segunda-feira, 27 de junho de 2016

Espanha: Pablo Iglesias admite resultados insatisfatórios


Espanha: Pablo Iglesias admite 
resultados insatisfatórios

O candidato da coligação de esquerda Unidos Podemos à chefia do governo espanhol, Pablo Iglesias, admitiu hoje que os resultados eleitorais não são satisfatórios e não cumprem as expetativas criadas.

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Foi uma autêntica desilusão, caros amigos e amigas! Há quem diga que o Brexit influenciou negativamente os resultados da esquerda, quando eu julgava que esse efeito poderia ser positivo. Eu, para mim, tenho duas explicações para este desastre eleitoral: 1º). A cultura do medo funcionou. 2º) Pablo Iglésias, depois das eleições de Dezembro, começou a ser mais actor do que político. O seu super-ego traiu-o.
De imediato, perdeu-se a maior parte do capital político, que se gerou a partir das grandes manifestações de 2012.
Mas a luta continua!...

domingo, 26 de junho de 2016

Que venha de Espanha um bom vento e um bom casamento


Que venha de Espanha um bom vento 
e um bom casamento

Os eleitores espanhóis, hoje, não estão apenas a escolher, de acordo com as suas simpatias partidárias, o próximo governo de Espanha. Como pano de fundo, eles levam na cabeça a sua opinião sobre a União Europeia. Nesta perspectiva, os resultados finais da votação, e tal como se fosse um referendo, também vão determinar se a Espanha deverá ou não rever a sua posição, em relação à UE e ao euro. Esta é que é grande questão que se coloca ao nível da decisão de todos os actos da governação, tal já é o elevado nível de integração política e económica, alcançado no seio da União. Os espanhóis sabem, tal como os portugueses, os gregos e os cidadãos de todos os outros países do grupo, que já não podem controlar, com o seu voto, as políticas orçamentais e financeiras dos seus respectivos países, cujas competências passaram a ser exercidas em Bruxelas, por uns burocratas eurocratas, que ninguém conhece e que não foram eleitos democraticamente.
Por isso, não nos admiremos muito, se, amanhã, acordarmos com mais um terramoto político, que atinja em cheio o coração do europeísmo. 
Oxalá que sim, penso eu, que já percebi toda a engenharia de rapina, que a Alemanha arquitectou, no seu interesse.
AC

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Grã-Bretanha salta fora da União Europeia


Grã-Bretanha salta fora da União Europeia

Nem calculam como é agradável deitar-me e levar para o meu sono uma notícia desagradável, e sobre a qual escrevi umas linhas, e ler, depois de acordar, uma outra notícia, agora agradável, que desmente a primeira. 
O Brexit ganhou, embora por uma unha negra. Mesmo que tivesse perdido, mesmo por uma pequena margem, a humilhação da UE, tal como então afirmei, seria enorme. E, com a vitória do Brexit, a UE sai desta refrega humilhada e vencida. Foi uma derrota em toda a linha, que poderá vir a determinar o seu fim, se, entretanto. não houver a clarividência dos dirigentes dos países europeus para alterarem o seu paradigma último, que era o de construir uma federação europeia. 
Eu já afirmei várias vezes que é impossível federar a Europa, quer por motivos históricos, quer por motivos linguísticos. Ao longo da sua História, dominaram sempre as forças centrífugas, baseadas nas diversidades nacionais. Como já afirmei também, nem Carlos Magno, nem Napoleão nem Hitler conseguiram unir a Europa. O sentimento de pertença à Europa não se sobrepõe ao sentimento de pertença a cada nação.
A derrota da UE não começou nem acabou com este referendo na Grã-Bretanha. Ela começou com a crise grega e portuguesa, crise que mostrou aos europeus até onde pode ir a perfídia das instâncias europeias, telecomandadas pela Alemanha. 
No entanto, não sei, tal como ninguém ainda sabe, como é que a sua derrota total vai acabar.
AC

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Hospital Oriental de Lisboa terá 825 camas e autonomia pediátrica


Hospital Oriental de Lisboa terá 825 camas e autonomia pediátrica

Ministro da Saúde anunciou que o futuro hospital oriental de Lisboa terá 825 camas e uma pediatria autónoma
O futuro Hospital Oriental de Lisboa, que acolherá as unidades do Centro Hospitalar de Lisboa Central, vai ter 825 camas e uma autonomia pediátrica, anunciou hoje o ministro da Saúde.
Adalberto Campos Fernandes falava durante uma audição na Comissão Parlamentar da Saúde, durante a qual disse aos deputados que espera enquadrar as primeiras verbas para os novos hospitais no Orçamento do Estado para 2017.
Em relação ao futuro Centro Hospitalar de Lisboa Oriental - que acolherá os atuais hospitais de São José, Santa Marta, Curry Cabral, Capuchos, Maternidade Alfredo da Costa e Dona Estefânia -, o ministro garantiu que a gestão clínica será pública, mas que ainda estão a ser avaliadas eventuais vantagens de uma Parceria Pública Privada (PPP) para a construção e equipamentos.

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O número de camas (825) do novo hospital é igual ao somatório do número de camas dos antigos hospitais a integrar? Parece-me que não. Por este lado, Lisboa vai perder capacidade de resposta, em termos de oferta de cuidados de saúde hospitalares. Assim como vai perder dois hospitais carismáticos, bem localizados no centro da cidade, e altamente especializados (Hospital D. Estefânia e Maternidade Alfredo da Costa), que, ao longo de um século, desenvolveram uma "cultura médica propria", de elevada qualidade técnica, científica e assistencial, e que, possivelmente, irá fragmentar-se, o que se lamenta. 
O novo, só porque é novo, não pode destruir aquilo que o velho tem de bom.
Também não sei se acabou por prevalecer aquela ideia do modelo americanado da enfermaria única para todos os serviços clínicos, ao contrário da estrutura espacial e funcional dos hospitais a substituir - em que cada serviço tem a sua própria enfermaria - ignorando-se assim os benefícios dos efeitos de proximidade do doente acamado, em relação ao seu respectivo serviço, e também as respectivas especificidades técnicas diferenciadas, para cada um deles, quer ao nível do mobiliário, quer ao nível da aparelhagem médico-cirúrgica.
AC

domingo, 19 de junho de 2016

"Saúde - Que consensos?" - Raquel Varela




Intervenção da historiadora Drª Raquel Varela
no debate "Saúde - Que consensos?", organizado
pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM), e que teve
lugar no dia 18 de Junho de 2016, no Hotel Roma, em Lisboa.
*
[Ver intervenção do Dr. Ricardo Baptista Leite,
no post anterior, ou aqui]

"Saúde - Que consensos?" - Ricardo Baptista Leite




Intervenção do médico e deputado
Dr Ricardo Baptista Leite, no debate
 "Saúde - Que consensos?", organizado pela
Federação Nacional dos Médicos (FNAM),
e que teve lugar no dia 18 de Junho de 2016, no Hotel Roma,
em Lisboa.
*
[Ver a intervenção da Drª Raquel Varela, aqui]

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Como a direita mascarou o desemprego em Portugal


Vídeo


São as chamadas estatísticas criativas, feitas à vontade do freguês.

