidas de austeridade a quem já estava a sofrer a austeridade desencadeada pela crise, seria uma catástrofe social.
Se nada não for feito na Europa, que não absorva o desemprego estrutural e promova o desenvolvimento económico, de nada valerá chorar lágrimas de crocodilo. Lágrimas, já bastam as nossas!...
AC.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Revolta no PS obriga Valls a aprovar reforma económica sem votos


Governo enfrenta hoje moção de censura, por ter decidido aprovar sem votação parlamentar a ‘lei Macron’ com a qual pretende relançar a economia.
A França mergulhou ontem num turbilhão político, quando o primeiro-ministro Manuel Valls anunciou que recorria ao artigo 49-3 da Constituição para forçar a aprovação das reformas económicas do executivo.

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Mais um partido socialista a trair os trabalhadores, tentando fazer aprovar uma lei austeritária, e ultrapassando a sua obrigatória submissão à Assembleia Nacional francesa.
No âmbito da Internacional Socialista, todos os partidos socialistas e sociais-democratas, nela inscritos, estão perfeitamente integrados no sistema político, que domina a Europa, e, quando alcançam o poder, não se diferenciam dos partidos da direita.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Quero que a vaca de Berlim deixe de dar leite [Poema panfletário de sabor anarquista]



Quero que a vaca de Berlim deixe de dar leite

[Poema panfletário de sabor anarquista]

Ao povo da Grécia

Quero que a vaca de Berlim deixe de dar leite
e que o Lutero de Atenas pregue as suas teses
no portão vermelho da catedral da Acrópole

Que o monstro, a abarrotar de banha e maldade,
se suicide, como o Hitler, nas labaredas do bunker
num sacrifício perpétuo
em memória das vítimas da fome

Que venha a nova Reforma
a nova Bíblia dos desventurados
rasgar os céus com raios e coriscos
e iluminar a esperança dos dias

Abatam-se ao inventário
os palácios de todos os vaticanos
o de Bruxelas e o de Berlim
e decrete-se o fim das gravatas
dos fatos cinzentos
dos sorrisos postiços
dos salamaleques forçados
e dos discursos enfatuados a cheirar a mofo

Que venha a Revolução
amarrem os agiotas e os lacaios
e deixem-nos a secar nos ramos das figueiras

Venham todos para a rua,
com as bandeiras desfraldadas,
arrancadas  do fundo dos baús,
para celebrar o fim da escravatura

Venham, venham todos
para exorcizar a tortura da ditadura dos mercados
destruir os buracos cavernosos dos off-shores
e ouvir o último arroto dos banqueiros

Venham, venham todos!...

Alexandre de Castro

Lisboa, Fevereiro de 2015

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Ver aqui, com outra formatação
Ver também aqui

Humor: A czarina da Europa


Humor: Individualismo à chuva...


Atenção: Esta anedota só funciona, quando não há vento...


domingo, 15 de fevereiro de 2015

“Povo europeu luta unido contra a austeridade e solidário com a Grécia”


Este domingo foi dia de sair à rua em solidariedade com a Grécia. Em muitas capitais e cidades europeias houve manifestações contra a austeridade e de apoio à Grécia, contra a chantagem que a União Europeia exerce sobre o novo governo eleito. Veja as fotos das mobilizações (em atualização).

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"Eppur si muove!", dissera Galileu, depois de ouvir a sentença, em que fora condenado pelo Tribunal do Santo Ofício, por heresia, ao defender e propor cientificamente a teoria heliocêntrica. Nós também podemos dizer em relação à Europa: "e, no entanto, ela move-se"... A Europa começou a acordar e a recuperar a herança libertária e solidária, que parecia perdida, depois de mais de cinco décadas de franca prosperidade material, que viveu. Mas esse tempo acabou, devido aos desmandos do capital financeiro, que gastou dinheiro e energias, em benefício dos agiotas, dos bancos e dos políticos oportunistas, na aventura do jogo da especulação, e que, agora, queria que fossem os povos, através da dura austeridade imposta, a salvar o barco da tenebrosa tempestade.
A Grécia foi o primeiro país a demonstrar que o modelo europeu estava esgotado, assim como foram os gregos os primeiros a levantar-se contra a criminosa opressão. A Europa dos povos, ao contrário da Europa dos políticos do sistema, compreendeu o que estava em jogo. E começou a mexer. Já escolheu.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Crónica dos dias contados [a propósito das homenagens a Humberto Delgado]