Não é a Rússia que anda a provocar guerras no planeta...


Não é a Rússia que anda a provocar guerras no planeta...

Não é a Rússia que anda, secretamente, a apoiar e a promover o terrorismo internacional...

Não é a Rússia que, também secretamente, apoia indirectamente o Estado Islâmico, sob o disfarce de apoiar grupos armados rebeldes de um país soberano do Médio Oriente...

Não é a Rússia que anda a cercar, instalando bases militares, as fronteiras de um outro país...

Não é a Rússia o país que desestabiliza a paz mundial.

[Ver o excelente e elucidativo texto em “Abril de Novo Magazine”]

terça-feira, 14 de junho de 2016

Noam Chomsky: "A pior campanha terrorista é a que está a ser orquestrada...


A cristalina verdade, expressa pelo prestigiado Professor Emérito do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, Noam Chomsky, ilumina a nossa razão, que não se conforma com a impunidade do imperialismo americano, que não hesita em recorrer às mais torpes manobras, para dominar o mundo.
Deixo-vos o pequeno texto que, no YouTube, acompanha este vídeo:
"Noam Chomsky é considerado uma celebridade do mundo intelectual. Um autor prolífico e assumido anarquista, que aos 86 anos de idade não dá sinais de querer abrandar o ritmo. É uma voz ativa na denúncia de várias injustiças, tendo com bastante frequência o Ocidente como alvo".

segunda-feira, 13 de junho de 2016

A ambição imperialista de um governo mundial...

Ouçam o banqueiro, Paul Warburg: "Nós teremos um 
governo mundial, quer vocês queiram ou não.
 A única questão é se tal governo se estabelecerá 
pela força ou pelo consenso."
Citado por Daniel Rstulin

A jornalista espanhola Cristina Martín Jiménez, que investiga o clube Bilderberg há cerca de 10 anos, constata que este grupo secreto pretende  “criar um governo mundial único, em mãos privadas”.
ZAP aeiou Ver aqui

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Para que esse governo mundial se afirme globalmente, na sua plenitude, embora sob diversos disfarces, tal como o que já está instituído na Europa, através da União Europeia e da União Monetária Europeia, que já detêm fatias importantes da soberania de cada Estado membro, apenas falta neutralizar a Rússia e a China, através das armas, já que essa neutralização, através da política, se revela impossível. E um ataque nuclear, de surpresa, desferido contra a Rússia, não está descartado do plano imperialista ocidental, já que a NATO, dominada pelos EUA, vai decidir, em princípio do próximo mês de Julho, a instalação de novas bases nos países do leste europeu.
AC
Ver também em "Abril de Novo Magazine".

Ignorância ou simplesmente uma montagem anedótica, de conseguido efeito?...

Amabilidade da minha irmã Helena.
Ver também em "Abril de Novo Magazine".

domingo, 12 de junho de 2016

Não bastam as acções diplomáticas, as cerimónias das condecorações (de má memória) os protocolos e as paradas militares


Não estava no programa oficial a participação de François Hollande na Câmara de Paris, na condecoração dos quatro porteiros portugueses que socorreram vítimas do atentado do Bataclan. Mas já se sabe como Marcelo pode ser persuasivo, a ponto de conseguir desviar o presidente francês do percurso entre o Palácio do Eliseu e o Stade de France. Em vez de ir diretamente, passou pela casa de Anne Hidalgo e, tal como Marcelo e Costa, fez um discurso de improviso.
… Marcelo fez um malabarismo ao protocolo e passou para as mãos de Hollande duas das quatro condecorações para que ele as entregasse. "Vou mudar as regras", disse antes. Já durante a manhã tinha dado a volta ao statu quo, quando retomou, 42 anos depois de 1974, a parada militar no Terreiro do Paço e as condecorações a antigos combatentes da Guerra Colonial - e também a militares no ativo que se destacaram em missões no estrangeiro - e também a militares no ativo que se destacaram em missões no estrangeiro. Sabia que ia agitar os fantasmas de várias gerações, sabia que estava novamente a andar sobre o arame das memórias difíceis. Mais alguém poderia tê-lo feito? Se no dia em que se tornou Presidente ele se juntou a representantes de 18 crenças religiosas na Mesquita de Lisboa, sim, podia. Por muito que seja doloroso voltar a sentir as feridas do passado recente, é preciso procurar no que aconteceu ontem o sinal de que nada é imutável e tudo pode ser posto em causa.
Diário de Notícias _ Ana Sousa Dias

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Na realidade, na História dos Povos, nada é imutável. Tudo muda, porque "o mundo é feito de mudança". Mas é preciso dar um empurrão a essa mudança. E os empurrões não podem estar confinados apenas ao nível diplomático e aos protocolos de Estado, muito embora sejam importantes. O folclore das paradas militares e das cerimónias das condecorações, de má memória (e agora falo na qualidade de ex-capitão miliciano, que fez a Guerra Colonial) não são suficientes para resolver os problemas que, neste momento, se colocam a Portugal, e que ameaçam a sua identidade, a sua dignidade e a sua independência, que está em perigo. O problema que Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa têm de resolver rapidamente é a posição de Portugal no contexto europeu, uma relação que está a descambar perigosamente para uma típica situação neocolonial, embora de forma encapotada. A União Europeia, que se apresentou como um espaço de solidariedade, está a transformar-se num pesadelo para os povos que não conseguiram (também por culpas próprias, é certo) acompanhar o desenvolvimento dos países europeus mais ricos (que também enriqueceram à custa dos países mais pobres, através da economia de troca desigual, uma vez que o dinheiro dos subsídios aos países pobres destinava-se a promover a compra de bens e serviços aos países mais ricos), o que me leva a afirmar que a União Europeia se transformou num grande espaço de negócios. E a situação chegou a um ponto extremo e insustentável, quando se assiste ao degradante espectáculo de uma instituição comunitária, a Comissão Europeia, controlada à distância pela Alemanha e pela França, ameaçar Portugal com sanções económicas, medidas estas que nunca deveriam ser incluídas em nenhum Tratado Internacional, e que, ao constar nos tratados europeus, constitui uma originalidade vergonhosa, já que nunca se viu, em tempos de paz, dois ou mais países estabelecerem, entre si, a aplicação de sanções, nos acordos entretanto firmados.
E é isto que tem de ser resolvido rapidamente pelos altos dirigentes de Portugal.
Alexandre de Castro

Publicado também aqui, por deferência dos editores do "Abril de Novo Maganize".

sábado, 11 de junho de 2016

Os problemas estruturais da economia portuguesa e os caminhos a percorrer

A economia portuguesa está muito dependente do contributo  da
Procura Interna (consumo) e desde 2014 encontra-se estagnada

Os problemas estruturais da economia portuguesa e os caminhos a percorrer

Para resolver os problemas estruturais da economia, Portugal, mantendo-se ou não na área do euro, tem de orientar a sua estratégia em dois pilares: por um lado, promover intensivamente as exportações e, por outro lado, produzir bens que substituam importações. O objectivo é ganhar excedentes, perante o exterior, e aumentar a receita fiscal para possibilitar, sem um pesado esforço orçamental e sem mais medidas de austeridade, pagar a gigantesca dívida pública, que terá de ser reestruturada, inevitavelmente. 

Em relação ao aumento do consumo, [o consumo também conta para a formação do PIB] o governo teria de ter dois aspectos em consideração: que esse aumento do consumo não viesse a aumentar a procura de bens e serviços importados e que, por razões de equidade e de justiça social, o aumento desse consumo derivasse da melhoria dos rendimentos da classe média e da população mais desfavorecida. O aumento do consumo iria promover também mais receita fiscal, evitando-se o agravamento dos impostos, que já são muito pesados e que já provocam o funcionamento da economia.

Mas, para conseguir este desiderato, é necessário investimento, o público e o privado, que dinamize a economia. Infelizmente, verifica-se que o investimento continua a ser raquítico, e insuficiente para sustentar o crescimento económico. As empresas estão descapitalizadas e o crédito bancário, devido à insolvência dos bancos nacionais, é difícil e problemático. O actual governo está a fazer o que pode. A aposta na reabilitação urbana, apoiada pelo Estado, vai reanimar um pouco a recuperação da construção civil - que, no passado, foi o grande motor da economia - o que vai atrair investimento e criar emprego. 

Não se vê no horizonte a recuperação do investimento, por parte da iniciativa privada, que seria essencial para investir na produção de bens, que substituíssem as importações, bem como na produção de bens para o mercado externo e que, através da inovação, aumentassem, de uma forma significativa, o valor acrescentado. E Portugal necessita, como de pão para a boca, de aumentar as exportações, a um nível médio de cinco por cento ao ano Mas, sem investimento, pouco se poderá fazer na criação de riqueza e no desenvolvimento do país.

É neste quadro de pensamento (o de a economia portuguesa não conseguir crescer nos próximos anos) que funciona o comportamento da Comissão Europeia (um órgão da UE domesticado pela Alemanha), ao pretender aplicar severas sanções a Portugal, através de um procedimento por défice orçamental excessivo, ao mesmo tempo que quer impor mais cortes nas pensões e mais desvalorizações salariais, o que vai levar, tal como já tenho dito, Portugal a percorrer o calvário de sofrimento da Grécia. Desde 2010, a desvalorização salarial atingiu os vinte por cento, o que já é dramático, mas a Comissão Europeia quer que atinja os trinta por cento, o que, a verificar-se, será uma catástrofe. 

Claro que, se Portugal tivesse uma moeda própria, para poder desvalorizá-la no interesse da sua economia, a fim de aumentar as exportações, tudo seria mais fácil, mais rápido e menos doloroso a longo prazo. E este é o principal problema estrutural da economia portuguesa, um verdadeiro nó górdio, que precisa de um Alexandre Magno, que o decepe com a espada.
Alexandre de Castro
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Curiosidade: Leia aqui a célebre lenda do nó górdio.

Publicado em "Abril de Novo Magazine", por deferência dos seus editores.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Jerónimo de Sousa quer nova moeda portuguesa


Jerónimo de Sousa quer nova moeda portuguesa

Numa sessão pública intitulada A libertação do país da submissão ao Euro, condição para o desenvolvimento e soberania nacional, Jerónimo de Sousa, ladeado pelos economistas João Ferreira do Amaral e Jorge Bateira, entre outros, identificou a banca sob controlo público, a renegociação da dívida e a saída do euro como prioridades para o desenvolvimento soberano de Portugal.
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Não há outra alternativa. Se já foi um grande erro Portugal aderir ao euro, maior erro será se não sair. Se Portugal tivesse uma moeda própria, alinhada com a produtividade da sua economia, as exportações de bens e serviços triplicariam, no espaço de quatro ou cinco anos, permitindo assim obter excedentes para ir pagando a dívida, dívida que também terá de ser reestruturada. 
Se não for assim, Portugal caminhará para o desastre.

PSOE perde segundo lugar para Unidos Podemos

Pablo Iglesias, do Podemos, e Alberto Garzón, 
da Esquerda Unida, juntos ontem em Madrid

PSOE perde segundo lugar para Unidos Podemos

Os militantes do PS que, tal como Francisco Assis, pugnam por uma colagem do partido à direita, condenando a aliança firmada por António Costa com o PCP e o BE, devem olhar para o que se passa em Espanha, com o PSOE a perder terreno nas sondagens, cedendo o segundo lugar para a coligação do Podemos com a Esquerda Unida, que já se encontra em segundo lugar nas intenções de voto.
Depois do descalabro do PASOK, o partido socialista grego, é a vez dos socialistas espanhóis pagarem bem caro o seu colaboracionismo com o sistema, ao qual serviram de bengala, como contraponto da direita, mas enquadrando-se sempre, nas questões essenciais, nas mesmas políticas conservadoras.
Os espanhóis, cada vez em maior número, começam a ver o PSOE como uma grosseira réplica do Partido Popular.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Ensino de Religião apenas deveria ser permitido ministrar a maiores de 18 nanos...