Crónica dos dias contados
[a propósito das homenagens a Humberto Delgado]

Eu tinha apenas catorze anos de idade, quando vi pela primeira vez o General Sem Medo. Foi em Lamego, cidade por onde passou, a caminho de Viseu, onde se realizou um comício da sua candidatura à Presidência da República. Juntamente, com outra malta do liceu, fui assistir à sua chegada, ao Largo dos Combatentes da Primeira Guerra Mundial, onde colocou um ramo de flores na base do imponente monumento ao Soldado Desconhecido. Já não me lembro bem se ele apareceu fardado e se teve direito a uma Guarda de Honra, formada por militares do Regimento de Infantaria Nº 9, aquartelado na cidade. Lembro-me sim, da presença de uma delegação oficial daquela instituição militar, composta pelo comandante da unidade e por mais alguns oficiais de elevada patente, que envergavam o uniforme nº1, sinal da importância do ato, no cânone militar. Tratava-se de um general…
Percebeu-se o embaraço do comandante do regimento, quando, depois da continência devida e de um cumprimento de mão, conversou brevemente com Humberto Delgado. A medo, alguns populares bateram palmas. O Medo!... É verdade, o medo!.. Medo de ser preso, medo de perder o emprego, caso se tratasse de funcionários do Estado. E foi esse mesmo justificado medo que levou algumas pessoas a não se exporem naquela receção, entre elas alguns notáveis da cidade, republicanos oposicionistas de longa data e oposicionistas recentes, que perceberam ser Delgado o homem certo para enfrentar a soberba do sinistro Salazar, perceção esta que se formou, a partir do momento em que o general, em resposta a uma pergunta de um jornalista, na conferência de imprensa de apresentação da sua candidatura, no café Gelo, em Lisboa, lançou para o ar aquela frase assassina, em relação ao ditador. “Obviamente, demito-o”.
Foi a primeira vez que Salazar caiu da cadeira, pois aquela frase era uma afronta, que ele sentiu para além do mundo cinzento da política. Foi o seu orgulho, que ficou ferido de morte. De tal forma, que se vingou ferozmente, dando ordem à PIDE para assassinar o general.
Aquele grupo de oposicionistas, para fugir à vigilância dos esbirros, deslocou-se de automóvel, pela estrada que liga Lamego a Viseu, para um sítio previamente combinado, antes de se chegar a Castro D’ Aire, e tendo aí esperado o General Sem Medo, para o abraçar e lhe manifestar o seu indefectível apoio. Num desses abraços, é apanhado o Dr. Abrantes de Cunha, reitor do liceu e meu professor de Português, professor que eu admirei muito, pois foi pela sua ação pedagógica e didática, que eu aprendi a Gramática e os fundamentos da Literatura Portuguesa. Mais tarde vim a reencontrá-lo no Casino Estoril.
A fotografia daquele fatídico abraço ao general Humberto Delgado, tirada por um fotógrafo profissional da cidade, que a expôs, juntamente com outras, na montra da sua loja, eriçou imediatamente os esbirros, que rapidamente a retiraram, tendo-a guardado como prova do delito. Passados poucos dias, o Dr Abrantes da Cunha era irradiado. Foi demitido das funções de reitor e foi transferido para o liceu da Covilhã.
Este episódio foi o acontecimento mais doloroso, que eu relatei no meu romance, “O Bando do Liceu”, um romance que me deu um grande prazer em o escrever.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Ministro Espanha quer recuperar os 26 mil milhões emprestados à Grécia


A Espanha emprestou 26 mil milhões de euros à Grécia quando também atravessava uma grave crise e não vai apagar esta dívida, advertiu hoje o ministro da Economia espanhol, Luis de Guindos.

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A melhor maneira de dizer uma mentira é começar por dizer uma verdade ou omitir parte dessa verdade. Foi o que fez o ministro da Economia espanhol, Luis Guindos. Ocultou, por sua conveniência, parte da verdade, o que é o processo escolhido pelos políticos para dizerem mentiras. Guindos ocultou o valor do empréstimo, que o governo espanhol contraiu, a fim de recapitalizar os bancos espanhóis, e que foi de 100 mil milhões de euros, valor superior ao da totalidade do empréstimo concedido pelas instituições da troika a Portugal, que foi de 72 mil milhões de euros. Confiando que as pessoas não têm memória, pois esse empréstimo ao governo espanhol remonta a Junho de 2012, também não indicou os respetivos credores. Da maneira com apresentou a situação, até parece ter querido insinuar que o empréstimo foi contraído no mercado financeiro. Habilidade manhosa. O empréstimo foi contraído junto das instâncias europeias (ver aqui), para cujos cofres contribuem todos os países da União Europeia, incluindo a Grécia, naturalmente, asserção que reduz o dramatismo que o ministro pretendeu incutir na opinião pública. Assim, poderemos dizer que a Espanha não deu nada à Grécia, que que a Grécia não tenha dado à Espanha, embora sendo certo que os valores monetários dos empréstimos em causa tivessem sido diferentes.
Os governos de Espanha e de Portugal comportam-se como verdadeiras marionetes telecomandadas pela Alemanha (há sessenta anos, Hitler também tinha Franco e Salazar como fiéis aliados), dizendo em público aquilo que Merkel e os seus ministros, em função dos códigos do politicamente correto, só podem dizer em privado.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Discurso endurece. "A Grécia não é um protetorado" e "têm de saber com quem se estão a meter"


Declarações surgem numa fase em que o Eurogrupo se prepara para se reunir. Encontro está marcado para esta quarta-feira.
Apesar dos alertas europeus, o Governo grego continua sem papas na língua, mostrando-se duro e incisivo no seu discurso. Durante a apresentação do programa do novo Executivo, o ministro da Reconstrução, Ambiente e Energia, Panagiotis Lafazanis, deixou esta terça-feira no Parlamento um aviso à União Europeia: 
"O memorando e a troika terminaram. A eleição do programa do Syriza não será cortado em pedaços. A Grécia não é um protetorado", afirmou o governante, citado pelos jornais locais.
"Os maiores protagonistas da União Europeia pensam que nos podem chantagear, mas eles têm que saber com quem se estão a meter", sublinhou.

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Ninguém de boa fé, verdadeiramente patriótico e politicamente empenhado na defesa da independência, da dignidade e dos direitos dos povos, pode deixar de se emocionar com a firmeza evidenciada pelos membros do "revolucionário" governo grego, perante os políticos e os tecnocratas empedernidos de uma Europa, já velha e decadente, que pretende escravizar, através do embuste da dívida, os países europeus mais fragilizados nas suas economias. Atenas, a grande cidade, onde nasceu a democracia, ressurgiu em todo o seu esplendor, para nos iluminar o caminho que todos nós devemos seguir. E a nossa primeira grande tarefa será apoiar a organização de um grande movimento popular de solidariedade para com o povo grego. E será aos partidos da esquerda parlamentar, o PCP, Verdes, Intervenção Democrática e Bloco de Esquerda, que competirá tomar a iniciativa, que deve ser extensível a todos os movimentos de esquerda que têm lutado contra a austeridade. Chegou a hora de quebrarmos as algemas e de vergar a soberba e a arrogância dos donos da Europa, que também querem ser donos do nosso destino coletivo.

Alemanha brinca com o fogo na Grécia - por José Vítor Malheiros - PÚBLICO


1. Pedro Passos Coelho nunca surpreende. Sempre que existe uma oportunidade para mostrar uma réstea de dignidade pessoal, alguma ténue preocupação com os cidadãos do seu país ou um lampejo de sentido patriótico, Passos Coelho exibe a sua natureza e faz a única coisa que sabe: obedece ao que julga serem os desejos do seu suserano.
Foi assim com a notícia da vitória do Syriza na Grécia, com o anúncio das primeiras posições do Governo grego e foi assim com a proposta grega de uma conferência internacional sobre a dívida. Tudo acontecimentos que qualquer Governo português, independentemente da sua cor política, deveria receber com algum agrado, porque reforçam a nossa posição negocial como credores no seio da União Europeia, mas que Passos Coelho preferiu criticar ecoando os ditames da voz do dono. O Governo grego quer defender a dignidade e a vida dos gregos e Passos Coelho não suporta esse atrevimento. Passos Coelho nem percebe como é que Tsipras não considera uma honra servir os poderosos deste mundo e lamber a sola cardada das suas botas, deleitando-se na volúpia da submissão. Passos Coelho não é mais papista que o Papa: é apenas mais alemão do que Angela Merkel e mais obsceno do que Miguel de Vasconcelos.