O ensino da Religião, qualquer que ela seja, deveria ser absolutamente proibido de ser ministrado a pessoas com menos de 18 anos. Só a partir desta idade é que o acesso a esse ensino seria permitido a todos aqueles que, voluntariamente, e em plena liberdade, fizessem essa opção, da qual seriam os únicos responsáveis.
Com esta medida, as religiões ganhariam dignidade e autenticidade, já que seriam constituídas por crentes, que a elas aderiam em plena consciência. Impor e ensinar uma Religião a uma criança ou a um adolescente, que ainda não têm a sua consciência formada, e servir--se da sua inocência, para mais facilmente lhes incutir uma crença e uma doutrina, é um inqualificável abuso.
O Direito Internacional da Criança deveria consignar este princípio.

domingo, 5 de junho de 2016

Vem aí o e-comércio (a economia colaborativa) e uma vaga descomunal de desemprego estrutural.


Vem aí o e-comércio (a economia colaborativa) e uma vaga descomunal de desemprego estrutural.

Se a Era da da Revolução Industrial se baseou na mecanização, na industrialização, no recurso intensivo às fontes de energia provenientes do carvão, da electricidade, do petróleo, da cisão nuclear e, em termos políticos, na exploração de matérias primas nos territórios coloniais, a Era da Globalização, que lhe sucedeu, e que está a viver-se em pleno, caracteriza-se pela informatização e robotização, pelo desenvolvimento das comunicações e das telecomunicações, pelo domínio, à distância, do espaço global, e, agora, ainda de uma forma embrionária, pelo comércio online, que tenderá também a ser global.
No entanto, entre estas duas grandes revoluções, que marcaram, e continuam a marcar, a evolução da Humanidade, existem semelhanças, diferenças, benefícios e prejuízos para as populações. Ambas propiciaram o progresso e uma melhoria das condições de vida das populações dos países que as puderam incorporar nas suas respectivas economias. Ambas favoreceram a oferta de bens e serviços de utilidade indiscutível, a preços acessíveis, possibilitados pelos efeitos de escala e pela grande massificação do consumo. 
Mas, contrariamente, ambas desenvolveram e reforçaram o domínio do Capital sobre o Trabalho. Ambas deram origem às formas imperialistas do exercício do poder. Ambas desenvolveram o capitalismo financeiro, que condicionou o poder dos Estados e contribuiu para o aprofundamento das desigualdades sociais. 
Não nos esqueçamos que, hoje, um por cento dos habitantes do globo auferem o mesmo rendimento do auferido pelos restantes noventa e nove por cento dos habitantes, um fosso enorme provocado principalmente pela Globalização, que gerou lucros enormes às grandes companhias multinacionais, através do processo das deslocalizações territoriais dos meios de produção, na procura de mão de obra mais barata, e aos bancos, através da financeirização da economia. 
Diferenças entre a Era da Industrialização e a Era da Globalização também existem, naturalmente. E a principal diz respeito ao emprego. Enquanto a Revolução Industrial criou empregos massivamente, atraindo as populações rurais activas para as cidades industriais, alterando assim, profundamente, a paisagem física e a demografia dos países industrializados, a Globalização, excepto no período das deslocalizações das fábricas para os países asiáticos, está a criar manchas enormes de desemprego, uma tendência que irá agravar-se, de forma exponencial, com o desenvolvimento da chamada economia colaborativa, que eu prefiro designar por e-comércio.
O desenvolvimento das novas tecnologias vai promover, também de forma exponencial, o incremento das transacções on line, na maioria dos sectores de bens e de serviços, o que vai eliminar o sector dos intermediários, com graves repercussões ao nível do desemprego. Em todo o mundo, milhões de postos de trabalho serão destruídos e o sistema capitalista, que adquiriu a dimensão universal, não tem resposta adequada para este agudo problema. Ou até tem, na sua forma mais perversa. Deixar que seja o mercado global a fazer a selecção entre os países que irão crescer, que serão poucos, e os que irão, irreversivelmente, empobrecer, que serão muitos, e, dentro de cada país, deixar que seja o respectivo mercado interno a fazer a divisão entre uma minoria de ricos e remediados, por um lado, e uma grande maioria de pobres, por outro, e, se possível, muito bem escondida, para não causar alarmes sociais, que são sempre indesejáveis e inoportunos para o bom andamento dos negócios. Os regimes capitalistas saberão viver com esta nova realidade, diluindo-a na demagogia discursiva, manipulando-a no espaço mediático ou, simplesmente, silenciando-a através da repressão.
Um Novo Mundo, assim imaginado (ou melhor, assim previsto), e que estará presente, perante todos nós, na próxima década, vai necessitar de uma nova ordem internacional, assente na centralização do poder político e militar da potência dominante. Assim, a liderança do mundo será assumida pelos EUA. Para lá chegar, só é necessário encontrar a forma de neutralizar a China e a Rússia e aniquilar os países do Médio Oriente que ainda resistem à submissão, garantindo-se assim o controlo da maior reserva de petróleo do mundo. 
Quem não acreditar neste prognóstico, que recue uns dez a vinte anos atrás, e se interrogue se, nesse tempo, conseguia imaginar o mundo, tal como ele é hoje.
AC

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Penas pesadas no caso BPN. Acusação pede 13 a 16 anos para Oliveira Costa


Penas pesadas no caso BPN. Acusação pede 13 a 16 anos para Oliveira Costa

É completamente injustificado o alarme social que esta notícia está a provocar de norte a sul do país, até com os sinos de algumas igrejas já a tocarem a rebate. Os portugueses devem manter-se calmos e sossegados, pois os arguidos do caso BPN, independentemente do número de anos de prisão. a que venham a ser condenados, beneficiarão sempre do estatuto jurídico da pena suspensa. Depois, lá mais para a frente, uma qualquer condecoraçãozinha, no 10 de Junho, lavará a nódoa. Tenham calma, pois o Dr. Cavaco ainda tem alguma influência e não deixará de fazer uma forcinha, para proteger os seus amigos de coração.

terça-feira, 31 de maio de 2016

Dissertação sobre o Flamenco [Poster]

Clicar para ampliar

Amabilidade de Leila Gomes, a quem agradeço a iniciativa de ilustrar este meu poema, o que fez com grande mestria e talento, ao procurar equilíbrios estéticos, de grande efeito, na composição gráfica do conjunto.

Ver aqui a publicação original do poema.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Consensos e pactos para que Saúde? _ por Mário Jorge Neves


Consensos e pactos para que Saúde?

Desde há uns meses ganhou novo fôlego uma campanha que, não sendo nova, surpreende pela sua insistência.

O actual Presidente da República (PR) lançou uma “cruzada” em torno de um consenso para a Saúde entre as várias forças políticas.