jvmalheiros@gmail.com

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O desvario subserviente de Passos Coelho é de uma indignidade chocante. Tirando o período da dominação espanhola, dos Filipes, em que a fidalguia indígena queria ser mais castelhana do que portuguesa, nunca houve um governante português que, tal como Passos Coelho está a fazer, promovesse a sabujice ao estatuto de teoria de Estado e que transformasse a bajulação, aos inamistosos governantes estrangeiros, num argumento político de primeira grandeza. Passos Coelho está a percorrer a curta distância que separa o nojo do vómito. E tudo isto com uma vergonhosa desfaçatez!...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

NOVA ORDEM MUNDIAL - UM FACTO REAL E TENEBROSO


Trata-se de uma visão dantesca e tenebrosa do futuro da Humanidade, de que muitos acontecimentos e tendências atuais parecem ser o pródromo anunciador. Vivemos num tempo de rápidas mutações, ainda ontem inimagináveis. Hoje, já nos assustamos com o delírio do futuro. Intimamente, tenho o pressentimento de que todos nós iremos experimentar a vertigem do abismo. Seremos apenas números da estatística da servidão, amarrados a um chip e comandados por robôs.  Será o tempo em que só a morte será libertadora!...
AC
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À minha irmã Helena, que me enviou este vídeo e me perguntava se o seu conteúdo temático teria a ver alguma coisa com o vídeo sobre o Club Bilderberg, que publiquei aqui, respondi:
“Julgo que tudo tem a ver com tudo. Conseguir a hegemonia mundial é o sonho de quem já concentra a maior parte do poder".

Humor: Há pecados que têm perdão!...


domingo, 8 de fevereiro de 2015

Stuart Holland: “Este é ‘o’ momento de viragem da Europa”


Amigo de Yanis Varoufakis, este ex-conselheiro de Jacques Delors e de António Guterres revela o que pode acontecer na cimeira extraordinária do Ecofin na próxima semana.
"As instituições já existem. O Banco Europeu de Investimentos (BEI) e o Fundo Europeu de Investimentos, que eu sugeri quando aconselhava Jacques Delors [Presidente da Comissão Europeia] nos anos 90. Como? Através da emissão de obrigações. Como Roosevelt fez, para financiar os investimentos sociais e ambientais do New Deal que reduziram o desemprego, entre 1933 e a Segunda Guerra Mundial, de 25% para menos de 10%. E isto foi feito com um déficit orçamental médio de 3% - o limite de Maastricht…"
Paulo Pena

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A cultura neoliberal, que domina as chancelarias europeias, insiste na abordagem da vertente financeira da crise, quando o problema, a nível da Europa, reside na economia, que só não cresce consistentemente, como ainda, e isto é até o mais grave, corre o risco de entrar em deflação. A solução passa, pois, por encontrar estímulos para desenvolver a economia. O caso da Grécia e  de Portugal, a suportarem quatro anos de uma dura austeridade, mostra que não é pelo lado do défice orçamental e da dívida pública que se resolve o problema. O problema resolve-se com a opção de um criterioso investimento público sectorial, gerador de emprego, que, por sua vez, irá desenvolver a economia, condição necessária para realizar saldos primários positivos, a nível orçamental, assim como crescentes saldos positivos, ao nível da procura externa. Só por esta via, e não pelo estrangulamento da procura interna, se poderão encontrar folgas para pagar a dívida aos credores internacionais. E se mais alguma coisa há a fazer, além de um maior envolvimento dos estados na economia, será pelo lado da política cambial, promovendo a desvalorização do euro e alinhando o seu valor pela média da produtividade do conjunto dos estados membros, que o adotaram, a fim de aumentar a sua competitividade externa e poder-se assim fomentar as exportações para fora do espaço comunitário.
Há uma coisa que tem de entrar na cabeça das pessoas e dos dirigentes políticos: está demonstrado estatisticamente e matematicamente ser impossível, com a atual política recessiva e austeritária, subordinada ao peso da dívida e do seu serviço e à intransigente rigidez orçamental, a Grécia e Portugal poderem garantir os compromissos estabelecidos com a troika. A não ser que se queira reduzir os dois países à endémica pobreza de alguns países africanos. 
Portugal já não se livra, em virtude da desvitalização demográfica, provocada pela aplicação de políticas erradas, de vir no futuro a enfrentar uma gravíssima e longa crise geracional, associada ao envelhecimento da sua população, e que começará a fazer sentir-se, no domínio económico e financeiro, já na próxima geração. E a responsabilidade desta tragédia tem de ser assacada por inteiro à política deste governo de direita, que deste modo está a fazer a cova, onde o país irá ser enterrado. 
AC