No final do passado mês de Março numa visita a um hospital que está inserido numa PPP (parceria público-privada) afirmou, segundo várias notícias divulgadas na imprensa, que:
- a saúde é uma área em que é “ fácil chegar a consensos”.
- elogiou as PPP considerando-as de interesse público.
- “ a saúde é uma área prioritária no nosso país. De uma forma suave, vai-se estabelecendo um consenso e as várias forças políticas vão chegando a acordo, sendo que a gestão feita pelo ministro da saúde tem ajudado”. - “Desdramatizar e criar um ambiente de pacificação e resolução de problemas” seriam caminhos para o tal consenso desejado pelo PR que ainda elogiou o “clima de menos crispação”.

Passados alguns dias e numa sessão comemorativa do aniversário de uma conhecida organização de beneficência existente na área da saúde, o PR voltou a insistir nessas tónicas ao afirmar que já existe “ um pacto não formalizado”, tendo o ministro da saúde deslizado para uma maior clareza de ideias ao afirmar que o sistema de saúde “não é apenas o Estado”, acrescentando que existem matérias que merecem o “consenso alargado da sociedade”.

No contexto destas declarações colocam-se desde logo diversas interrogações sobre questões de fundo, dado que embora o actual PR afirme agora que a saúde é uma área em que é fácil chegar a consensos, quando foi deputado do PSD votou, há quase 37 anos, contra a Lei do SNS (Serviço Nacional de Saúde).

Poderão alguns dizer que as realizações nestes anos da vigência do SNS foram de tal dimensão e com um tão amplo reconhecimento internacional que conseguiram fazer mudar de opinião alguns dos actores políticos anteriormente tão avessos ao direito constitucional à saúde.  

No entanto, há que ter bem presente que o PR em circunstância alguma proferiu a sigla SNS e falou sempre da Saúde em sentido muito abstracto.

Simultaneamente, o actual ministro da saúde, cujas reais posições político-ideológicas sempre foram de uma enorme proximidade com os círculos privados com interesses nesta área, já veio clarificar que sistema de saúde não é só Estado, o que mostra como já vão longe os tempos em que tecia tantas loas ao SNS.

Na base destes posicionamentos e com tantos elogios à mistura, torna-se indispensável reflectir sobre que tipo de política de saúde e sobre que modelo prestador de cuidados se pretendem criar os tais pactos ou consensos.

Quando se fazem declarações sobre o suposto interesse público das PPP, escamoteando o desastre gestionário e social que este modelo já demonstrou na Grã- Bretanha e noutros países onde as receitas ultraliberais conduziram ao colapso dos direitos sociais e concretamente do direito à saúde, certamente que a preocupação de fundo a elas subjacente não é a redinamização do SNS.

Se, por outro lado, virmos qual o comportamento dos mesmos sectores políticos e dos interesses privados perante a acção do ministro da educação aumentam ainda mais as preocupações com esta nova campanha dos consensos.

No caso do ministro da educação, quando as medidas em curso visam, no essencial, defender a escola pública e laica que é um dos pilares fundamentais do espírito republicano que determinou a criação do Estado Democrático tal como o conhecemos, as reacções de hostilidade atingem um nível chocante e revelador do entendimento prático de certos sectores político-partidários quando apregoam o lema “ menos Estado, melhor Estado”: menos Estado para os contribuintes e melhor Estado para os seus círculos clientelares.

As campanhas contra o SNS já tiveram muitos episódios, alguns assentes em argumentos imbuídos de profunda desonestidade política.

Logo após a aprovação da Lei do SNS surgiu a campanha, que durou largos anos, de que a existência de um SNS significava a estatização da saúde.

Posteriormente, várias entidades foram publicando dados que demonstravam que o sistema de saúde no nosso país era a negação dessa apregoada estatização e que era entre a generalidade dos países europeus ocidentais um dos que possuía a percentagem mais elevada de despesas privadas.

O próprio relatório da OMS divulgado no início de 2001 veio referir que as despesas públicas de saúde no nosso país eram somente de 57,5% e que países tidos como exemplos marcantes da economia de mercado casos da Finlândia, da França e do Japão tinham, respectivamente, 73,7%, 76,9% e 80,2%.

De facto, o nosso sistema de saúde sempre foi um modelo que de um ponto de vista geral se pode considerar misto, embora existindo o SNS como instrumento constitucional de garantia do direito à saúde.

A componente privada sempre teve uma “fatia” importante do montante global das verbas envolvidas, apesar de a chamada pequena e média empresa médica portuguesa ter sido gradualmente “engolida” por grande grupos económicos, alguns de carácer multinacional em áreas diagnósticas e terapêuticas mais específicas.

Outra das campanhas que atingiu uma grande dimensão foi a de apregoar que o SNS era gratuito e, como tal, insustentável para a economia do país.

Como todos sabemos, o SNS ou qualquer política social pública está dependente dos impostos pagos pelos contribuintes e nunca são gratuitas.

É através do pagamento dos impostos proporcionais aos rendimentos auferidos por cada um que se estabelece um esforço solidário entre os vários sectores da população para assegurar direitos sociais elementares à dignidade da existência humana.

Aquilo que se torna cada vez mais evidente é que são os dinheiros públicos que viabilizam, de forma decisiva, os negócios privados no sector da saúde, nomeadamente por via dos subsistemas públicos de saúde como a ADSE e também das PPP.

 É possível algum consenso entre os sectores que defendem o direito constitucional à saúde e o seu instrumento operacional, o SNS, e os sectores que sempre que chegaram ao governo tudo fizeram para destruir esse direito?

Ou o tal consenso seria a chamada “combinação público-privada” que tem como objectivo central legitimar o aprofundamento da parasitação dos dinheiros públicos pelos sectores privados, levando ao definhamento progressivo do SNS e à transformação dos serviços públicos de saúde em serviços degradados para pobres e indigentes ?

Ao longo destas mais de quatro décadas de Democracia foi na base do texto da Constituição da República que se estabeleceram os pactos políticos e sociais para salvaguarda do Estado Social e, por via dia deste, da própria coesão social.

Quando alguns sectores políticos atacam o texto constitucional e clamam por mais revisões, aquilo que visam é desfigurá-lo a tal ponto que nem a garantia do próprio regime democrático aí esteja expressa.
Aquilo que apelidam de grande carga ideológica já foi substancialmente “limada” nas revisões constitucionais efectuadas.

Se repararmos bem, essas acções já nem sequer conseguem especificar os aspectos que careciam de nova revisão, limitando-se a argumentar com ridículas acusações de bloqueio proveniente das disposições constitucionais para, no fundo, tentar esconder o fracasso das suas políticas e os seus dramáticos resultados sociais, como se pôde verificar com a anterior governação.

 A nossa Constituição da República não é muito diferente dos conteúdos dos textos constitucionais dos países europeus mais avançados nos direitos políticos e sociais.

Qualquer acordo de regime ou pacto na saúde terá de evoluir em torno das disposições da nossa Constituição e da garantia geral e universal do direito à saúde aí estabelecida.

Outra questão bem diferente é a ideia de um hipotético consenso que a ser levado à prática conduziria inevitavelmente à liquidação do SNS é à mercantilização dos cuidados de saúde por via de combinações entre o pagamento publico e a prestação privada, segundo um modelo próximo do inglês ou mesmo do americano.

A depauperização significativa de sectores numerosos da nossa população não permite mais políticas antisociais que continuem a dilacerar a coesão social e a tornar a vida de muitos cidadãos num inferno quotidiano para poderem subsistir.

O SNS tem desempenhado um insubstituível papel de garantia de alguns parâmetros importantes em termos da equidade social.

O economista argentino Federico Tobar chamou a atenção que “diversos estudos sobre equidade no financiamento de serviços geraram evidência suficiente para afirmar que o gasto público em saúde, nomeadamente nos cuidados primários, regista um elevado impacto redistributivo, permitindo corrigir as desigualdades que gera o funcionamento da economia”.

 Amartya Sen recebeu o Nobel da Economia em 1998 na base da sua análise de que os países onde as condições de saúde são mais uniformes no seio da população são aqueles que apresentam melhores condições e potencialidades para o crescimento económico.

Perante níveis iguais de investimento, crescem primeiro as economias baseadas em sociedades mais equitativas.

O SNS é uma construção que necessita de encontrar permanentemente respostas novas e céleres aos sucessivos problemas novos que se lhe deparam.

 Uma perspectiva imobilista de defender somente o conceito sem ter em conta a realidade difícil em que ele se insere, realidade essa sempre em mudança, seria desastrosa para a sua continuidade como um dos factores centrais de equidade e de coesão sociais.

O sector da saúde é provavelmente aquele que nas últimas décadas tem conhecido uma maior incorporação e revolução tecnológicas com a introdução sucessiva de novos e mais sofisticados meios técnicos e um desenvolvimento contínuo do conhecimento científico.

 Como a experiência histórica demonstra, de forma muito clara, todas as revoluções tecnológicas determinam mudanças radicais nos modos de organização da produção e do trabalho.

Aquilo que podemos verificar é que os modos de organização, por exemplo, nos hospitais são os mesmos há largas décadas.

Por outro lado, não existem incentivos à inovação e quando isso não existe as organizações, sejam elas quais forem, estão condenadas à decadência.

Os profissionais que têm aparecido em vários serviços públicos de saúde a defender métodos inovadores e de maior eficácia organizacional são logo constituídos como alvos a abater por parte de grande parte dos “clientes” nomeados pelo Poder político.

A redinamização do SNS é um imperativo humanista e de cidadania, na base do respeito pelas disposições constitucionais.

Reformar o SNS tem de se enquadrar numa clara perspectiva de o melhorar continuamente, de descentralizar os seus níveis de decisão, de o tornar mais próximo dos cidadãos que o pagam e que dele necessitam e de ser objecto de prestação regular de contas por aqueles que são nomeados para gerir os seus múltiplos serviços.

Aqueles que se posicionam em vários quadrantes políticos mas que tem profundas preocupações sociais efectivas e não aceitam a mercantilização do sofrimento humano hão-de saber criar as plataformas de convergência e de entendimento que permitam reerguer o SNS e introduzir os mecanismos fundamentais para a sua integral dinamização, como, aliás, já aconteceu em anteriores momentos críticos.

Mário Jorge Neves
Médico, dirigente sindical

domingo, 22 de maio de 2016

A ortodoxia da Europa...


Bruxelas pode impor aos Estados políticas orçamentais absurdas, para depois os condenar pelo insucesso das medidas de que ela é a principal responsável! É um absurdo político e uma realidade moralmente revoltante.
Viriato Soromenho Marques

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Em apoio à tese de Viriato Soromenho Marques, deixei, no Diário de Notícias o seguinte comentário.
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Sem dúvida alguma. As instituições da troika (UE/FMI/BCE) têm de assumir a responsabilidade do fracasso do modelo de resgate aplicado à Grécia e a Portugal. Aceitaram os programas das medidas de austeridade, que os governos lhe apresentaram, em troca do resgate (no caso português, essas medidas até foram para "além da troika", vangloriou-se Passos Coelho), deram o seu aval à sua progressiva implementação, nas várias avaliações trimestrais efectuadas, dando nota positiva a todo o processo, e manifestaram-se satisfeitas no final do programa. No entanto, em Portugal, o ano de 2015, o último da governação da coligação de direita, correu muito mal e, parece, deitou tudo a perder. Subitamente, os papagaios da direita deixaram de poder dizer que Portugal não era a Grécia, comparação esta que nunca perfilhei, pois sempre pensei e disse que Portugal seguiria "irrevogavelmente" o caminho acidentado e trágico da Grécia, só que estava um ano a ano e meio atrasado. 
Agora, aquelas instituições lavam as mãos como Pilatos, em relação ao que supervisionaram e sancionaram,  e vêm, em tom de ameaça, insistir na aplicação da mesma receita, que, como se constata, não deu resultado no passado recente.
Mas, se as instituições da troika não dão a mão à palmatória, também a comunicação social, na sua maior parte constituída em vanguarda da direita política, está a tentar uma manobra de diversão, querendo fazer passar, de uma forma subtil e implícita, de que a culpa do desastre de 2015 é da responsabilidade do governo de António Costa e da coligação de esquerda que o sustenta.O caso mais flagrante foi um artigo do Director do Observador, José Manuel Fernandes (JMF), que pegou em todos os índices macro económicos das estatísticas do INE, relativas ao 1º trimestre deste ano, para concluir, do alto da sua sapiência, que o governo de António Costa era inepto e incompetente, quando se sabe que, naquele curto período de tempo, o governo não teve a oportunidade (nem podia tê-la) de tomar medidas de fundo, pois o Orçamento de Estado de 2016, onde essas medidas se encontram inseridas, foi aprovado em finais daquele trimestre. Que se saiba, o orçamento não produz efeitos retroactivos.
Este artigo de JMF é bem o exemplo típico do mau jornalismo (principalmente o jornalismo de opinião) que campeia em Portugal, em que os órgãos de informação, além de servirem de caixa de ressonância dos partidos da direita, promovem campanhas bem orquestradas de intoxicação mediática.

Alexandre Lopes de Castro
Jornalista (C.P 5907)

terça-feira, 17 de maio de 2016

Resposta aos delírios estatísticos do director do Observador...


Seis meses de geringonça, modo de usar

O que está a correr pior é, sem surpresa, a economia. Porque sucedeu exactamente o contrário do prometido. O ritmo de crescimento económico abrandou. Não foram criados empregos, antes foram destruídos postos de trabalho. O investimento estancou. E o consumo, o prometido “motor” da retoma, não dá suficientes sinais de vida.
José Manuel Fernandes

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Aplique José Manuel Fernandes os mesmos critérios de análise política e o mesmo perfil de elementos estatísticos aos quatro anos de governação PSD/CDS e compreenderá quem é que destruiu a economia, quem é que promoveu o desemprego e a emigração dos jovens e quem é que golpeou a Educação e o Serviço Nacional de Saúde. E, pelo caminho, talvez fosse interessante olhar para os números da Dívida Pública, contraída através do Memorando de Entendimento com a Troika, que o PSD estimulou e também alegremente subscreveu. 
Esquece-se José Manuel Fernandes que a maioria das medidas adoptadas pelos governos tem efeitos a médio e longo prazo e que os resultados recolhidos das estatísticas, referentes aos quatro meses deste ano, são consequência do desastre provocado pela governação da coligação de direita, durante quatro anos. Ou não será assim?...

Comentário que deixei no Observador.
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Comentário posterior

Acabei de ler o Macroscópio de hoje, de José Manuel Fernandes. Tal como neste artigo, "Seis meses de geringonça...", ele volta ao delírio das estatísticas, aplicando-lhes o seu olhar enviesado e feroz, o que o leva a torcer e a retorcer os números, para que eles reflictam o que a sua "partidite" reclama. Se houvesse da sua parte mais isenção e se, previamente, ele consultasse os dados estatísticos do Eurostat, chegaria facilmente à conclusão que todos os países do euro, com uma ou duas excepções, viram as suas exportações a diminuir, contrariando as previsões, assim como aconteceu aos números do PIB. É preciso considerar que houve uma diminuição da procura global, e, no caso português, e para sermos justos e isentos, temos de considerar que as exportações de Portugal se ressentiram com a queda da procura da economia de Angola, que hoje se debate com a baixa do preço de petróleo, o pulmão da sua economia. 
Esta modalidade de ler as estatísticas, sem as contextualizar com as envolventes externas, faz-me lembrar o que se passou com a evolução das taxas de juro da Dívida Pública. A partir do início de 2014, e depois de uma subida em flecha, os juros começaram a baixar ao mesmo ritmo com que subiram. Logo os arautos das verdades definitivas, os comentadores direitinhas (não sei se JMF foi um deles) desataram, em júbilo, a cantar hossanas ao governo de Passos Coelho, para, numa manobra de ilusionismo, tirarem da cartola o argumento conclusivo de que a acção do governo estava a ser positiva e que os sacrifícios impostos aos portugueses estavam a dar resultados. Os incautos, os distraídos e os ignorantes acreditaram. No entanto, os mais atrevidos e os mais curiosos não se conformaram com o laconismo dos irmãos e primos políticos de JMF e descobriram a marosca. Olharam para o que se passava com os juros das dívidas de Espanha, Itália, Grécia e Irlanda. Todas elas, embora com valores diferentes, tinham o mesmo perfil evolutivo, o mesmo percurso paralelo. Em gráfico, as curvas respeitantes a cada país considerado tinham a forma de uma campânula, com o seu vértice na mesma linha vertical, o que quer dizer que elas começaram a descer ao mesmo tempo, evidenciando o mesmo paralelismo, verificado na subida. Conclusão: a descida dos juros da dívida soberana portuguesa teve a ver, essencialmente, com a envolvente externa, no caso, as manobras especulativas dos investidores nas bolsas de valores, e muito pouco com os cantados méritos do governo. 
A saga prossegue agora com o PIB e o défice. O método de iludir a realidade é o mesmo. Nada há a fazer para nos livrarmos da intoxicação mediática.

sábado, 14 de maio de 2016

FEDERAÇÃO NACIONAL DOS MÉDICOS COMUNICADO


FEDERAÇÃO NACIONAL DOS MÉDICOS  
COMUNICADO



A Comissão Executiva da FNAM, reunida a 13/05/2016, entendeu divulgar as seguintes questões fundamentais:

1. A 28/11/2015, a FNAM entregou ao actual Ministério da Saúde um caderno negocial que até hoje não teve resolução dos seus pontos principais.
A ausência de uma linha de rumo político para a superação dos problemas acabará por determinar a criação de um ambiente conflitual.

2. A opção poítica do Governo a nível do Orçamento de Estado para 2016 em não proceder ao adequado pagamento do trabalho extraordinário dos médicos enquanto paga um montante global várias  vezes superior a empresas de cedência de mão-de-obra médica, merece o mais vivo repúdio, o mesmo acontecendo com a decisão de proceder à criação de um universo crescente de médicos indiferenciados que, a concretizar-se, terá as mais nefastas consequências na qualidade da prestação dos cuidados de saúde.
Importa lembrar que o aviso prévio da greve dos médicos convocada pela FNAM e realizada em Junho de 2014 estabelecia no seu ponto n.º 13 a exigência do "pagamento adequado do trabalho extraordinário e o fim dos cortes nos vencimentos  e reformas".

3. A FNAM considera que a recente revogação da Portaria n.º 112/2014 que determinava a transferência de competências específicas da Medicina do Trabalho para a actividade da Medicina Geral e Familiar, se trata de uma medida positiva e que elimina a perversão da qualidade assistencial dos Centros de Saúde.
Importa recordar que esta questão esteve também presente nos objectivos da referida greve dos médicos.

4. A FNAM reafirma que na sua acção quotidiana a defesa dos interesses dos médicos  e a assumpção  das suas posições de princípio não dependem de situações circunstanciais ou de alteração do poder político.
Sempre numa perspectiva de convergência e de unidade entre as várias organizações médicas que torne mais eficaz a acção reivindicativa e negocial, a FNAM continuará a desenvolver todos os esforços para contrariar a degradação contínua da situação geral do sector a que se assiste.

5. A FNAM decidiu reenviar, actualizado, o seu Caderno Negocial ao Ministro da Saúde, solicitando o agendamento imediato da sua discussão.

Coimbra,13/05/2016

A Comissão Executiva da FNAM

sexta-feira, 13 de maio de 2016

MILAGRES...

Afresco representando o milagre eucarístico de Turim

Hoje, é dia da Santa. Não deixe de olhar para o céu (use óculos) para ver o Sol a dançar.
De caminho, veja aqui a descrição do mais fantástico e inacreditável milagre, que ocorreu em 1453, e em que até os burros se ajoelharam aos pés do Santíssimo.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Brasil, meu Brasil brasileiro, onde a aguarela ficou manchada pela ignomínia...

A presidente Dilma Rousseff

Na realidade, foi um golpe, inspirado do exterior e levado a cabo por políticos que estão indiciados e a ser investigados por crimes de corrupção. Tratou-se de um execrável assassinato político, perpetrado por uma classe política indigente, repugnante e sem mérito, que se serve do Estado para fins pessoais. Acima de tudo, tratou-se de um assassinato de carácter da cidadã Dilma Rousseff, que não cometeu qualquer crime (apenas cometeu prováveis erros políticos, admitiu ela, no seu último discurso como Presidente da República) e que vai carregar durante toda a vida o labéu de uma acusação falsa, imprópria, covarde e perversa. Aos trogloditas da Câmara de Deputados e do Senado, que aprovaram a sua destituição, ela, embora ferida no seu íntimo, respondeu com um discurso marcado pela dignidade, pela sobriedade e pela elevação. Mas foi também um discurso de combate, pela luta do seu bom nome e contra a injustiça de que foi vítima.
***«»***

AQUARELA DO BRASIL (letra e vídeo) com GAL COSTA,
vídeo MOACIR SILVEIRA

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Fato de Michel Temer no OLX



O fato, que o vice-presidente Michel Temer, encomendou para a tomada de posse como Presidente da República, substituindo Dilma Rousseff, já se encontra à venda no OLX, a preço de saldo.

sábado, 7 de maio de 2016

Dilma Rousseff _ vítima de políticos corruptos

Dilma Rousseff foi militante operacional da
 guerrilha marxista que lutava contra a ditadura

Os brasileiros deveriam ler este artigo do jornal PÚBLICO, antes de atirarem pedras à Presidente Dilma, que os políticos corruptos, telecomandados pela CIA, pretendem apear, para, uma vez no poder, silenciarem a justiça, que os está a investigar e os pretende julgar. Dilma foi uma lutadora contra o regime dos generais, tendo sido torturada. 
Dilma não é suspeita de nenhum crime, que possa fundamentar o impeachment. O único crime que ela cometeu, e que não agradou aos agentes do capital financeiro, industrial e agrário, e, muito menos, ao Tio Sam, foi o de afastar o Brasil da rota de vassalagem que o imperialismo dos EUA impõe aos países da América do Sul e da América Central (como se tratassem de meras colónias) e de promover uma aproximação aos países emergentes do BRIC (China, Rússia, Índia e Brasil), e que é o seu natural espaço geo-estratégico, no contexto internacional, devido ao perfil da sua importante economia.
Eu anotei, em defesa da minha tese, e para denunciar a cabala de que Dilma está a ser vítima, e que remonta ao tempo das últimas eleições presidenciais, que, dos 65 membros da Câmara de Deputados, eleitos para elaborar e fazer aprovar a proposta do impeachment de Dilma, 26 estavam a ser investigados pela Justiça, por crimes de corrupção. Isto diz tudo, sobre a transparência do processo de destituição da Presidente Dilma.
AC

terça-feira, 3 de maio de 2016

Ary dos Santos - As Portas que Abril Abriu


Ary dos Santos é o poeta da Revolução de Abril e "As Portas que Abril Abriu" é o poema mais emblemático de todo o processo revolucionário, iniciado pelo golpe militar dos jovens capitães, que derrubou um regime pérfido, bafiento e decadente. É um poema épico e grandioso, de exaltação patriótica e revolucionária, que fala do povo, dos ceifeiros, dos operários, dos soldados e dos capitães. E Ary, ao declamá-lo, empresta-lhe a sua voz tonitruante e modulada, que nos empolga e emociona.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Os banqueiros foram à festa...


Os banqueiros portugueses apareceram em força na manifestação da Intersindical, para também comemorarem o 1º de Maio. Os manifestantes, logo que os viram, começaram a fugir, agarrando bem as carteiras.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

25 DE ABRIL: O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO...

AQUI COMEÇOU A ALIANÇA POVO MFA...

O 25 de Abril já é uma marca genética do povo português. É inapagável. Foi uma revolução que uniu o povo inteiro e que o povo sufragou na grandiosa e memorável manifestação do primeiro de Maio de 1974, a maior manifestação de sempre, na qual eu não pude participar, por me encontrar lá longe, nos antípodas, no hemisfério sul, mas que acompanhei - emocionado, com os olhos marejados de lágrimas e um grande sufoco na garganta - pregado a um aparelho de rádio, sintonizado em onda curta, na Emissora Nacional.
A Revolução de 25 de Abril trouxe agarrada a si o intenso aroma dos cravos, cravos (e aqui reside o seu lado mais romântico) que substituíram as balas, quando o povo, num delírio incandescente, já andava em festa, misturado com os soldados, numa aliança inédita e original, que a História já registou.

"Portugal 74-75" - O retrato do 25 de Abril





25 DE ABRIL, SEMPRE...

domingo, 24 de abril de 2016

A corrupção roeu as entranhas do poder e os alicerces do regime - o regime vai cair...

Expresso: GES pagava avenças a políticos e tinha 2 milhões em notas em cofres

Escrevi várias vezes por aqui que "Ricardo Salgado nunca iria ser julgado, pois, se ele resolvesse abrir a boca, o regime caía". Agora, com a divulgação dos Panamá Papers, ele já não precisa de abrir a boca, pois o Ministério Público também já tem na sua posse (desde há um ano!) o nome de políticos (alguns de nomeada), funcionários públicos, gestores, empresários e jornalistas, envolvidos no escândalo.
Eu não me admirei nada com a confirmação da existência deste pântano. Pressentia-o pelos sinais exteriores que o rasto da corrupção vai deixando, e que quase são imperceptíveis.
Desta vez, a culpa não pode morrer solteira. O povo português nunca mais poderá levantar a cabeça se, neste caso e noutros que irão aparecer, do mesmo jaez, a mão pesada da Justiça não se fizer sentir. Seria o descalabro e o total descrédito do regime, se não se fizer justiça.